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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Beirut - The Rip Tide

 

And this is the house where I
I feel alone
Feel alone now

 

And this is the house where I
Could be unknown
Be alone now

 

Soon the waves and I found the rolling tide
Soon the waves and I found the rip tide

 

This is the house where I
I feel alone
Feel alone now

 

And this is the house where I
Could be unknown
Be alone now

 

Soon the waves and I found the rolling tide
Soon the waves and I found the rip tide

When worlds colide.

Custa 30.000 dólares (pelo menos) em alguns recantos da Web, tal é a raridade. É uma edição especial do Ulysses do James Joyce com desenhos de Henri Matisse. A ideia não foi de nenhum dos dois, claro, foi de um editor. Consigo imaginá-lo, sentado na sua cadeira de executivo ou depois de uma boa dose de copos e charutos. "E se..."

É claro que o bom do Henri não teve paciência para ler o bom do James e fez os bonecos que lhe passaram pela cabeça, inspirado na original Odisseia e não na dublinesca de Joyce. Uma amostra do resultado está aqui em baixo:

Descobri esta colaboração aqui e é claro que descobri logo também que o Salvador Dali tinha feito ilustrações para a Alice do Lewis Carroll. E se pensar dois segundos no assunto, faz obviamente sentido. Tomem lá mais uns exemplos. O resto está aqui.

North Atlantic.

Sou um firme crente no cinema português. Sempre fui e espero continuar a ser. Sim, há filmes que me deram sono, há filmes sem ponta por onde se lhe pegue, há projetos chamados "comerciais" que não deviam vender dez bilhetes, há autores tão pretensiosos que correm o risco do ego lhes explodir pelo peito (sim, é uma referência ao Alien), mas isso acontece em todas as cinematografias.

Marco Martins, Miguel Gonçalves Mendes, João Salaviza, Rodrigo Areias, de entre os mais recentes, nem sequer de entre os "novíssimos", são alguns nomes que me fazem professar esta fé que é, infelizmente, muito do domínio do religioso, neste momento em que a nova Lei do Cinema faz o caminho das pedras.

Isto tudo a propósito de "North Atlantic", curta de 2010 de Bernardo Nascimento, que está agora a concurso no Your Film Festival do YouTube. São apenas quinze minutos sem grandes pretensões, escorreitos, focados numa única ideia e capazes de a realizar sem sentimentalismos excessivos, por muito que o tema se prestasse. Fica aqui desde já o LINK para irem ver e votar no filme. Já é semi-finalista, está entre 50, mas pode estar entre 10 e ir a Veneza. É votar até 13 de Julho. E nestes tempos de orgulho futebolístico, note-se que é o único português a concurso.

Só queria dizer mais uma coisa sobre o assunto. Este filme foi financiado por uma série de organismos públicos ingleses, entre eles o UK Film Council, o North London Film Fund, algumas autarquias e a London Development Agency. Estão a ver a Inglaterra? Aquele país liberal que nem sequer faz parte da Zona Euro? Sim, financia cinema publicamente. Ainda por cima o filme de um português! Que escândalo, que chupismo, que subsidiodependência... Enfim.

Na foto, Francisco Tavares, ator principal do filme.

"O Auden tinha caracolinhos em criança."

E escreveu um magnífico poema em 1939, usando como título a data da invasão da Polónia pela Alemanha. Hoje quando dizemos assim nomes de países, refinámos a guerra para os mercados da finança ou para os campos da bola, mas o poema continua a ser avassalador, como a boa poesia costuma ser, em qualquer momento.

 

september 1, 1939

 

i sit in one of the dives
on fifty-second street
uncertain and afraid
as the clever hopes expire
of a low dishonest decade:
waves of anger and fear
circulate over the bright 
and darkened lands of the earth,
obsessing our private lives;
the unmentionable odour of death
offends the september night.

 

accurate scholarship can 
unearth the whole offence
from luther until now
that has driven a culture mad,
find what occurred at linz,
what huge imago made
a psychopathic god:
i and the public know
what all schoolchildren learn,
those to whom evil is done
do evil in return.

 

exiled thucydides knew
all that a speech can say
about democracy,
and what dictators do,
the elderly rubbish they talk
to an apathetic grave;
analysed all in his book,
the enlightenment driven away,
the habit-forming pain,
mismanagement and grief:
we must suffer them all again.

 

into this neutral air
where blind skyscrapers use
their full height to proclaim
the strength of collective man,
each language pours its vain
competitive excuse:
but who can live for long
in an euphoric dream;
out of the mirror they stare,
imperialism’s face
and the international wrong.

 

faces along the bar
cling to their average day:
the lights must never go out,
the music must always play,
all the conventions conspire 
to make this fort assume
the furniture of home;
lest we should see where we are,
lost in a haunted wood,
children afraid of the night
who have never been happy or good.

 

the windiest militant trash
important persons shout
is not so crude as our wish:
what mad nijinsky wrote
about diaghilev
is true of the normal heart;
for the error bred in the bone
of each woman and each man
craves what it cannot have,
not universal love
but to be loved alone.

 

from the conservative dark
into the ethical life
the dense commuters come,
repeating their morning vow;
“i will be true to the wife,
i’ll concentrate more on my work,”
and helpless governors wake
to resume their compulsory game:
who can release them now,
who can reach the deaf,
who can speak for the dumb?

 

all i have is a voice
to undo the folded lie,
the romantic lie in the brain
of the sensual man-in-the-street
and the lie of authority
whose buildings grope the sky:
there is no such thing as the state
and no one exists alone;
hunger allows no choice
to the citizen or the police;
we must love one another or die.

 

defenceless under the night
our world in stupor lies;
yet, dotted everywhere,
ironic points of light
flash out wherever the just
exchange their messages:
may i, composed like them
of eros and of dust,
beleaguered by the same
negation and despair,
show an affirming flame.

Late Spring Mixtape.

Em tempos tinha o hábito frequente de gravar CDs com compilações musicais escolhidas por mim. Antes disso cheguei a fazer cassetes. Sim, sou desse tempo. Agora fico-me mais pelas playlists no iTunes. Ainda me estou a habituar a que o Musicbox tenha todo o catálogo e funcionalidade que quero. Neste caso tentei, mas quando a contagem de músicas em falta ia em quatro, desisti. Cá vai o alinhamento desta minha "Late Spring Mixtape":

 

1 - The Walkmen - Line By Line

2 - M. Ward - Pure Joy

3 - Beach House - Myth

4 - Mark Lanegan Band - Phantasmagoria Blues

5 - dEUS - Sirens

6 - Rufus Wainwright - Sometimes You Need

7 - Jack White - Love Interruption

8 - Nina Simone - Love Me Or Leave Me

9 - The National - England

10 - Lambchop - Close Up

11 - The Books (feat. Jose Gonzalez) - Cello Song

12 - Patti Smith - This Is The Girl

13 - Eels - Fresh Feeling

14 - R.E.M. - We All Go Back To Where We Belong

15 - Tim Buckley - She Is

16 - Arcade Fire - Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)

17 - Radiohead - How To Disappear Completely

18 - Tiny Vipers - Young God