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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

The Beguiled

“The Beguiled” is an atmospheric thriller from acclaimed writer/director Sofia Coppola. The story unfolds during the Civil War, at a Southern girls’ boarding school. Its sheltered young women take in an injured enemy soldier. As they provide refuge and tend to his wounds, the house is taken over with sexual tension and dangerous rivalries, and taboos are broken in an unexpected turn of events.

A Christ-Mess is coming.

This winter, Bill Murray brings an extra-special dose of holiday cheer to Netflix with the premiere of an all-star musically-driven holiday special, A Very Murray Christmas. Set inside New York City’s iconic Carlyle hotel, A Very Murray Christmas opens with Murray preparing to host a live, international holiday broadcast. After a blizzard shuts down the production, he makes the best of the situation by singing and celebrating with friends, hotel employees and anyone else who drops by.

Ponto de situação da alma americana.

Tenho pena que o Starlet do Sean Baker tenha passado quase despercebido, numa sessão pouco frequentada do IndieLisboa. É do trio o único que parece prometer alguma redenção no vazio superficial de luz sedutora que atravessa todos, esperando que a nossa consciência seja capaz de o penetrar.

Seja como for, ver estes três filmes, explorando os recantos surreais do american dream e a sua obsessão pela fama, sexo, poder, armas, dinheiro, faz-me lamentar uma vez mais que tão pouco cinema aconteça em Portugal e que a nossa alma (seja lá o que isso for) acabe documentada sobretudo em má televisão e pouco mais.

 

      

Quero uma mala Chanel.

Quis o destino que, na antestreia de The Bling Ring de Sofia Coppola, ficasse sentado ao lado de duas criaturas que, informam-me, participaram num reality show de nome A Casa dos Segredos. Daquelas coisas em que se entra para ver se se ganha algum dinheiro mas, mais que tudo, fama suficiente que permita construir uma carreira nas revistas chamadas cor-de-rosa. Parece-me a cor certa, fácil de associar a filmes de terror, como a casa da Paris Hilton.

Sofia Coppola sempre me pareceu uma cineasta da contenção, esperando que no espaço da sala de cinema, entre os seus atores, a sua luz, os seus diálogos e os espetadores no escuro se gerasse um conforto ou desconforto capaz de nos mover como o bom cinema é suposto mover. Não resulta sempre, não resulta com todos os espetadores mas neste filme, essa sua tendência para um cinema do esboço parece adaptar-se bem ao material kitsch do excesso, até por adotar um ponto de vista moral que vacila entre o horror e o riso perante um abismo de onde ninguém pode (nem quer) sair vivo.

A realizadora não é obviamente estranha ao mundo das colinas por cima de Los Angeles, Hollywood, Bel Air, Mulholland Drive, Laurel Canyon, nomes que nos assaltam de um século de cinema e dos seus protagonistas, onde a família Coppola construiu parte importante da sua vida. E filma esses lugares com evidente deleite, os horizontes de luzes brilhando na escuridão, aquele lento zoom sobre a casa de alguém que é assaltada, os saltos altos ecoando no alcatrão enquanto se experimenta em que carro será possível uma joyride.

O elenco e a banda sonora, como é habitual também, servem-na na perfeição. Num caso e noutro vacilamos sempre na linha da dúvida. Kanye West, casado com Kim Kardashian, percebe a ironia de licenciar a sua música para este filme? E isso importa-lhe ou é tudo parte do jogo? E aquelas atrizes (e ator), terão de se esforçar muito para parecerem caras larocas e ocas ou é o seu estado normal? E isso interessa? Ou construir um filme como este é só uma espécie de nó no vazio? Como ter uma atriz a fazer de jornalista que entrevista personagens baseadas em pessoas reais e cujo artigo (da jornalista) serve de base ao argumento do filme. A realidade não interessa nada porque não existe.

Mais do que outros de Coppola, para além da segurança óbvia do seu trabalho, o filme é daqueles que nos deixa a pensar. Que vida é esta em que alguém tem como objetivo de futuro uma mala de marca? Que vida é esta em que estar do lado de lá da lei pode ser um bom caminho para aparecer com frequência na web, na televisão, onde calhar? Ainda ontem vi à venda a Rolling Stone que tem na capa o bombista de Boston. A ordem dos fatores é arbitrária, sem particular crueldade, sem aparente consciência, com uma naturalidade vazia de quem nasceu e se move num mundo feito só de superfície.

Estreia amanhã em Portugal. Vão ver. O trailer está aqui abaixo.

 

Air and Sofia Coppola.

“Air?”

“Isn’t that what you were humming?”

“I was?” He might have been, as Peter was reading.

“Playground Love, right?”

“The boy knows his French electronica.”

“And his Sofia Coppola,” he says with a disarming smile, “wasn’t she scheduled to do a movie about you at some time?”

“She might have been.”

“What’s your favorite?”

“Sofia Coppola movie?”

“And Air album.”

“I would go with Premiers Symptômes and… Somewhere?”

“Really?” Peter finds his choices intriguing.

“Which one?” Uly asks.

“Somewhere. I find it boring. It’s Marie Antoinette for me.”

“The boy likes his French baroque.”

“I do. And Kirsten Dunst, I mean… She’s perfect in that Sofia Coppola way, always seeming detached, always making you guess what rivers run deep inside her.”

“In my mind, there is a connection between that album and that film.”

“So many years apart?”

“Time is of no importance. Very different things can connect over time. Take Coppola’s Versailles. And didn’t Air do music to a Meliès film? I can imagine Premiers Symptômes as a soundtrack to Somewhere, a soundtrack even before there is a movie. All that too-bright permanent-summer Los Angeles light drenched in their sound… Le soleil est près de moi.  It could be I’m thinking of a different movie.”

“Don’t you like Phoenix?”

“I do, yet… Air would have made it a smoother film, more… dreamy, I guess. I always liked these unexpected connections. In that same album, there’s a tune called Casanova 70. It’s a Fellini film from thirty years before. I mean, who cares if things are simultaneous in time and space? In our minds time and space are what we make of them.” Peter seems genuinely interested in what he’s saying. “And Elle Fanning is…”

“She’s a young Kirsten! Right?” the boy interrupts excitedly.

“Perhaps. Could be. It’s a contemplative movie, I love that. It gives you time to stare and wonder and wander and... Premiers Symptômes was a Gainsbourg song. Well not a song exactly, a short spoken piece.”

“Do you think there’s a connection?”