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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Fernando Costa - Exorcismo

Uma urgência sufocante de desfazer o nevoeiro
De atar as horas com cordas e viver um dia inteiro
Desenhar o caminho para fora do bosque
Usando apenas rascunhos das tuas pegadas
Uma banda-sonora transversal aos sonhos
Acutilante que nem realidade
Confortante que nem tristeza em tenra idade

 

Uma corda bamba de cinzento
Precipícios de preto e branco
Maratonista de passo lento
Corpo arde em lume brando

 

Um frio que vem de dentro, que não abranda ao Sol
Um acordar no hipocentro, cego que nem olhar de mongol
Um morrer de amor por tudo o que não parece ser justo amar
Um calar...

 

um levantar, e recomeçar.

 

Balançar o mundo num só levantar de cabeça
Largar o corpo das nuvens,
Mergulhar que nem pedra que afunda
Só até que o céu desapareça
(Só até que o céu desapareça)

 

Um dormir acordado, uma oração para sonhar
Uma ode em jeito de afronta, um tentar não largar
Uma mão que nos serve de chão, e teto e estrada
Um mundo cheio e dois olhos que não tocam em nada