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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Literatura, música e um fado.

No documentário que a RTP 2 acaba de exibir sobre Alain Oulman, a certa altura, Amos Oz, de quem Oulman era editor em França, diz que a literatura é, para ele, um ramo da música. Fiquei a pensar. A frase é dita num contexto específico: Oulman e Oz tinham de discutir em inglês a tradução francesa do texto original, escrito em hebraico. Oz não sabia francês e Oulman não sabia hebraico, mas muitas vezes achavam acertar na tradução melhor pelo som, o original e o traduzido.

Oulman era músico, claro, compositor de fados inesquecíveis, colaborador de Amália. Amália que aparece amiúde no documentário, com a sua simplicidade direta e arrasadora. Oulman, um "compositor estrangeiro"? Que eu saiba não, nasceu no Dafundo. É outra coisa que me tocou neste documentário, a ligação da Mouraria ao mundo por via da música. Ah, a literatura e a música.

Por fim, já quase no fim, aparece Camané, cantando um dos últimos fados que Oulman compôs para Amália e que ela, que eu saiba, nunca gravou, "Sei de um rio".