Sábado, 23.03.13
Segunda-feira, 23.04.12

Os livros.

Eu sei, hoje é Dia Mundial do Livro e sinto-me na obrigação de fazer um post sobre isso, eu que já nem sei bem o que é um livro. Estive em Madrid este fim de semana e levei o meu Kindle e um livro em papel. Li de ambos em ocasiões diferentes. Espanhóis com leitores de e-books vi bastantes e só em dois dias. No Metro em Lisboa também já vi alguns.

Hoje celebra-se em Madrid La Noche de Los Libros e tem um belo anúncio...

 

 

...mas mais que isso, um belo programa com mais atividades numa noite do que a nossa Feira do Livro de Lisboa. São 24 páginas de programa. É uma questão de escala, não estou a desdenhar da Feira, que representa um dos rombos anuais no meu orçamento e este ano até tem MEO Kanal e tudo. Um luxo.

Tudo isto vale a pena claro, mas acho que para celebrar o Dia Mundial do Livro vou fazer três coisas apenas. A primeira é ler. Ler todos os dias, ler todo o tipo de livros, desde que lhes reconheça qualidade. A segunda é escrever, porque para mal dos meus pecados é uma das paixões que ainda me move. A terceira é ouvir o Caetano Veloso, porque todos os dias são bons para isso. E como ele diz, os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil que votamos aos maços de cigarro...

 

Luis às 16:02 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 17.04.12

Explicações.

Como se edita um e-book? Como se compra um e-book? Como se lê um e-book? Como sobrevivemos às saudades da textura e cheiro do papel?

Comecemos pelo fim: não se sobrevive. Mas também não se sobrevive a ver um filme numa sala de cinema escura, a ouvir música ao vivo ou em vinil, a ler notícias no papel de jornal. O que nunca me impediu de ver filmes na televisão, ouvir música em CD ou MP3, ler notícias na Internet. Escolher um novo meio não implica esquecer os antigos.

O meu pai, cinéfilo inveterado, adora em primeiro lugar a sala de cinema mas se há coisa que aprendi com ele é que também se pode ver filmes na televisão, em VHS, DVD, Blu-Ray. O que interessa é conseguirmos chegar ao filme de uma forma bastante aproximada a como o autor o imaginou. E aí gostar ou não gostar.

A mesma coisa serve para os livros. Tenho um Kindle, mas já li muito em outros ecrãs, no computador, no telemóvel. O que não me impede de ser ainda um fetichista do livro em papel. O fabuloso "Binocular Vision" de Edith Pearlman, por exemplo, li em papel. Vai merecer um post em breve.

Parece-me que acabei por arrumar os dois últimos pontos, mas vale a pena esclarecer mais um pouco. O Kindle tradicional é mais barato e funciona melhor com luz natural, é menos cansativo e só serve para ler. O iPad é mais caro, mais potente, mais versátil mas vai gerar necessariamente mais distrações. E quem diz iPad, diz qualquer outro tablet do mesmo tipo.

Além dos dispositivos, há aplicações para ler livros em todos eles. O ecossistema da Amazon sempre me pareceu mais amigável, fácil de usar, sincronizável nas várias plataformas e tem, para já, a minha fidelidade. Além do mais é mais amigo dos autores.

Editar um e-book é complicado. O mercado ainda é uma selva e os grandes operadores como a Amazon ou Apple tendem a privilegiar editoras já existentes e agregadores a autores. A Amazon criou um processo mais fácil. Editar directamente na iBookstore da Apple é Kafkiano, é preferível escolher um agregador. Usei o Smashwords, que é bastante explícito e fácil de usar. Na Amazon, o Kindle Direct Publishing é melhor do que qualquer agregador e o processo é relativamente rápido. Em 48 horas o livro estava publicado.

Faz falta o trabalho da editora, não se pense que não. Já atualizei os meus livros nas respetivas lojas online mais do que uma vez. Nada de fundo, apenas para corrigir gralhas e desacertos com o acordo ortográfico (obrigado Lourenço). Em papel isso teria sido impossível a não ser com nova edição. A capa foi eu que fiz a partir de uma fotografia minha, esta aqui ao lado. Para a promoção falta-me tempo, qualquer ajuda será bem vinda. É claro que muitas editoras falham nisto tudo também, mas isso é outra conversa.


