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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Barbara Kruger

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Barbara Kruger

Untitled (Know nothing, Believe anything, Forget everything)
1987/2014
Screenprint on vinyl
Overall: 274.32 x 342.05 cm (108 x 134 11/16 in.)
National Gallery of Art, Washington, Gift of the Collectors Committee, Sharon and John D. Rockefeller IV, Howard and Roberta Ahmanson, Denise and Andrew Saul, Lenore S. and Bernard A. Greenberg Fund, Agnes Gund, and Michelle Smith
© Barbara Kruger

 

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Barbara Kruger

Untitled (We don’t need another hero)
1987
Silkscreen on vinyl
Overall: 276.54 x 531.34 x 6.35 cm (108 7/8 x 209 3/16 x 2 1/2 in.)
Whitney Museum of American Art, New York. Gift from the Emily Fisher Landau Collection
© Barbara Kruger

Tube Art

Por ordem: David Shrigley, Eva Rothschild, Liam Gillick, Richard Long, Cornelia Parker, Yayoi Kusama, Michael Landy, Emma Kay, Jeremy Deller com Paul Ryan, Pae White, Barbara Kruger, Yinka Shonibare, Paul Noble, Mark Wallinger, Gary Hume.

London Calling.

Londres é uma das minhas paixões. Dormi pouco, hoje, a ver em direto as terríveis imagens da BBC, a acompanhar os tweets no Guardian, a seguir o que se passa no Reino Unido. Não consigo, não posso, não vou justificar ou validar qualquer das coisas que se estão a passar. São criminosos de delito comum a queimar edifícios e carros e a assaltar lojas.

Ponho-me, contudo, a pensar, se a sociedade ocidental não está naquele ponto em que é um melão maduro atirado contra uma parede. Estamos à espera que expluda. A parede é o crescente abismo entre ricos e pobres. Basta olhar para os Estados Unidos. Lembro-me também do "La Haine". Jusqu'ici tout va bien? Reflexões dispersas.

Quando se falou da primavera árabe na Tunísia, no Egito, na Líbia, na Síria, achei que não devia faltar muito para uma primavera europeia. Só que nem tudo na primavera são flores. Mesmo a primavera árabe está num banho-maria violento.

O problema da imigração é um problema de séculos de história, ainda numa terrível ressaca pós-colonialista. E há a sociedade de consumo, publicidade por todo o lado, montras por todo o lado, sempre a dizer-nos que (ainda) não somos exatamente quem devíamos, que (ainda) não temos tudo aquilo que gostávamos de ter. E há as cidades cada vez maiores, cada vez mais densas, cada vez mais tensas, aglomerando os mais pobres e os mais ricos. E há a televisão e os media todos, que mostram à exaustão os motins, os fogos, a felicidade (?) dos jovens que finalmente aparecem, mesmo que de cara tapada. E há a polícia, a lei, a força, as câmaras de vigilância em cada esquina da cidade. Nada disto faz sentido.

Sim, a crise e tal e as agências de rating e os juros da dívida e a austeridade e salvar os bancos e essas trapalhadas todas, mas quando voam os cocktails molotov a coisa é um pouco diferente. E é claro que toda a gente que tem dinheiro está a tentar pô-lo noutro sítio qualquer. Vejam-se as bolsas. Até o outro sítio qualquer também não servir.

Repito, entristece-me o que se está a passar em Londres. Nada o valida. Não encontro naquilo felicidade alguma, sentido nenhum. Acho apenas que é sinal dos tempos difíceis que atravessamos. E o milénio ainda agora começou.

(a imagem é da artista americana Barbara Kruger)