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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Pace, pace mio Dio

Anna Netrebko as Leonora sings 'Pace, pace mio Dio' aria in Christof Loy's production of Verdi's sweepingly ambitious opera on war, religion, love and fate.

La forza del destino is one of Verdi's most ambitious scores. Its overture - which introduces us to the sinister motif signifying Fate - is one of his most memorable. The opera also contains some of Verdi’s most brilliant choral writing, including Act III’s stirring ‘Rataplan’ chorus, and several beautiful and intimate arias such as Leonora's ardent Act IV 'Pace, pace mio Dio!'. There's comedy too with the scenes for the greedy monk Fra Melitone. Christof Loy's colourful and spectacular production reflects the kaleidoscopic nature of Verdi's opera, where intense personal dramas play out against a background of war, and in which religion plays an ambiguous role.

Verdi and his librettist and friend Francesco Maria Piave based La forza del destino on Ángel de Saavedra's highly dramatic play Don Alvaro, o la fuerzo del sino, and also incorporated material from Schiller's Wallenstein's Camp for Act III's military scenes. Following Forza's 1862 St Petersburg premiere, Verdi made extensive revisions to the score. The most substantial of these were a new overture, and a less melodramatic ending, in which Don Alvaro remained alive rather than committing suicide. The revised Forza, the version best known today, had its premiere on 27 February 1869 at La Scala, Milan.

Anna Netrebko - Ebben? ... Ne andrò lontana

Anna Netrebko, Orchestra dell'Accademia Nazionale di Santa Cecilia directed by Antonio Pappano -  Alfredo Catalani: La Wally / Act 1, "Ebben? ... Ne andrò lontana”, recorded at the Auditorium Parco della Musica, Sala Santa Cecilia, Roma

With "Verismo" Anna Netrebko presents her long-awaited new studio album ­ the first in three years ­ displaying her remarkable vocal maturity and reaffirming her status as one of the leading sopranos of her generation.

La Netrebko does La Mamma Morta

Opera geeks are always charged with excitement, and a little anxiety, when a favorite singer releases a new album. (Has her voice changed? How will it fit the repertoire?) Netrebko, arguably today's most touted soprano, is about to issue a new album,Verismo — and we've got a sneak peek.

As her plush voice has added darker, richer colors over the past few years, Netrebko, now 44, has been exploring lower registers and weightier roles both on record and onstage. The album's title, Verismo, refers to the turn-of-the-20th century style of opera that focuses on surging emotions and physical violence in the lives of common people.

 

From NPR

A Princesa Cigana.

A self-confessed operetta fan, Christian Thielemann conducts The Gipsy Princess (Die Csárdásfürstin), a true 20th century masterpiece by the Hungarian composer Emmerich Kálmán. Christian Thielemann has been the principal conductor of the Staatskapelle Dresden since 2011, but has also been serving as the Artistic Director of the Salzburg Easter Festival since 2013, the same year in which the Staatskapelle became the festival’s resident orchestra. In 2011, he was elected "Conductor of the Year" by Opernweltmagazine, and he is widely considered one of the most talented conductors on the musical scene.

 

In 2014 for their New Year's Eve Concert, the Staatskapelle Dresden invited two of the most popular singers of our days: the Russian soprano Anna Netrebko and the Peruvian tenor Juan Diego Flórez, who have both appeared in the greatest opera houses. A multi-award winner (she received 6 Echo-Klassik awards!), Anna Netrebko will sing the part of Sylva Varescu, while Flórez (notably known for being the first tenor since 1933 to be allowed to sing an encore at La Scala when he reprised "Ah mes amis quel jour de fête !" from La Fille du Régiment) will sing the role of Edwin Ronald von und zu Lippert Weylersheim.

"Ah, eu rio de me ver tão bela neste espelho..."

