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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Les beaux esprits se rencontrent.

Karen O fez uma banda sonora deliciosa para "Where The Wild Things Are" de Spike Jonze. Trent Reznor e Atticus Ross fizeram o mesmo para o "The Social Network" de David Fincher.

Um dos prazeres dos Óscares o ano passado foi, aliás, ver Trent Reznor subir ao palco para receber uma estatueta. Tal como foi um prazer o concerto de Nine Inch Nails em Paredes de Coura há dois anos. Foi já há dois anos? Bom, adiante.

É um prazer encontrá-los todos nesta cover da "Immigrant Song" dos Led Zeppelin, para a banda sonora de "The Girl With the Dragon Tattoo" do mesmo Fincher, a sua adaptação do romance de Stieg Larson, primeiro volume da trilogia "Millennium". Em Portugal, o filme vai manter o título do livro, "Os Homens que Odeiam As Mulheres" e o apetite está mais do que aberto.

 

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A infância é um lugar estranho.

"O Sítio das Coisas Selvagens" pode, como muitos filmes, ser discutido de muitas maneiras. Sendo um filme que tem como personagem principal uma criança, pode adicionalmente ser discutido no contexto das histórias para crianças, dos filmes para crianças, do papel educativo e/ou moral que essa ficção pode ter. É uma discussão antiga que, sinceramente, não me interessa particularmente. Nunca achei que as crianças devessem ser tratadas como atrasados mentais e desde sempre os lobos (e não os comunistas) procuraram comer netinhas ao pequeno-almoço, juntamente com as respectivas avozinhas.

O filme de Spike Jonze é uma delícia. É percorrido por uma honestidade emocional sem grande compromisso, no confronto das emoções cruas da infância com a adolescência, com a idade adulta, com a imaginação e a vontade de crescer mas nunca deixar o conforto de uma mãe que nos alimenta ao chegarmos a casa.

Ser criança não é simples, sobretudo quando, como Max, o que nos entretém é sobretudo a imaginação solitária e alguma necessidade de atenção. Tudo isto, incrivelmente, estava já presente nas poucas páginas de Maurice Sendak em que o o filme é baseado, mas o verdadeiro triunfo é conseguir transformá-las num mundo encantado que nunca parece falso, dando mais densidade psicológica a meia dúzia de coisas selvagens de que acabamos por só poder gostar, como se fossem memórias que tinhamos esquecido de amigos com quem brincávamos em recreios distantes.

Mesmo numa era de inevitável efeitos digitais e mundos inventados, nunca tive dúvidas de que era este o cinema de que gostava, um cinema de personagens e emoções, de histórias em que a riqueza da imagem nunca se sobrepõe ao sorriso ou às lágrimas de Max.

E há a banda sonora de Karen O, claro, que tudo atravessa no tom certo. Ouçam lá.

"Where The Wild Things Are" Update.

Não falava disto há algum tempo, por isso cá vai.

A banda sonora de Karen O (dos Yeah Yeah Yeahs) & The Kids saiu mesmo no final de Setembro e já me anda a deliciar os ouvidos há coisa de uma semana. O espírito parece ser o do livro, o do trailer, bom, o de tudo o que vi a propósito do filme, entre o infantil, o rebelde e o doce. Mesmo o que me apetecia.

Entretanto, a Vice, revista de comics, pediu a uma série de boa gente para fazer ilustrações a propósito das memórias que guardavam do livro de Maurice Sendak. Aqui mesmo abaixo está o exemplo de Ted May, em si, uma pequena historinha.

Por fim, quem tem putos, enfie-lhes a cabeça num daqueles painéis publicitários que começaram a aparecer nos cinemas e transforme-os desde já num pequeno Max. E isto ainda a quase dois meses da estreia...