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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Liedson "resolve".

Eu não percebo os adeptos do Sporting que rejubilam por Liedson "resolver", isto é, marcar frequentemente o golo que tira de sarilhos o resto da equipa, pródiga, pela sua incompetência, em se encontrar nos ditos. É um atestado de menoridade a uma equipa de futebol, precisar de um abono de família assim. Até porque Liedson não é um avançado brilhante. É um "gajo esperto" que com a sua persistência e manha aproveita a preguiça, falta de concentração, falta de rins e outras faltas que vão abundando nas defesas no campeonato português. Além de saber cair ao mínimo toque. É "levezinho", dizem.

Este post nem sequer é sobre o jogo contra a Académica. É sobre a convocatória de Liedson para a selecção nacional, que continua a dar abrigo a jogadores brasileiros de segunda e que não têm lugar na selecção canarinha. Sim, o Deco e o Pepe são bons jogadores e abandonaram, por isso, o campeonato português, menor, a troco de boas quantidades de dinheiro. Ocupam por isso no nosso imaginário, um lugar semelhante ao dos restantes estrangeirados que constituem a maior parte da selecção. Não são da guerra de cá. São tipos que jogaram cá e foram para vidas melhores.

Liedson nem isso. Reformou-se como abono de família do Sporting. E vive, confortável, nesse lugar, mesmo quando está mais fora de forma, corre menos, lhe saiem pior os toques, fica meia dúzia de jogos sem marcar. Sim, esforça-se sempre, faz sempre o que lhe pedem, corre mais que o resto do pessoal, chateia mais que o resto do pessoal e tem pontaria. É uma "esperteza" nacionalizá-lo e convocá-lo para uma selecção em que já ninguém parece empenhado em superar-se.

Vê-lo vestido de vermelho e verde vai fazer-me muita confusão. Não me peçam para torcer por essa selecção.

Marketing.

Andam quase tão entusiasmados com o Cristiano Ronaldo os especialistas de Marketing como os os adeptos do Real Madrid. Começando por estes últimos, o ano passado foi de humilhações, incluindo um 2-6 em casa com o arqui-rival Barcelona e a vontade de esquecer desgraças vale muitos milhões. Curiosamente do treinador nem se ouve falar. Com um bocado de sorte, aquele pessoal caro de branco dentro do relvado entende-se sozinho. É lá que o futebol se joga.

Quanto ao marketing, há uma espécie de novo iberismo, com Xutos e Pontapés em altos berros no Bernabéu e em tudo o que é televisão, anúncios ao BES na Marca, CR9 como a "grande marca portuguesa", uma festa para quem está em crise.

Ainda a propósito de marketing, diverte-me o cartaz do Sócrates beatífico rodeado de mulheres nos tons da bandeira portuguesa. Diverte-me sobretudo o slogan "Avançar Portugal". Não percebo se é uma ordem, ao jeito do "P'ra Frente Portugal" do Freitas de 1986. Hoje em dia, são todos amigos, faz sentido. Se calhar é um pedido para seguirmos o Ronaldo, avançarmos até ao Bernabéu e deixarmos o país em paz...

Escrever porquê?

Respostas para ler aqui num artigo do Guardian. Gosto de como o Colm Toibin (o mal encarado da foto aqui ao lado), que admiro bastante, declara que escrever lhe dá muito trabalho, pouco prazer e compensa-o "thank god" pelo dinheiro.

Eu costumo queixar-me de que gostava de apenas escrever na minha vida, mas o meu percurso profissional não me levou por aí e acho divertidas estas opiniões.

Depois lembrei-me de uma conversa sobre futebol noutro dia e de como em Portugal, a maior parte dos jogadores é pouco profissional, no sentido em que encara este desporto não como um trabalho que deve fazer com o maior brio e por tal é principescamente remunerado, mas como uma espécie de passatempo de criança que se estendeu à idade adulta. Uns dias apetece fazer melhor, outros nem por isso.

Fiquei mais tarde a pensar se esta questão do brio, do prazer e do dever não se estenderia de um modo geral ao ser português e se este post não podia ser sobre quase todas as profissões, mas o sol começou a abrir lá fora e apeteceu-me ir até uma esplanada...

Das claques.

Sexta-feira vi a primeira parte do Belenenses-Benfica na última fila dos No Name Boys.

O lado irracional do futebol nunca me interessou particularmente, prefiro o jogo mesmo, quando bem jogado. É um dos motivos pelos quais acho deprimente ser adepto desse desporto em Portugal.

Foi, contudo, uma experiência interessante, ao dar-me visibilidade "próxima" sobre o fenómeno. Confirma-se, há maestros a orquestrar a coisas, um certo desligamento do jogo, a não ser nos momentos mais emocionantes, um predomínio quase a cem por cento de população masculina e uma tendência para usar palavras que me arrepiam nos cânticos. Raça? Orgulho? O amor da minha vida? A destruição da Canção de Embalar do Zeca Afonso foi o que mais me custou.

O Futuro do Desporto na Televisão

Nos Estados Unidos, pelo menos três grandes desportos partilham a atenção do público: em primeiro lugar o Futebol Americano claro, o Basebol e o Basquetebol. Mesmo os desportos que geram menos audiências televisivas como o Ténis, o Hóquei em Gelo ou os desportos motorizados são super-produções para alguma das "major networks" ou para um dos múltiplos canais de cabo temáticos, onde lidera claramente o ESPN da Disney.

Em Portugal, há Futebol e o resto é, na maior parte dos casos, paisagem. Os Morangos Com Açúcar tentaram promover o Andebol, ciclicamente alguém tenta elevar o nível de espectáculo no Basquetebol, e no Atletismo, com altos e baixos e muita demagogia, vai havendo medalhas. Em termos de televisão, sejamos honestos, é o futebol que interessa. E isso, em Portugal, quer dizer que, na sua maior parte, é a Sport TV que interessa e é o Benfica que interessa.

O Benfica pode não ter ganho nada recentemente, mas vai enchendo os cofres à custa dos duelos no panorama do audiovisual: Benfica TV no MEO, a transmitir jogos em exclusivo mesmo antes de ter uma emissão completa; jogos comprados à peça pela Zon para não ficar atrás na discussão.

A Sport TV foi o primeiro canal português a emitir em HD, não só por justificar o investimento nos jogos dos três grandes, mas também por já ter conteúdo internacional nesse formato, nomeadamente da Premier League inglesa.

A Sportinvest Multimédia é quem, dentro do grupo que detém os direitos do futebol da Liga Portuguesa, os explora na Internet e em conjunto com o SAPO tem feito algum trabalho para criar uma alternativa válida à pirataria, combatendo-a simultaneamente no You Tube, por exemplo. Hoje é possível encontrar vídeos oficiais de golos no SAPO Vídeos, na Infordesporto, no site de O Jogo, da Sport TV e nos sites dos três grandes, que me lembre.

O futuro, contudo, não pára de chegar, como é próprio dele e a Slate dá alguns exemplos neste excelente artigo. Lembro-me que era um mercado em que a YDreams por exemplo andava a investir e, haja plataformas, largura de banda e audiência, poderá ser um sucesso garantido em Portugal.

O futebol é transversal como fenómeno e se as recentes transmissões online de jogos do Benfica no SAPO provaram alguma coisa é que a audiência é maior do que a capacidade da rede para a servir. Venham os próximos passos.