Li há uns anos dois livros que me despertaram curiosidade em relação a uma figura que nunca me tinha chamado particular atenção, a da “diva” de palco. O primeiro livro foi “Bel Canto” de Ann Patchett, em que uma estrela da ópera é feita involuntária refém numa embaixada e a sua música acaba por servir de fio condutor dramático a um belo relato das relações humanas e dos seus limites. O segundo foi “In America”, de Susan Sontag, em que a personagem principal é actriz e não cantora, mas para todos os efeitos estamos a falar do mesmo universo.

Quando eu era criança, a imagem que tinha das estrelas de ópera era Bianca Castafiore cantando vezes sem conta a Ária das Jóias do Fausto de  Gounod para atormentar o Capitão Haddock nos livros de Tintin. Lembro-me de ver Elizabeth Schwarzkopf ensinar um jovem a cantar a ária do catálogo do Don Giovanni de Mozart na televisão por essa altura e a imagem parecia-me colar-se perfeitamente ao que tinha em mente: uma senhora de meia idade, nariz no ar e voz poderosa. Hoje a ideia da diva de ópera como matrona foi substituída por uma nova geração de estrelas que em nada ficam a dever às de cinema e televisão.

Um dos mitos sobre a vida de Maria Callas é que quando decidiu emagrecer, perdeu capacidade vocal e a sua carreira definhou. É contudo a imagem de uma Maria Callas elegante ao lado de Onassis que sobrevive nos media e na nossa memória. E parece-me apropriado, visto que a palavra Diva é italiano para Deusa e as Deusas que veneramos hoje em dia são necessariamente elegantes e belas, mais próximas de uma Mimi de La Bohème do que de uma Valquíria de Wagner.

Cecilia Bartoli, Angela Gheorghiu, Natalie Dessay são algumas das divas que hoje preenchem o imaginário e os ouvidos dos amantes de ópera no mundo todo. A Bartoli está frequentemente nos tops explorando a história do género nos seus CDs de luxo, como “Opera Proibita” e “Maria”, uma homenagem à primeira das divas, Maria Malibran. Angela Gheorghiu casou com o brilhante tenor Roberto Alagna e estou certo que fazem duetos maravilhosos em conjunto. Aliás, fiel à imagem da diva caprichosa, Angela foi despedida de uma produção de “La Bohème” por ter faltado a dez ensaios. A justificação? Queria ir a Nova Iorque ver o marido em “Romeu e Julieta“.

O caso que mais me fascina actualmente, contudo, é o de Natalie Dessay. Francesa de nascimento, iniciou a sua carreira antes dos vinte anos, novíssima, se pensarmos que a voz atinge o seu potencial máximo por volta dos trinta e tal anos. Não tem sido uma carreira fácil, contudo, e foi já operada às cordas vocais por duas vezes e por duas vezes regressou triunfalmente. Tem já concertos marcados até... 2014. Já tinha feito um post com a sua brilhante interpretação da ária da Rainha da Noite, da “Flauta Mágica” de Wolfgang Amadeus Mozart, mas podemos vê-la e ouvi-la aqui ao lado em “Glitter and Be Gay”, uma ária da ópera “Candide” de Leonard Bernstein, um dos mais brilhantes compositores do século XX.

Bernstein é dos meus compositores americanos favoritos por via do musical West Side Story, de que foi feita recentemente uma edição comemorativa com a histórica gravação de José Carreras e Kiri Te Kanawa (mais uma diva, neo-zelandesa).

“Candide” é uma ópera baseada no texto de Voltaire e “Glitter and be Gay” é uma ária que só uma virtuosa consegue cantar, pois além de exigir uma voz capaz de notas agudíssimas, exige igualmente técnica respiratória apurada (sobretudo para as gargalhadas) e uma coisa que costuma faltar a muitos cantores de ópera... capacidade para representar, entre a desilusão, o humor e o sarcasmo.
Curiosamente é uma espécie de “Material Girl” no tema e deve ser cantada no meio de jóias, um pouco como a ária com que Castafiore atormentava as restantes personagens de Hergé.