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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Rascunho.

Pediu para ficar antes numa esquina qualquer, com a sua mala, a sua mochila com a máquina fotográfica e uma dúzia de rolos por revelar, outros tantos ainda por fotografar. Ali estacou, lavado pelo vento e pela chuva, olhando com curiosidade a água avermelhada com o pó, escorrendo-lhe da roupa, dos sapatos, da pele, uma pequena poça de lama, um rio vermelho (não muito) que se juntava ao que corria na sarjeta. Foi apenas o medo de que a persistência da chuva penetrasse o tecido da mochila, lhe estragasse a máquina e o filme, mais habituados por esta altura aos rigores do calor e do pó do que ao tempo do hemisfério norte, apenas isso o fez procurar a entrada de um prédio para se abrigar, ficar a olhar a cidade a soçobrar ao anoitecer, os faróis ocasionais dos carros a varrer tudo, sinistros antes dos candeeiros acenderem.

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