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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

SkyNet will become self-aware with a slight delay.

Thank you for waiting.

O título deste post é obviamente uma referência aos filmes da série Terminator, em particular os dois primeiros, inovadores de muitas maneiras. É claro que computadores capazes de pensar e tomar decisões não eram coisa nova na ficção científica. Talvez o mais famoso seja o infame Hal 9000. E uns anos depois houve também a Matrix.

Há uns dias, li um artigo de Jaron Lanier sobre como a tecnologia estava a destruir o tecido social do pós-guerra (como se isso fosse uma novidade). O senhor Lanier foi um dos pioneiros do conceito de Realidade Virtual. Sobre essa expressão, hoje caída em desuso, dizia a Laurie Anderson que lhe parecia demasiado limpa, havia pouco pó, pouco lixo. Nos óculos do Google, o conceito operacional é o de Realidade Aumentada, que resolve esse problema com lixo real, mas este post não é sobre isso.

O discurso de Lanier sobre como a Internet (tomada como símbolo da inovação digital) está a destruir a classe média e com isso a destruir a democracia é particularmente interessante se pensarmos que a tecnologia e a globalização desregulada desempenharam e desempenham papel importante na atual crise financeira global. Sem sistemas de trading automatizados, a especulação não seria a mesma coisa. Mais uma vez, este post não é sobre isto, mas estas questões são como as cerejas.

Tudo isto vem desta notícia sobre a aliança entre a NASA e o Google no domínio da computação quântica. E esta citação devolve-me ao título do post.

In many ways, the Google-NASA partnership represents a new Manhattan Project, but instead of the aim being a nuclear explosion, the goal is to simulate the human brain, a feat that Google's Director of Engineering, Ray Kurzweil, believes will be completed before the end of the next decade.

Following Kurzweil's line of reasoning, the vast increase of computing power enabled by quantum computers will result in a technological singularity by the mid 2030's, where machines will self-replicate, power similar trends of accelerating returns in fields such as nanotechnology, genomics and energy and, eventually, merge with humans.

O William Gibson é que dizia, a propósito da maneira como tinha imaginado e escrito o ciberespaço, que a ideia dele era avisar as pessoas, desenhar um futuro distópico que nos servisse de alerta. Assustava-se ao ver o entusiasmo com que os seus contemporâneos abraçavam o conceito. A ficção científica tem estas coisas de nos avisar sobre os perigos de um futuro que nos apressamos a construir.

Escrevi, há muitos anos (em 1997 - o ano em que, no filme, a SkyNet é suposto tornar-se consciente) para aí, que estávamos num momento de revolução [digital] e que o mundo estava a mudar. Com a distância que o tempo me dá, cada vez acredito mais nisso. Nessa altura também, um professor meu dizia que estava a desenhar-se um muro e que ia ser cada vez mais complicado ficarmos sentados nele sem optarmos por cair para um lado, como fazia o Humpty Dumpty da Alice.

Cada vez sinto mais a incerteza do futuro, o desaparecimento do middle ground, o extremar das hipóteses entre liberdade e necessidade, a utopia e a distopia, entre o tudo e o nada. Venham as próximas décadas.