Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A Poesia de "Em Silêncio, Amor"

Vozes variadas atormentam Tom ao longo de "Em Silêncio, Amor" e se bem que em português, no livro, são no original em inglês e vale a pena creditá-las.

Comecemos pela música. A primeira voz, na Livraria Branquinho, é a de Tom Waits, que canta "Alice", do seu álbum do mesmo nome.

…I'll disappear in your name, but you must wait for me
somewhere across the sea, there’s the wreck of a ship… (pág. 42)

… And so a secret kiss brings madness with the bliss
and I will think of this when I’m dead in my grave… (pág. 44)

… And I must be insane, to go skating on your name
and by tracing it twice, I fell through the ice… (pág. 45)

"Hallelujah", de Leonard Cohen, dá nome a todo um capítulo. Poema extenso de que o autor e outros cantam apenas alguns versos seleccionados, é citado directamente.

I've seen this room and I’ve walked this floor,
you know, I used to live alone before I knew you (pág. 88)

O resto são "apenas" poemas e que eu saiba nunca serviram de letra a nenhuma canção, mas tal como na voz de Elisa e outras, envolvem Tom na dança do seu som.
A sua leitura acompanhou-me durante a escrita do livro e, de uma maneira ou de outra, as suas palavras acabaram por surgir no texto.
Uma breve nota para assumir a sua "tradução", capaz de ressoar entre Tom e Elisa e mais preocupada com isso do que com qualquer ideia de fidelidade.

So sad, so strange, the days that are no more. (pág. 60) do poema Tears, Idle Tears, de Alfred, Lord Tennyson

Do poema somewhere I have never travelled, gladly beyond de E. E. Cummings (o poema que Elisa queria ouvir no seu funeral), aparecem vários versos:

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence: (pág. 64)

rendering death and forever with each breathing (pág. 65)

the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands (pág. 66)

your slightest look will easily unclose me (pág. 68)

De Out of the Craddle Endlessly Rocking de Walt Whitman, surge na página 69 o verso From under that yellow half moon, late risen, and swollen as if with tears

Do belíssimo poema de Dylan Thomas Do Not Go Gentle Into That Good Night ouvimos na página 176 o princípio, na voz gravada de Tom e na página 73, o verso Rage, rage against the dying of the light.

O poema mais famoso da poetisa Elizabeth Bishop, One Art aparece na página 89

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.

Na mesma página, And that has made all the difference, do poema The Road Not Taken, o clássico de Robert Frost que sempre me lembra o "sei que não vou por aí" de José Régio.

Dylan Thomas volta à página 120 com This Side of Truth

This side of the truth,
You may not see, my son,
King of your blue eyes
In the blinding country of youth,

Do mesmo poema, na página 123:

And all your deeds and words,
Each truth, each lie,
Die in unjudging love.

O poema 22 de Emily Dickinson aparece na página 144:

I gave myself to him,
And took himself for pay.
The solemn contract of a life
Was ratified this way

So let us melt, and make no noise, é do mais antigo dos poetas representados, John Donne, no poema A Valediction: Forbidding Mourning, na página 156. E na página seguinte, a variação de Adrienne Rich:

I could say: those mountains have a meaning
but further than that I could not say

E pronto. Não mais sobre estes poemas, que são assunto para se ler e não de que falar.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.