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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Michel Gondry e as viagens no tempo.

A propósito do seu novo filme The We and The I (uma viagem de autocarro no Bronx no último dia de aulas - trailer no fim do post), o realizador Michel Gondry deu uma entrevista à Esquire em que o entrevistador, Eric Spitznagel, a certa altura lhe pergunta o que faria se tivesse uma máquina do tempo. Foi assim:

ES: What if you had access to a time machine? Where would you go?
MG: You mean as part of a movie plot or — ?
ES: In your real life. If you, Michel Gondry, found a time machine and could go anywhere, to any period in history, where would you take it?
MG: I would travel back a few years ago and fix some screw-up I did.
ES: A personal or professional screw-up?
MG: In my personal life.
ES: Can you be more specific?
MG: I would come back and say yes to a girl. That's all. Actually, I find the whole idea of traveling back in time to be profoundly depressing.
ES: Really? Why so?
MG: Because I know the future. Living in the past, it would feel weird to know what's going to happen next. You couldn't escape it. That future's already in your head. You know it doesn't get better.
ES: You'd rather not know about the future?
MG: The future is about hope. If you travel from the present to the past, you don't have that hope anymore. You know how everything turns out.
ES: There are no surprises.
MG: No surprises, exactly! To me, that just sounds so... depressing.

The We and the I (Trailer) from Quinzaine des Réalisateurs on Vimeo.

A biblioteca do futuro... em 1996.

Em 1996 a Biblioteca Nacional comemorou os seus duzentos anos de existência com uma exposição que incluía uma peça multimédia, coisa ainda rara nesses tempos. Na verdade, mais não era do que um segmento de vídeo de quinze minutos que passava em loop. O seu título era "A Biblioteca do Futuro" e foi escrito e realizado por mim, sem qualquer experiência ou história, saído da faculdade há dois anos apenas.

Nessa altura, a Internet dava os primeiros passos em Portugal fora do contexto dos cursos de informática e afins. Surgiam as primeiras ofertas comerciais e a ligação à rede global chegava também a sítios relativamente obscuros, como o Centro de Investigação para as Tecnologias Interactivas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o sítio onde eu trabalhava.

A ligação à rede fazia-se com algum optimismo a 14.400 bits por segundo - mesmo assim, nem kilo nem mega nem giga e os browsers estavam na sua infância. A pesquisa do que era um conjunto ainda relativamente limitado de conteúdos funcionava benzinho, e nem Google, nem Youtube, nem Facebook faziam parte dos nossos dias.

Perante este contexto, ofereço-vos esse vídeo, "A Biblioteca do Futuro" em 1996, com produção da Latina Europa, câmara de Gonçalo Penalva, mistura e edição áudio de Paulo Castro e edição vídeo de António Forte.


Tecnologias...

Aconteceu a semana passada mais uma edição do SAPO Codebits, um evento daqueles à maneira do SAPO, isto é, único em Portugal e capaz de contagiar toda uma empresa da dimensão da PT. Quem não conhece e se interessa por tecnologia, devia conhecer. É uma espécie de LAN Party mas... produtiva.

A propósito de tecnologia, o EE Times aponta dez tecnologias emergentes para 2010. Será que é desta que eu escrevo a tal história de ficção científica usando pelo menos algumas delas? Espreitem o "Bare", uma tinta electrónica - sim, tinta electrónica - que cabe pelo menos em uma ou duas das tecnologias da lista do EE Times.

Já estes robots aqui em vídeo abaixo são só realmente creepy.

Notícias da interacção.

Desde a invenção do rato de computador e suas variantes, os modos de interacção com os computadores tem evoluído devagar. Recentemente, o iPod Touch e o iPhone lançaram os chamados "gestos naturais" e o multitouch como novidade que rapidamente alastrou aos dispositivos móveis. As interfaces para o utilizador do lado de lá dos ecrãs têm evoluído devagar e embora eu tenha a certeza que nos laboratórios da Apple e da Microsoft haja gente freneticamente a pensar no assunto, as propostas mais exequíveis, como a 10/GUI não me têm atravessado o olhar com frequência. Há um vídeo também:


10/GUI from C. Miller on Vimeo.

 

É claro que há visões mais radicais sobre o assunto, num mundo em que as previsões futuras variam loucamente entre os 50 biliões e o trilião de dispositivos ligados em rede. Gosto particularmente deste vídeo da Patti Maes na TED de um projecto em desenvolvimento.


