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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Mindhunter

David Fincher provided Netflix with a smash hit when he helped usher in House Of Cards back in 2013, and now he's at it again.

The director has teamed up with Charlize Theron to bring a very different kind of show to the streaming service, Mindhunter, which will take us back in time to the 1970s, when FBI agent John E. Douglas was just starting to get a grip on the art of serial killer profiling.

Aula de cinema: "I Think People Are Perverts."

Estreou ontem a extraordinária adaptação ao cinema do romance 'Gone Girl'. A autora, Gillian Flynn, escreveu também o argumento. Ben Affleck e Rosamund Pike estão perto de perfeitos para os papéis que fazem. Não estou a dizer que são os melhores na sua profissão, apenas que estão muito bem naqueles papéis. A banda sonora de Reznor e Ross demonstra evolução e maturidade. E tudo se reune na mestria de David Fincher. Sobre que é o filme? Homens e mulheres. E a definição de 'normal'. E o lugar do nosso olhar sobre o 'normal'. E os meios que usamos para intermediar esse olhar.

Continuo a gostar muito dos primeiros Finchers. Onde o seu lado cerebral era ainda, apesar de tudo, menos evidente. Mas acho que há aqui um equilíbrio que perturba o nosso olhar 'pervertido', como ele diz abaixo. Dito tudo isto, vale a pena ver esta brevíssima espécie de aula sobre Fincher como realizador.

 

Os Homens que Odeiam as Mulheres.

Estreou hoje a versão cinematográfica de David Fincher do primeiro livro da trilogia "Millennium" de Stieg Larsson, "Os Homens que Odeiam as Mulheres". Já havia uma versão sueca e nunca percebi muito bem a ciência americana dos remakes, mas o Fincher é o Fincher. Eu li os livros e vi a outra versão. Já sabia a história de trás para a frente, por isso dediquei-me mais aos atores, ao ambiente, à encenação gélida, lenta e violenta como só ele sabe.

Quem nunca tiver lido, visto, ouvido falar, vai levar mais uns socos no estômago ou pelo menos surpreender-se mais com a brutalidade da história, das imagens, numa tão imaculada paisagem. Seja como for, vale a pena ir ver. A banda sonora volta a ser de Trent Reznor e Atticus Ross, o Daniel Craig passa bem por sueco, os suecos são loucos (estes pelo menos) e a Rooney Mara é quase a Noomi Rapace sem chegar a ser. Até os nomes são aliterantes.

O poster que ilustra este post, ilustra também o meu local de trabalho, mas tentando não estragar muito a descoberta, vale a pena ver o genérico de abertura, ao som da "Immigrant Song" dos Led Zeppelin, voz de Karen O em cima dos arranjos de Reznor e Ross. O que é negro e se incendeia ou como um genérico consegue realmente resumir um filme.

 

"Girl with the Dragon Tattoo" Title Sequence by Blur from Motionographer on Vimeo.

Les beaux esprits se rencontrent.

Karen O fez uma banda sonora deliciosa para "Where The Wild Things Are" de Spike Jonze. Trent Reznor e Atticus Ross fizeram o mesmo para o "The Social Network" de David Fincher.

Um dos prazeres dos Óscares o ano passado foi, aliás, ver Trent Reznor subir ao palco para receber uma estatueta. Tal como foi um prazer o concerto de Nine Inch Nails em Paredes de Coura há dois anos. Foi já há dois anos? Bom, adiante.

É um prazer encontrá-los todos nesta cover da "Immigrant Song" dos Led Zeppelin, para a banda sonora de "The Girl With the Dragon Tattoo" do mesmo Fincher, a sua adaptação do romance de Stieg Larson, primeiro volume da trilogia "Millennium". Em Portugal, o filme vai manter o título do livro, "Os Homens que Odeiam As Mulheres" e o apetite está mais do que aberto.

 

A Rede Social

Ainda não tinha falado aqui do último filme do David Fincher, mas esta notícia é uma desculpa tão boa como outra qualquer. E a foto abaixo também. O guião de Aaron Sorkin é brilhante, a realização de David Fincher, mesmo sem muito espaço por onde se exibir (como acontecia por exemplo em "Se7en" ou "Fight Club"), dá ao guião o fôlego de que ele precisa. Os actores assumem a geração digital, um certo autismo dos geeks ou o fascínio pelo dinheiro, ou o confronto clássico entre "old money" e "new money", o ambiente da Ivy League americana, a dinâmica social da popularidade que se estende da adolescência a todas as idades. Tudo isso está no retrato do filme e nestas chinelas no meio dos engravatados.

Para além disto tudo, é interessante que uma figura alucinada como Sean Parker tenha mudado a indústria musical como a conhecíamos, que um inepto social como Mark Zuckerberg tenha criado a maior rede social do mundo, que aquela guerra entre aqueles que procuram dinheiro real via anunciantes e o que vivem das bolhas do cool continue hoje a travar-se em tantas empresas do mundo da Internet.

Eu conheço gente daquela. Eu trabalho com gente daquela, ou pelo menos gente que vive do sonho ou da ilusão de ser gente daquela.