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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Sempre as cidades.

Desde a primeira vez que fui a Londres, talvez com uns doze anos, não me lembro bem, até à mais recente, há menos de um mês, sempre senti a tensão naturalmente resultante de tanta gente concentrada no espaço e no tempo. Dessa primeira vez, lembro-me de sair de um autocarro entre Regent St e Piccadilly Circus e achar que tinha aterrado da aldeia que era (e ainda é?) Lisboa no meio de um planeta estranho sempre no limite de um qualquer apocalipse humano. Claro que na altura era só uma impressão, não tinha estas palavras todas para o dizer.

Não sei se alguma vez conseguiria viver numa metrópole assim e não sei se piorou com o passar do tempo. Às vezes acho que sim, outras parece-me que não. A fotografia ao lado é da Quinta Avenida em Nova Iorque. A data é 1950 e o autor Andreas Feininger. Talvez uma das marcas do século XX seja a explosão de cidades assim. E outras que estas, no começo desse terrível século, já iam bem encaminhadas. Gente mais douta sobre tal assunto poderá responder. 

Nas listas das melhores cidades para viver, Londres ou Nova Iorque nunca aparecem. Não têm 'qualidade de vida', diz-se. Preferem-se cidades nórdicas ou suíças, coisas menos caóticas e mais civilizadas. Eu acho que têm, mas é outra vida, é outra qualidade. E talvez conduza os seus habitantes a males precoces mas a vibração desses centros do mundo é, na minha imaginação e experiência, imbatível.

E para acabar, um belo vídeo das luzes de Los Angeles, a cidade de Blade Runner. Só faltam cinco anos e qualquer coisa.

 

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Desire Paths.

desire path (also known as a desire linesocial trailgoat track or bootleg trail) can be a path created as a consequence of foot or bicycle traffic. The path usually represents the shortest or most easily navigated route between an origin and destination. The width of the path and its erosion are indicators of the amount of use the path receives. Desire paths emerge as shortcuts where constructed ways take a circuitous route, or have gaps, or are lacking entirely.

 

Imagens no flickr.

Hong Kong.

Nunca tive dúvidas de que Lisboa era uma espécie de aldeia ou de coleção de aldeias, mesmo com a pressão dos subúrbios. Por comparação, dois olhares fotográficos sobre a densidade urbanística de Hong Kong. O primeiro é de Michael Wolf (as três primeiras fotografias) e encara o problema de frente; o segundo é de Romain Jacquet-Lagrèze (as três fotografias seguintes) e assume o picado/contra-picado dos arranha-céus.

Street.

Se estivesse em Nova Iorque, que não estou, ou se lá fosse até dia 27 de março, que não vou, ia visitar o Metropolitan Museum of Art. Entre muitos outros motivos para o fazer, gostava de ver a instalação "Street" de James Nares com música de Thurston Moore. São 61 minutos em câmara ultra-lenta de pessoas na cidade. Não podia querer melhor. Diz o autor:

My intention was to give the dreamlike impression of floating through a city full of people frozen in time, caught Pompeii-like, at a particular moment of thought, expression, or activity...a film to be viewed 100 years from now.

Um clip aqui.

Suburbia.

"Estacionou numa ainda madrugada de nevoeiro, num canto suburbano e desconhecido da cidade, um canto dobrado, invisível quase, desse mapa que julgava conhecer tão bem, tão longamente. Estava atrasado mas não mais que dois minutos. Tantos anos depois continuava obediente ao credo de pontualidade do pai. Saíra com tempo de sobra para descobrir o caminho, perder-se na penumbra lúgubre, reencontrar-se, chegar por fim ali, aquele lugar estranho a dissolver-se na primeira luz esbranquiçada.

Olhou em volta e enumerou o espaço, os seus elementos, prédios altos indistintos, carros, nesgas de relva orvalhada e árvores, uma linha de comboio dupla e silenciosa, mais acima um barranco de casas envelhecidas e remendadas, barracas quase, roupa estendida a secar, janelas que pareciam fechar mal, em tudo um silêncio da hora. Pelos cantos no asfalto, nos passeios, já folhas secas de árvores muito amarelas, começando a acumular-se com o lixo, uma papa na humidade da madrugada.

