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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A Grândola.

Portugal France · Grandola vila morena

23 de Abril
• Ao final da manhã, Álvaro Guerra, enviado por Almada Contreiras, encontra-se com Carlos Albino e comunica-lhe que o Movimento precisa de utilizar o programa Limite, na madrugada do dia 25, para emitir o sinal de código para o desencadear das operações militares. O Movimento propõe a canção de José Afonso "Venham mais cinco" para funcionar como código. Carlos Albino sabe que essa é uma das músicas censuradas internamente na Rádio Renascença. Sugere outras alternativas, entre elas a "Grândola, Vila Morena".

24 de Abril
• No início da manhã, Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva da "Grândola" como senha nacional e a hora da sua transmissão no programa Limite: das 0h 20min para as 0h 22min. Carlos Albino contacta outro elemento da equipa do "Limite", Manuel Tomás. Por precaução e para evitar atrasos e imprevistos na emissão da senha, fazem todas as diligências necessárias à gravação de um alinhamento de programa, com cerca de 10 minutos, em que a leitura da primeira estrofe da "Grândola" aparecia ligada à leitura de outros textos. Pedem a um dos locutores habituais do "Limite", Leite de Vasconcelos, que grave esse alinhamento de textos, mas mantêm segredo sobre o verdadeiro destino dessa gravação.
• O jornal República, a cujo colectivo de redacção pertenciam Álvaro Guerra e Carlos Albino, em breve notícia, chama a atenção para o programa Limite dessa noite na Rádio Renascença.

25 de Abril
0 h 20 min
• Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no "Limite". Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas de programa, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás, também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão ‒ aparentemente sem intenção ‒ na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso:

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Era o sinal confirmativo do desencadear das operações contra o Regime.

(Centro de Documentação 25 de Abril — Universidade de Coimbra)

Verdes Anos

VERDES ANOS de CARLOS PAREDES by BUDDA POWER BLUES - 2014

No ano em que se assinala o 10º aniversário da morte de uma dos maiores vultos da música nacional, Budda Power Blues decide homenagear o guitarrista português re-interpretando um dos seus mais icónicos temas: "Verdes Anos". Falamos naturalmente de Carlos Paredes.

A forma a que a banda encontrou para o fazer é aquela que melhor lhe assenta: ao vivo e a cores. Mas não se trata de um concerto, nem de um vídeo clipe. Trata-se de uma performance de um tema registada em áudio e vídeo seguida de um jantar tertúlia sobre a banda e a vida e obra de Carlos Paredes.

O evento teve lugar nos estúdios Glider, em Lisboa, no dia 22 de Março de 2014. A banda registou a sua versão da obra do mestre Paredes.

Musicalmente Budda optou por fundir dois temas de dois mundos diferentes: de um lado "Verdes Anos", do outro "Since I've Been Lovin' You" dos britânicos Led Zeppelin. Desta forma cruzam-se influências comuns à banda, mas que muito pouco têm de comum entre si.

A versão de Budda Power Blues congrega tudo aquilo que é icónico na sua forma de estar, sendo a riqueza harmónica, a extrema amplitude de dinâmica, o improviso, a leveza e a rudeza.

A razão desta homenagem é assinalar o desaparecimento daquele que Budda considera o maior génio da música nacional e um dos grandes vultos da humanidade.

João Abel Manta

Gosto muito da obra de Abel Manta, das suas magníficas imagens, sempre políticas, sempre com um sentido de humor e tristeza tão português. Neste momento, quarenta anos depois, depois do Dia Mundial do Livro, gosto particularmente deste Pessoa-Hamlet como símbolo de um país, o poeta incapaz de agir.