Virá a morte e terá os teus olhos de Luís Soares está apenas disponível em formato de livro eletrónico:

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Em qualquer dos casos, poderá fazer download dos primeiros capítulos sem pagar, para ajudar na decisão da compra.

Segunda-feira, 02.04.12

Virá a morte e terá os teus olhos

 

Josef Leitz, um fotógrafo com uma longa e ilustre carreira convida um jovem modelo (Felix) para um fim de semana de trabalho na praia. Entre ambos desenvolve-se uma inesperada tensão, entre a atração e a repulsa. Na segunda-feira seguinte, Josef Leitz estará morto, brutalmente assassinado.

Miranda Leitz, filha do fotógrafo, apaixona-se por Ruben, o polícia que lhe traz a notícia da sua morte. Com ele tenta investigar o assassinato, mas mais que isso, descobrir quem foi realmente Josef, o seu pai. É um processo doloroso em que as peças do puzzle nem sempre encaixam, conduzindo-a a um confronto emocional com o passado, o irmão Fernando e a mãe Hannah.

Josef Leitz nasceu em plena Segunda Guerra Mundial e atravessou a loucura, a paixão, o horror da segunda metade do século XX, sempre de máquina na mão, tornando-se famoso pelas suas imagens, obcecado pela sua arte. Terá sido apenas mais um produto desse século amoral? Poderia alguma vez ter dado atenção à sua família, aos filhos?

E quem é este Felix, o último rapaz que Josef fotografa, nesses dias junto ao mar? É apenas mais um adolescente ansioso por fugir do seu subúrbio colado à pobreza de um bairro de lata que os aviões sobrevoam, preso entre a brutalidade dos amigos e desejos inconfessáveis, a fixação por André, em todos os sentidos o seu modelo. Seria a objetiva de Josef o caminho para se libertar? Qual é afinal o papel dele no crime?

Virá a morte e terá os teus olhos” é um livro sobre famílias, as verdadeiras, de sangue, e as que os laços do afeto criam, as que nos salvam e as que nos matam, mas é também um livro sobre o presente e o futuro, o valor das imagens e da memória, o sexo e a violência, as fronteiras em que decidimos a nossa identidade.

O título é roubado a um poema de Cesare Pavese, o vídeo acima é da Cia. de Foto.


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Sábado, 31.03.12

Processo Revolucionário em Curso.

O Eduardo Pitta no seu blogue, justificadamente irritado com o fecho da livraria Poesia Incompleta, terminou o post que fez sobre o assunto com a frase "Se calhar vamos ser todos muito felizes a coçar o cu aos iPads."

Não vamos, é verdade, mas um olhar para a indústria editorial e livreira em Portugal e no mundo, um relance que seja, mostra-nos que está a acontecer uma revolução, como se passou já com a música ou a fotografia, por exemplo.

Um artigo de Winston Manrique Sabogal no El País de 15 de Março falava em "tempestade perfeita" e "mudança de paradigma" (a imagem que encima este post vem daí e é de Quint Buchholz - belo nome).

Nada que o Eduardo não saiba, obviamente. E diga-se que o fecho da livraria do Changuito tem mais a ver com o país que temos, na escala, na cultura, nos hábitos, do que propriamente com isso (mesmo que os iPads sejam um bom símbolo de um certo novorriquismo ignorante). O que eu acho é que, por muito que nos irrite, incomode, sacuda nas nossas paixões e modos de vida, vale a pena olhar para o assunto de frente.

Uma das minhas paixões é o livro, o objeto livro, impresso com tinta em papel, encardenado, colado, cosido. Não vai deixar de ser. Acho que em todos os livros que escrevi, num momento ou noutro aparece essa paixão. No mais recente, aliás, aparece mal disfarçada a Poesia Incompleta e o seu livreirito e nela uma personagem compra "O Livro das Maravilhas" de Marco Polo, como eu fiz em tempos. Mais sobre esse livro (o meu, não o de Marco Polo) muito em breve.

