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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Gente que dança.

As the Paris Opera Ballet announces the Opéra National de Paris’ new season today, the appetite for dance is heating up in our shared cultural landscape. Newly appointed Director of Dance Benjamin Millepied is working alongside Paris Opera Director Stéphane Lissner and Musical Director Philippe Jordan, with the aim to find balance between the classical and contemporary components fuelling the institution’s many crafts. Under Millepied’s helm, Le Ballet will flirt with off-stage disciplines from photography to film to cartoons and fashion design as he moulds the ballet company into a giant, collective gesamtkunstwerk.

The Paris native has directed filmic portraits of each of the company’s 17 Étoiles. Three of his charges are profiled here: Émilie Cozette, Mathias Heymann and Marie-Agnès Gillot, the latter herself a burgeoning choreographer, who recently appeared in the latest Céline campaign alongside American author Joan Didion. "The most important quality of a director in ballet is the ability to bring his dancers' talents to their full potential," says Millepied. "It takes observation, sometimes psychology, to unleash the confidence an artist needs to be him or herself on the stage." 

 

A PERNA ESQUERDA DE TCHAIKOVSKI
PEÇA PARA UMA BAILARINA E UM PIANISTA

Tiago Rodrigues texto e direção ∙ Barbora Hruskova bailarina ∙ Mário Laginha música e piano ∙ Cristina Piedade desenho de luz

 

O meu corpo não foi feito para dançar, mas eu nunca fui capaz de resistir à música. Quando era criança, obriguei o meu corpo a aprender a dançar. Ele obedeceu, mas contrariado. Eu, feliz, entreguei-me à música. Música é matemática, mas eu não gosto de contar. Em vez de contar música, prefiro contar histórias enquanto danço matemática. Divido tempo, multiplico gestos e adiciono dores. Cada dor no meu corpo corresponde a um espetáculo de dança. Já danço há mais de 30 anos. Tenho uma coleção de dores. Quando ouço Prokofiev, dói-me o joelho. Quando ouço Sibelius, doem-me as costas. Mas nem tudo é dor. Gosto de ir cedo para o palco, quando ainda só lá está o afinador de pianos. Isso é a minha alegria antes da alegria dos outros, a calmaria antes da tempestade. As escalas da viagem antes do país de destino final. Não sei bem de que país sou, acho que a minha terra natal é o teatro porque é o lugar onde me sinto em casa. Já fiz as contas e tenho a certeza de que já passei mais horas da minha vida a dançar do que a dormir. Sonho mais quando danço do que quando durmo. Quando danço, tudo parece um sonho mas, como tenho dores, sei que é real.Dançar dói, mas dói mais quando estou parada.
Tiago Rodrigues

A convite da Companhia Nacional de Bailado, Tiago Rodrigues escreve e dirige uma peça em torno da memória do corpo da bailarina Barbora Hruskova. Em diálogo com o piano de Mário Laginha, que está em palco para interpretar a música original que compôs para este espetáculo, Hruskova revisita a sua carreira e as marcas que essa vida na dança traçou no seu corpo.