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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

La Piel Que Habito

Um Almodovar negro e claustrofóbico mas belíssimo. Imagens dentro de imagens, caras dentro de caras, peles dentro de peles, os quadros no corredor, os ecrãs de vigilância, tudo aquilo. Os temas de sempre, a identidade de género, a família, a mãe. Um Banderas, uma Paredes e uma Anaya no seu melhor. Além de todas as referências visuais, culturais, Louise Bourgeois, Alice Munro, Goya, Frankenstein, Metropolis, tudo isso e o mais que não descobri. E um bosque de delícias e horrores. E um tigre meio brasileiro. E a voz de Buika. No fim apetecia mais, apetecia perceber o que acontece naquela nova família de regresso e reconhecimento. Ah, os homens e as mulheres e o que Almodovar lhes faz...

 

Los Abrazos Rotos.

É provavelmente o filme de Almodovar mais auto-referencial, com os 'cameos' de actrizes favoritas, com o cinema e a escrita dentro do cinema e da escrita, com as mulheres que vão estando à beira de um ataque de nervos. É toda uma paixão, em formato melodrama, pela belíssima Penélope Cruz a encher o ecrã. Tão bela, que depois dela... só a cegueira. Pelo meio há uma magnífica ideia para um filme de vampiros, piscar de olho à moda corrente. Pelo meio há Madrid e Lanzarote. Pelo meio há um sentido plástico da imagem e da imagem dentro da imagem, da história dentro da história.

Ah e aquele cego descobrindo uma mulher e aquele sexo escondido entre os lençóis e a praia vulcânica ao vento e o amor secreto que dura anos e aquela mansão sinistra que só me lembrava o Douglas Sirk, vá-se lá saber porquê.

Vão mas é ver.