Comet Lovejoy above the Andes from Stéphane Guisard on Vimeo.
http://www.astrosurf.com/sguisard/Pagim/L
Night Time Lapse of Comet Lovejoy (C/2011 W3) rising above the Andes near Santiago de Chile, 23rd December 2011, just before sunrise. Set of 4 sequences taken with different lenses "zooming in" the scene.
Há vários equívocos neste vídeo, o que não o impede de ser muito interessante. Foi o Miguel Gonçalves que o partilhou no Facebook e achei que merecia um comentário.
O primeiro equívoco é ignorar que a exploração do espaço fazia parte da Guerra Fria e perdeu parte importante do seu sentido com a queda do Muro de Berlim. O segundo equívoco é ignorar a guerra que o fundamentalismo cristão faz à ciência nos Estados Unidos, talvez por intuir que por mais potente que seja o telescópio, nunca vai encontrar prova de divindidade entre as estrelas. O terceiro é achar que deixaram de nos vender o futuro.
O futuro continua a ser um dos mais apetecíveis conceitos do marketing, é no futuro que estão os objetos que ainda não possuímos, a tecnologia que ainda não dominamos, aquilo que nos vai tornar únicos mas... ainda não comprámos. O futuro ganhou foi realidade e aí o vídeo acerta. Deixaram de nos vender sonhos e passaram a vender-nos gadgets. É um negócio bem melhor. Até no espaço, que deixou de ser uma zona estritamente militarizada para se liberalizar enquanto destino turístico.
Os sonhos não fazem parte do sistema autofágico tecnologia-mercado-dinheiro, apenas aquilo que possamos comprar e fazer. E aí um telescópio que espreite a milhões de anos-luz de distância não é tão sedutor como um novo tablet ou telemóvel e o crédito bancário para o adquirir.
Claro que dito tudo isto, o espaço continua a exercer um fascínio inegável sobre todos nós. Lembro-me de entrar na adolescência a dizer que queria ser astrofísico nuclear, culpa dos senhores Carl Sagan e Hubert Reeves. Hoje em dia, contudo, aquilo que queremos para o nosso futuro está mais perto da hipótese de refundarmos um humanismo (e não caio na esparrela de achar que a religião é uma forma de humanismo e não um sistema de controlo e poder) do que dos mistérios do espaço.
O que não me impede de partilhar esta imagem da NASA. A nossa jangada de pedra vista de órbita.
Não sei se estou mais preocupado com a opinião de Mu Arae sobre o Bonanza ou a de Sirius sobre o Family Guy. Depois espantam-se que robots gigantes do espaço nos queiram usar só para produzir combustível... Falta-lhes sentido de humor.
(via Gizmodo)