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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Criatividade.

Dizia o Expresso neste Sábado que eu tinha sido "conquistado" ao SAPO, pela beActive. Pus-me a pensar um pouco no assunto e nas coisas que já fiz desde que deixei a faculdade.

Portugal é um país obcecado pela imitação, pelo "benchmarking". Estamos sempre em comparação com os outros, à procura do nosso lugar num qualquer top ten. Duas das coisas que me orgulho mais de ter lançado, o Terravista e o SAPO Vídeos, foram feitos e apresentados nesse modelo. A maneira mais fácil de os explicar, à altura do lançamento, era por comparação: eram o Cibercities e o Youtube portugueses.

Não há nada de mal na imitação, na inspiração, no utilizar do melhor exemplo e, em ambos os casos, em contextos específicos (o Ministério da Cultura e a Portugal Telecom), tentei dar a cada um dos projectos uma personalidade específica e uma missão que os justificasse e não fizesse deles meras cópias.

A inovação e a originalidade são artes difíceis, nos meios institucionais e empresariais como noutros, mas entretanto escrevi livros. Aí a questão é diferente, o processo é mais íntimo e diz directamente a mim respeito e ao que me agita. São confrontos diferentes e bem mais difíceis.

Não, este post não leva a lado nenhum, é só um momento de reflexão sobre que pontas pegar em relação ao que me apetece fazer.

Biografia Alternativa

Luís Soares sente ainda muito ocasionalmente saudades de ouvir e cantar a Nini do Paulo de Carvalho ao colo da sua educadora de infância. Da escola primária lembra-se de brincar aos detectives com uma pistola de plástico e de jogar à bola entre as laranjeiras.

Anos depois ajudou a fundar um jornal escolar mas acabou por desistir de ser jornalista primeiro, teórico da comunicação depois.

Os computadores, os seus conteúdos e as suas redes enredaram-no desde então, mas tal como desde os tempos da pistola de plástico, nunca parou de ler ou escrever. Hoje já publicou romances mas continua à espera de que o próximo seja o melhor.

Autobiográfico.

É uma palavra que todos tomam como literal, vasculham como se fosse um caixote do lixo do passado, um diário esquecido por acaso numa mesa. Mas não. Escrevo e sei que é um mundo, uma galeria de espelhos, um prazer de descoberta e invenção. Invento a autobiografia. Claro, caso contrário que motivo teria para escrever?

O que muda numa biografia.

Dizia na badana do "Aquariofilia": “Luís Soares nasceu em 1972 em Lisboa, o lugar onde ainda lhe apetece viver. Sempre trabalhou na área de comunicação e media, criando, produzindo, coordenando, gerindo, dando aulas. Gosta furiosamente de pessoas, de olhar, ouvir, livros, música, filmes, boas histórias e sentir--se vivo. Aquariofilia é o seu primeiro romance, mas escreve desde que se lembra de ter uma caneta ou um teclado na mão.”

Diz na badana de "Em Silêncio, Amor": "Luís Soares nasceu em Lisboa, algures nos anos 70. Sempre viveu nesta cidade, embora prefira considerar-se vagabundo, na imaginação e nos passos. Não é por isso que a trai. Escreve desde que se lembra, com lápis, canetas, em cadernos, blocos, guardanapos, nos computadores que lhe aparecem à frente e, quando não há mais nada, toma notas no telemóvel. Trabalha em Internet há doze anos, dá aulas e passa música de vez em quando, mas procura não se levar muito a sério."

Fui eu que escrevi este texto, em ambos os casos, mas achei curioso, quando o li mais tarde, "as coisas de que gosto" terem sido as que desaparecerem. Talvez tenha menos certezas hoje sobre aquilo de que realmente gosto. Talvez prefira afirmar-me menos seguro sobre aquilo que me move, mas talvez isso não seja uma coisa má.