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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Estrela Cadente

Gloria Swanson, estrela do cinema do mudo ao sonoro, fotografada por Allan Warren no seu apartamento de Manhattan no ano em que eu nasci, 1972.

Efeméride.

Disintegration Loop 1.1 consists of one static shot of lower Manhattan billowing smoke during the last hour of daylight on September 11th, 2001, set to the decaying pastoral tape loop Basinski had recorded in August, 2001. Shot from Basinski's roof in Williamsburg Brooklyn, this is an actual documentary of how he and his neighbors witnessed the end of that fateful day. It is a tragically beautiful cinema verite elegy dedicated to those who perished in the atrocities of September 11th, 2001

First We Take Manhattan

Take two budding dancers, 15 locations around New York and many late nights making instructional cards, and you have Casey Brooks’ improvisational short, Casi (almost). The photographer, director and former tap dancer took to her favorite spots in Queens, as well as seminal landmarks like the Brooklyn Bridge, to explore how simple movements transform in different contexts. 

“This project will eventually include models and pedestrians, as well as dancers,” says Brooks, who cast Rutgers University graduates during some downtime from rehearsals. “It could focus on anything as small as the way someone moves when they walk across a street.” 

Brooks drew upon 60s feminist classic Daisies for inspiration, and soundtracked the frolics with XXYYXX's haunting track "About You." “There were women really drawn to this idea because it’s so familiar in a way. When one of them all of a sudden becomes this creature, it’s a very powerful image,” she says. “We actually had women stop and get on all fours to get their photo taken like that.”

As a longtime fan of Peter Lindbergh, Brooks incorporated a mannish suit into the wardrobe. “The girls brought all their own clothes, and I would just take out looks from suitcases in the back of my car,” she says. “It’s really about not thinking, putting things together and seeing the sort of underlying narrative that emerges – even when you didn't feel one.”

This might be good. Or even great.

'Show Me a Hero' is an upcoming HBO miniseries based on the 1999 nonfiction book of the same name by Lisa Belkin. The book details a middle-class neighborhood's resistance to a public housing development in Yonkers, NY, and how these tensions affected the city as a whole. The miniseries was written by David Simon and William F. Zorzi and will be directed by Paul Haggis. Six episodes have been ordered by HBO and will premiere on August 16, 2015.

London Is Changing (and Lisbon).

Londres é uma das minhas cidades favoritas e está neste momento numa encruzilhada que lhe parece desenhar um caminho de futuro específico. Já falei sobre este assunto aqui e aqui, depois de ler o último romance do William Gibson.

A encruzilhada neste momento é entre a realidade, o futuro dessa realidade, a representação ficcional dos eventuais caminhos de futuro e o trabalho de ativistas e jornalistas sobre tudo isto. Não tenho a certeza que a realidade seja o que vem primeiro embora, provavelmente, sim. Talvez a imaginação ficcionada sobre a realidade seja um rastilho. Talvez a experiência real das pessoas seja o mais relevante. Mas a verdade é que tudo está a acontecer ao mesmo tempo.

Só mais umas achegas.

este artigo do The Guardian com este título fantástico: "The city that privatised itself to death: 'London is now a set of improbable sex toys poking gormlessly into the air'" e também um olhar sobre as questões levantadas pela privatização dos espaços públicos. A Londres futurista de Gibson está precisamente pontuada por shards, fortalezas de oligarcas e parques temáticos.

Há também este artigo da AdWeek sobre a campanha 'London Is Changing' que pede contributos sobre casos específicos em que a cidade está a mudar e os transforma em billboards, eles próprios excelentes ícones de uma cidade inteiramente comercializada. Um exemplo abaixo.

É um assunto que nunca mais acaba, claro, e Londres não é a única vítima. A dinâmica da 'gentrificação' de Nova Iorque é assunto antigo, para citar o exemplo mais conhecido. Aí, como em Londres, outro problema ainda se levanta. Afinal, quem raio é que é dono da cidade? De quem são todos aqueles apartamentos caríssimos e vazios?

Lisboa não está livre destes perigos variados que vão esvaziando a alma das cidades. Só nesta última semana, duas notícias que nos devem deixar alerta: a questão da concessão de espaços em Monsanto a privados e a notícia de que proximamente será inaugurada uma Pousada de Lisboa no Terreiro do Paço. O local é fantástico e o resultado deverá sê-lo também, contribuindo para mais turismo de qualidade no centro da cidade. Mas não pode ser a única maneira de fazer viver esse centro...

 

10:04

Mesmo no final do ano passado, li um dos meus livros favoritos do ano, '10:04', de Ben Lerner. Tão favorito que uma das poucas mensagens de ano novo que enviei estava ligado ao nome do livro. 10:04 PM é a hora em que um raio atinge a torre do relógio, no filme 'Regresso ao Futuro', momento essencial para permitir a Marty McFly... regressar ao futuro. Já agora, a mensagem era "Que um raio de 1,2 gigawatts alimente o vosso flux capacitor às 10:04 do dia que vos der mais jeito. E bom futuro!"

Nunca me apetece falar muito sobre livros, só de vez em quando, e nem sei se o livro vai ser traduzido. O anterior, 'Leaving the Atocha Station' não foi, que eu saiba. Note-se que por alturas da passagem de ano, andei pela estação de Atocha. Isto anda tudo ligado. Seja como for, gosto da maneira como o texto cruza ficção e autobiografia, histórias dentro da história, narradores narrando outros narradores, Nova Iorque e a nossa difícil relação com o tempo.

Quando escolhi comprá-lo e lê-lo, contudo, não foi por nada disto mas, em primeiro lugar, pela magnífica capa. Tenho, por vez, o mau (?) hábito de julgar um livro pela capa. Mas sim, leio a sinopse antes. Esta capa em particular está assente sobre uma fotografia aérea de Iwan Baan, invertida da esquerda para a direita, de Nova Iorque por alturas do furacão Sandy, quando parte da baixa estava submersa em escuridão. É esta abaixo.

Andava para fazer este post há algum tempo mas decidi-me hoje porque vi entretanto um outro conjunto de fotografias que anda a circular, as que Vincent Laforet fez por cima da mesma cidade a 7.500 pés de altitude. Podem vê-las todas aqui, assim como um pequeno vídeo sobre a sua produção. São, de facto, extraordinárias, no seu horizonte de escuridão, cortado pela luz da tecnologia e da humanidade. E a ideia original de as fazer surgiu de um olhar sobre essa rede como se fossem sinapses a disparar no cérebro. Uma espécie de ciberespaço.

Alguns exemplos abaixo.