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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Sobre Steve Jobs

Uso neste momento, o que é, para mim, o melhor computador que alguma vez tive. É um Apple MacBook Air. É leve, rápido, resistente e fácil de usar. Serve-me para tudo o que me apetece fazer. Como por exemplo escrever estas palavras. Não sou um Apple-fanboy nem nunca fui. A Apple é uma empresa elitista que tem como mercado alvo aproximadamente os 20% mais ricos do mundo. Assenta no princípio do consumismo de ecossistemas tecnológicos fechados com um design e uma funcionalidade mais aperfeiçoados do que qualquer concorrente. Além do computador, só tenho um iPod.

A Apple catalisou revoluções em várias indústrias: em primeiro lugar a das tecnologias da informação de uso doméstico, com o seu hardware elegante e o seu software intuitivo e fácil de usar; a da música, com a invenção do iPod que cristalizou o que era um movimento essencialmente ilegal, servido por má tecnologia e maus modelos de negócio; a dos jogos, transformando o casual playing num negócio mobile que gera biliões. Está agora em cima da mesa o mesmo tipo de revolução, complexo e de futuro incerto, para as indústrias da edição de livros e do audiovisual. A Apple está mais uma vez no olho deste furacão.

É verdade que hoje grande parte dos produtos da Apple se destinam ao consumo de entretenimento, mas continuo a acreditar que em parte do ADN da empresa continua a vontade de dar à criatividade das pessoas, ferramentas que lhes permitam expressar-se. Pelo menos aos tais 20% mais ricos. Acrescente-se que as plataformas de distribuição da Apple estão abertas a todos os que as quiserem usar para mostrar a sua criatividade. Sim, há muito hype, mas o princípio continua o mesmo: o utilizador é o conteúdo.

A Apple é o filho de Steve Jobs, é o resultado da sua curiosidade e imaginação sem limites, ele próprio o símbolo máximo de uma geração de inovadores nascidos na riqueza americana dos anos 50 e que lançaram e inspiraram a revolução digital em curso, a própria globalização que, por estes dias, revela o seu lado mais negro e terrível nos mercados financeiros completamente desmaterializados.

Quando não estava na Apple, Steve Jobs criou a Pixar, que até hoje não fez filmes maus, mesmo tendo feito uns melhores, outros menos bons. Mais uma vez, o crescimento e sucesso da Pixar provocou, entre outras coisas, um renascer global do mercado da animação. E se parte significativa da animação 3D que se faz hoje é aborrecida, disneyficada e visualmente uniforme, não acredito que formas de animação mais tradicional como a de Sylvain Chomet ou Nick Park tivessem tido a projecção que têm se a Pixar não tivesse aberto este mercado de maneira tão espectacular.

Sim, a morte de Steve Jobs perturba uma parte ínfima do mundo que temos, mas como com todos os ícones, tem um valor simbólico inegável. A influência das suas ideias, das suas invenções e criações está em todos os concorrentes da Apple. Acho sinceramente que a Microsoft, a Samsung, a HTC, a Sony e tantos outros lhe deviam prestar a homenagem que lhe devem.

Por mim agradeço-lhe este computador em que estou a fazer este post. Stay hungry, stay foolish.

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