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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Pedro Homem de Mello - Solidão

A Eugénio de Andrade

 

Ó solidão! À noite, quando, estranho,

Vagueio sem destino, pelas ruas,

O mar todo é de pedra... E continuas.

Todo o vento é poeira... E continuas.

A Lua, fria, pesa... E continuas.

Uma hora passa e outra... E continuas.

Nas minhas mãos vazias continuas,

No meu sexo indomável continuas,

Na minha branca insónia continuas.

Para com quem foge. E continuas.

Chamo por toda a gente. E continuas.

Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.

Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.

Eterna, continuas.

Mas sei por fim que sou do teu tamanho!

 

in O Rapaz da Camisola Verde, 1954