Diversidade, ficção, televisão, inovação.

Noutro dia tive uma conversa a seguir ao jantar a propósito destas e outras coisas. E fui encontrar aqui e aqui, algumas questões que o Jorge Mourinha coloca e emparelham bem com as minhas.

Tudo isto começou porque o Telejornal fazia 50 anos e o sinal de inovação que deu em directo e no ar, foi ter o Vasco Trigo a gravar num telemóvel e a mandar a emissão em directo para um site internacional onde o resto do pessoal o podia ver. Grau de inovação nacional? Nada. Novo-riquismo tecnológico inconsequente? Tudo.

Mas as minhas questões com o serviço público e a inovação vão bem mais longe e mais fundo. É verdade que a RTP é a única entre os generalistas que investe um pouco mais em ficção, fora do monolito telenovelesco da TVI e das tentativas de seguidismo da SIC, mas fá-lo de uma forma dispersa, incoerente, não programática, com zero de inovação. Se algum canal investiu alguns poucos tostões a descobrir gente nova criativa e a fazê-los ir mais longe nos últimos anos, foi a SIC Radical (Gato Fedorento e Bruno Aleixo, para citar dois exemplos).

A RTP transmite touradas e futebol em directo, preenche os dias com o mesmo formato de "talk show" entre a caserna e a porteira (com todo o respeito para as ditas) dos seus concorrentes, entala o Telejornal entre concursos, tem um site desorganizado e mal gerido, cuja noção de inovação é estar no Twitter, no Youtube e no Qik e pouco mais.

Sim, há séries na RTP. Mas não há um investimento sério na escrita de ficção, concursos de ideias com pés e cabeça em que se deitem fora dezenas de projectos para ficar com uma mão cheia deles realmente bons. Não há investimento nas escolas, nas universidades, nas escolas técnico-profissionais onde jovens criativos devoram televisão internacional "downloadada" e acabam a fazer câmara para concursos sem interesse. Não há investimento em projectos criativos multi-plataforma que usem a Internet, as plataformas sociais e de telecomunicações, a interactividade, a escrita realmente criativa, a flexibilidade do digital. O pouco que houve, se o houve a sério, foram compras dispersas quase a contra-gosto, sem acompanhamento e investimento, sem exigência de qualidade.

Peço desculpa, mas eu gostava que o Serviço Público fosse outra coisa.

Back to the future.

Gosto muito desta notícia sobre como o Large Hadron Collider do CERN pode estar a ter tanto "azar" para começar a sua missão de descobrir o Bosão de Higgs devido a uma qualquer influência do futuro, tentando impedir-nos de seguir por esse caminho. Há mesmo dois físicos, um dinamarquês e um japonês, a publicar "papers" sobre o assunto.

Parece coisa de doidos, mas como se diz no texto a certa altura "craziness has a fine history in a physics that talks routinely about cats being dead and alive at the same time and about anti-gravity puffing out the universe."

A HBO anda a experimentar...

A HBO é o canal que tenho mais pena de não ter em Portugal, via serviços de televisão por cabo ou IPTV, mas o negócio não deve ser fácil de fazer, até porque a maior parte das séries acabam por passar noutros canais internacionais que cá chegam, além dos nossos generalistas. Estamos a falar de séries como The Sopranos, Six Feet Under, True Blood, The Wire, Curb Your Enthusiasm, In Treatment... e além disso há os filmes. Bom, vocês percebem.

Ainda mais interessante é o facto da HBO insistir em ir experimentando com novos formatos online  de exploração narrativa multilinear. São só experiências e nada mais do que isso, mas vale a pena ir espreitando, passa por aqui muita criatividade. Depois do premiado "Voyeur", chega agora "Imagine", uma história que começa com um assalto e sabe-se lá onde irá dar.

O resultado é desigual e difícil e exige alguma paciência, mas pronto, ide espreitar.

Ray Bradbury

The Internet? Don’t get him started. “The Internet is a big distraction,” Mr. Bradbury barked from his perch in his house in Los Angeles, which is jammed with enormous stuffed animals, videos, DVDs, wooden toys, photographs and books, with things like the National Medal of Arts sort of tossed on a table.

“Yahoo called me eight weeks ago,” he said, voice rising. “They wanted to put a book of mine on Yahoo! You know what I told them? ‘To hell with you. To hell with you and to hell with the Internet.’

“It’s distracting,” he continued. “It’s meaningless; it’s not real. It’s in the air somewhere.”

 

in The New York Times