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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Tom Waits - Invitation To The Blues (I/II)

Well she's up against the register with an apron and a spatula,
Yesterday's deliveries, tickets for the bachelors
She's a moving violation from her conk down to her shoes,
Well, it's just an invitation to the blues

 

And you feel just like Cagney, she looks like Rita Hayworth
At the counter of the Schwab's drugstore
You wonder if she might be single, she's a loner and likes to mingle
Got to be patient, try and pick up a clue

 

She said How you gonna like 'em, over medium or scrambled?,
You say 'anyway's the only way', be careful not to gamble
On a guy with a suitcase and a ticket getting out of here
It's a tired bus station and an old pair of shoes
This ain't nothing but an invitation to the blues

 

But you can't take your eyes off her, get another cup of java,
It's just the way she pours it for you, joking with the customers
Mercy mercy, Mr. Percy, there ain't nothing back in Jersey
But a broken-down jalopy of a man I left behind
And the dream that I was chasing, and a battle with booze
And an open invitation to the blues

 

But she used to have a sugar daddy and a candy-apple Caddy,
And a bank account and everything, accustomed to the finer things
He probably left her for a socialite, and he didn't 'cept at night,
And then he's drunk and never even told her that her cared
So they took the registration, and the car-keys and her shoes
And left her with an invitation to the blues

 

Cause there's a Continental Trailways leaving local bus tonight, good evening
You can have my seat, I'm sticking round here for a while
Get me a room at the Squire, the filling station's hiring,
And I can eat here every night, what the hell have I got to lose?
Got a crazy sensation, go or stay? now I gotta choose,
And I'll accept your invitation to the blues

Coisas de que gosto nestas fotografias.

Na primeira gosto de Pasolini em Times Square nos anos 60 e do facto do filme que está a passar no cinema lá atrás ser "A Bíblia", provavelmente a versão de John Huston com Richard Harris, Peter O'Toole, Ava Gardner, George C. Scott, Franco Nero e o próprio Huston. Seria, portanto, por volta de 1966.

Na segunda fotografia, gosto que Tom Waits tenha os olhos fechados e Lily Tomlin os seus abertos. Gosto que ele esteja de botas e ela, no seu colo, descalça. Gosto também muito do filme em que se encontraram, "Short Cuts" de Robert Altman. A fotografia é de Mary Ellen Mark.

O melhor e o pior país do mundo.

Não quero spoilar nada a ninguém, mas a nova série de Aaron Sorkin, de seu nome The Newsroom (tem estreia em Portugal no dia 15 de Agosto no TV Séries) começa com uma cena que termina numa discussão sobre se os Estados Unidos da América são ou não o maior país do mundo. Depois de os ter visitado pela quinta vez, atrevo-me a responder que sim, são o melhor, mas são também o pior. Ou como diz a personagem na série "they could be".

Um país que assenta sobre o sonho do dinheiro e cujo dinheiro tem inscritas as palavras "In God We Trust", só pode ser um lugar das contradições mais extremas. É o país de Gore Vidal e Mitt Romney, de Barack Obama e Michael Phelps, Andrew Carnegie e Henry Clay Frick, Frank Lloyd Wright, Mark Rothko, Edward Hopper e Andy Warhol. Só alguns nomes com que me cruzei nos últimos dez dias em Pittsburgh (onde foi tirada a fotografia da bandeira de pernas para o ar). É um país da inteligência máxima e da maior obtusidade, de histórias individuais, totalmente devotado ao espetáculo do sucesso e do fracasso, do crime, castigo e redenção, do dinheiro e da pobreza.

Gostava de ter energia para escrever mais sobre o assunto, mas deixo a coisa para quem sabe. Diz Kurt Vonnegut no clássico Slaughterhouse-Five:

"America is the wealthiest nation on Earth, but its people are mainly poor, and poor Americans are urged to hate themselves. To quote the American humorist Kin Hubbard, "It ain't no disgrace to be poor, but it might as well be." It is in fact a crime for an American to be poor, even though America is a nation of poor. Every other nation has folk traditions of men who were poor but extremely wise and virtuous, and therefore more estimable than anyone with power and gold. No such tales are told by the American poor."

É claro que também há a literatura, a pintura, a música, o rock'n'roll, os blues, o jazz, a poesia, o cinema, tanto cinema diferente, a televisão (alguma, pelo menos), as cidades, os arranha-céus, o oeste, as montanhas, as florestas, um país de mitos, histórias e imagens que me fascina mais do que devia. O melhor e o pior. E da parte do melhor, fica um clip de Tom Waits, novinho em folha de hoje. Do álbum Bad As Me, Hell Broke Luce.

 

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