Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

&

"Earlier typographers made liberal use of ampersands, especially when setting italic – and relished their variety of form. The 16th century French printer Christophe Plantin sometimes uses four quite different ampersands in the course of a single paragraph, even when setting something as unwhimsical as the eight-volume polylingual Bible on which he risked his fortune and to which he devoted more than six years of his life."


Robert Bringhurst, The Elements of Typographic Style

Nineteen Eighty-Four.

O zapping tem destas coisas e ontem, já passava da meia noite, creio, apanhei no Odisseia, canal que quase nunca me lembro sequer que existe, um documentário BBC sobre a evolução da edição e design de paperbacks, essa invenção tão anglófona. O documentário já tem provavelmente uns anos e acabava com as primeiras versões do iPad e do Kindle como "o futuro" que "ameaça" o livro e algumas talking heads perorando sobre o prazer superior de um livro. Não vou entrar nessa conversa de novo, concordo com toda a gente.

O que me interessou foram duas outras coisas. Em primeiro lugar uma entrevista ao designer da capa da primeira edição em paperback de A Clockwork Orange, de Anthony Burgess, David Pelham de seu nome. O autor do livro não gostava, o designer não gostava, foi feita à pressa para aproveitar o impacto do filme de Kubrick. É hoje um clássico. Ah, a roda dentada que circunda aquele olho... é a primeira imagem abaixo.

Antes disso, havia também uma análise da evolução das capas de Nineteen Eighty-Four de George Orwell, contextualizadas historicamente. A última apresentada era de Jonathan Gray e nem o título do livro tinha (é a segunda imagem abaixo). Já agora, o senhor Gray é brilhante, vale a pena ver mais capas dele - no documentário aparecia a trabalhar na capa de Tree of Codes de Jonathan Safran Foer de que sou orgulhoso proprietário.

Isto tudo para chegar à capa da nova edição do livro de Orwell, nos paperbacks da Penguin, que sai no primeiro dia de Março e é a última imagem abaixo. O que é genial nesta capa? Quase tudo. Recupera a capa da primeira edição, sem imagem, apenas o laranja, a tipografia, o pinguim. Acrescenta-lhe o preto que cobre as letras, a redaction de título e autor. O mesmo efeito usado em Zero Dark Thirty. O resultado é uma capa que invoca completamente a opressão, a questão da liberdade, da tortura mas uma capa que só poderia ser compreendida agora, depois do Iraque, de Abu Grahib, do 9/11, profundamente contemporânea sobre o clássico. Não se podia pedir mais. É a terceira imagem abaixo.

Um Relógio de Design.

Tanner Woodford, um estudante de Arizona State University, como trabalho escolar, fez um exercício interessante para todos os que se dedicam ao design, logótipos, indentidade de marca, etc.. Criou um relógio de todas as marcas com que interagiu ao longo do dia. São 1.035. O resultado está abaixo, não é muito legível neste pequeno formato, mas vale a pena saber mais sobre o assunto.