Outra das minhas paixões são as histórias, de uma, vinte, duzentas, mil páginas. Ando a ler o "Parallel Stories" do escritor húngaro Péter Nádas que, na edição americana em capa dura tem 1152 páginas. Que eu saiba não está editado em Portugal. Ando, contudo, a lê-lo na edição digital no meu Kindle.

Não é melhor ou pior do que se a lesse em papel, a história não muda, são as mesmas as letras, as palavras, as personagens, a história. É mais prático, sim, menos interessante fisicamente de vários pontos de vista do que lê-lo em papel. Escolhi o Kindle que me serve apenas para ler em vez de, por exemplo, o iPad, que serve para quase tudo, porque ler exige concentração e não distração. E para distrações já tenho motivos e dispositivos a mais. Além de ser muito mais barato, claro.


O meu próximo livro "Virá a morte e terá os teus olhos" (cujo título é precisamente um verso, neste caso de Cesare Pavese) não terá edição em papel, mas apenas em e-book, para Kindle e em formato ePub (Apple iPad/iBooks, Nook, Sony Reader, Kobo, e a maior parte das apps de e-leitura, incluindo Stanza, Aldiko, Adobe Digital Editions).

Em primeiro lugar porque nestes tempos difíceis, a minha editora de sempre achou que os meus livros não vendiam o suficiente para justificarem mais um investimento (pouco tempo depois o meu editor Marcelo Teixeira abandonou-a também ele). Sendo a Oficina do Livro uma chancela da Leya, mais ninguém no grupo me poderia editar, o que exclui para aí metade do mercado à partida.

Em segundo lugar porque nenhuma outra editora parece disposta a investir para além dos círculos da celebridade que regem a edição em Portugal neste momento (o da grande celebridade da cultura popular, o da pequena celebridade da cultura literária e editorial), sobretudo neste momento de "tempestade perfeita".

E assim me decidi a editar-me em formato digital, responsável por tudo. Acredito na minha escrita e não me apetecia deixar um livro guardado numa qualquer arca. É ainda um percurso cheio de escolhos e dificuldades e tenho muitas dúvidas sobre as recompensas, mas a mudança nunca me assustou verdadeiramente e o meu day job sempre me habituou à inovação. A ver vamos. Mais novidades em breve.


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Segunda-feira, 20.07.09

Livros.

A propósito desta polémica que envolve o Kindle e os e-books da Amazon, lembrei-me do "Livros" do Caetano Veloso:

 

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

 

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.


Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

 

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

Terça-feira, 10.02.09

Um leitor de E-books.

Por causa das imagens do novo Kindle da Amazon (imagem abaixo), começo a pensar que até é capaz de ser giro ter um leitor de e-books. O problema é o preço e disponibilidade na Europa. Esta alternativa não me seduz. Mas o papel e a tinta ainda me deixam caído de amores.

Outra coisa em que começo a pensar é se o senhor Jeff Bezos não está a seguir as lições do senhor Steve Jobs, em relação a uma indústria em transição, tentando fechar os vários pontos da cadeia de valor, o negócio dos livros electrónicos com o Kindle e a Amazon, tal como a Apple fez com o iPod e o iTunes.

Os momentos de mudança são coisas estranhas e existem uns e outros players no mercado a tentar agarrar uma peça do bolo futuro. A tecnologia só agora começa a estar preparada para que tudo isto faz sentido, mas se alguém se lembra dos primeiros iPods (há um no MoMA) e do que é hoje o iPhone, percebe igualmente que o caminho faz-se caminhando. É isso que a Amazon está a fazer.

Eu próprio já, quase por brincadeira, editei um e-book, mas o próximo livro, garanto, ainda sai em papel.

Sábado, 29.11.08

Presente de Aniversário.

Faço anos hoje. É costume oferecer presentes a quem comemora tal efeméride. Ao contrário do costume, ofereço-vos treze histórias. Algumas já aqui estiveram em rascunho. Outras poderão ainda estar, de uma ou de outra forma noutros lugares.

Vou de férias durante dez dias hoje. E este blog vai comigo. Deixo-vos por isso estas vinte e duas páginas como companhia durante esses dias.

Micro Histórias

 

a ouvir

Virá a morte e terá os teus olhos de Luís Soares