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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

O futuro da Internet está sempre a acontecer.

Este é um daqueles posts de resumo de coisas que me têm atravessado os olhos nos últimos tempos.

A Alexia Tsotsis manifesta-se preocupada, neste artigo, por estarmos a entrar (ou já termos entrado) numa fase em que a Internet deixou de ser sobre informação, a procura de informação e a ligação entre as pessoas, para ser uma questão de identidade que ela fz derivar diretamente da ética (?) do marketing capitalista.

Só duas notas breves sobre isto.

Sempre achei que o marketing  tinha na sua essência a criação de desequilíbrios identitários no público a que se dirige. Ou seja, sempre achei que o marketing tinha como função fazer-nos crer que não estávamos bem, que não pertencíamos ao grupo certo, que não tinhamos as coisas que devíamos ter, que os nossos pares, de alguma forma, nos estavam sempre a julgar por isso. Isto é, o marketing sempre teve a função de tentar fazer de nós adolescentes inseguros para que pudéssemos de alguma forma 'comprar' a nossa segurança e identidade.

A transição disto para o digital é mais do que natural. Longe vai o modelo do ciberespaço como biblioteca, como repositório, como comunidade. Agora tudo tem a ver com a definição do eu na pertença, com fazer parte, gratificação instantânea: queremos mais 'likes', mais 'amigos', mais 'seguidores', contamos quantas pessoas nos dão os parabéns em que plataforma, seguimos, procuramos, deleitamo-nos em 'quizzes' que nos dão respostas imediatas e ocas sobre o que somos ou poderíamos ser, consumimos listas, 'tops', coleções absurdas de imagens, citações, vídeos que nos ajudariam a definir o que somos.

É um casamento perfeito com o que o marketing sempre procurou. E sempre uma boa desculpa para mostrar um panda a espirrar.

 

 

Outra coisa que me passou pelos olhos, curiosamente a partir do mesmo excelente site do Jason Kottke, foi a apresentação abaixo que nos mostra uma Internet noutra fase, noutros mundos, a Internet em crescimento nas economias emergentes. É uma internet móvel, cheia de atalhos e ideias que nem sempre nos ocorrem no nosso mundo de design arrumadinho e funcionalidades bem definidas. É longa, mas vale a pena ver.

 

The Emerging Global Web from yiibu

 

Enquanto isso, como diria a Marisa Monte e a Laurie Anderson, nas frentes de batalha da tecnologia está em crescimento de 'hype' a atingir a histeria, a chamada Internet das Coisas. Há, felizmente, quem se questione sobre as implicações destas rápidas evoluções. Este artigo da Wired chega a chamar-lhe The Internet of Broken Things e avisa...

For years, the prospect of an online world that extends beyond computers, phones, and tablets and into wearables, thermostats, and other devices has generated plenty of excitement and activity. But now, some of the brightest tech minds are expressing some doubts about the potential impact on everything from security and privacy to human dignity and social inequality.

O relatório completo do Pew Research Center está aqui. É já daqui a bocadinho.