Um pequeno sobressalto, estacionou e o rapaz não estava na esquina dos contentores do lixo como combinado, anguloso, alto, esperando-o com não mais do que uma mochila de roupa e um sorriso de dentes e sono e orelhas, assim o imaginara. Seria o lugar certo? Esperou. Viu-se no retrovisor, viu as olheiras e o cabelo cansado, uma mancha na pele, outra. Passou um comboio de gente entorpecida. Quinze minutos de atraso e decidiu-se a ligar-lhe de uma cabine telefónica do outro lado da rua, todo o espaço do vidro grafitado com uma caligrafia incompreensível a marcador e lata de tinta.

Tinha adormecido, explicou estremunhado. Demorava uns vinte minutos. Sobe, disse, voz mais certa já. Sobe, estou sozinho. Esperas aqui, não fiques aí em baixo. Número doze, quinto andar, sobe. A insistência não lhe deu oportunidade de recusar. O rapaz desligou. E estava estacionado. E no jipe nada havia para fazer, nem sequer música lhe apetecia, conduzira no silêncio da expectativa. Meteu a máquina digital ao bolso e caminhou nesse fresco que não era já Verão, mas ainda não Outono, uma temperatura de fronteira que lhe arrepiava os braços nus.

Atravessou, passos nítidos no passeio, ressoando nas fachadas arremessadas para ali e para aqui na desorganização da rua, na curva, os caixotes do lixo, os carros estacionados, também eles dormindo na luz azulada das sete. Tudo diferente da sua casa, do seu prédio na densidade do centro. Podia só esperar junto daquela árvore solitária, fumar um cigarro. Podia fotografar a desordem do subúrbio, casas e carros largados na superfície da terra à pressa, sem uma pausa. Não havia tempo para planear, pensar o lugar, pensar a vida, outras prioridades se impunham. Ir trabalhar, ganhar dinheiro, ter filhos, educar filhos, gastar dinheiro, perder de vista os filhos e os seus destinos. Josef sabia como era."


Virá a morte e terá os teus olhos de Luís Soares está apenas disponível em formato de livro eletrónico:

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Em qualquer dos casos, poderá fazer download dos primeiros capítulos sem pagar, para ajudar na decisão da compra.

Tomasz Kulbowski - Shooting Tourists

O turismo, a fotografia, as cidades, a relação entre os três são temas recorrentes neste blogue, no cruzamento entre lugar, imagem, massificação, representação. É por isso natural que por aqui passem agora também três exemplos da série Shooting Tourists do fotógrafo polaco Tomasz Kulbowski. Diz ele:

This ongoing project started in London in 2009 is a result of my fascination by tourists. I love to observe their rituals, behavioural patterns, dress code, attempt to photograph everything, being lost all those new-yet-familiar places. I'm also interested in an institution and idea of tourism, where all participants (tourists) become a part of a bigger community that follows certain unwritten rules and plays it's part in a worldwide show.

We're just energy trapped inside this body.

Burn Ignite :: Ride :: feat Steve Berra (OFFICIAL HD) from Burn Ignite on Vimeo.

Steve Berra (The Berrics) joins Mexican skaters Jesus Gonzalez, Eder Martinez, Mario Saenz, Angel Santiago and American Luis Tolentino for this Burn Ignite film, shot on location in Mexico City.

This film was created alongside two short-form documentaries, one featuring Jess Kimura and the all girl hardcore snowboarding film collective Peep Show, the other is a portrait that celebrates the electric lyrics and gritty beat artistry of rapper/poet Julius Wright, aka Lyrical God.

http://www.burn.com
http://www.twitter.com/@burn
http://twitter.com/@burnstudios
http://facebook.com/burnenergy

Burn skate on Flickr: http://flickr.com/burnenergydrink
Burn skate on Youtube: https://www.youtube.com/burn

Directed by Garth Davis
DOP: Greig Fraser
Camera: Canon 5D(!)
Music written produced & performed by Django Django