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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

William Gibson's London.

Não me canso do William Gibson porque ele diz em entrevistas, coisas destas:

We can attempt to legislate technology after the fact, but it keeps on coming. Its nature is to be completely out of control. Nobody legislates technology into being. They don’t legislate the birth of the Internet or cellphones or anything. They’re called forth into the market, and the people who call them forth often have absolutely no idea how these things they've thought of will most change society. It’s impossible to tell until people have the things, and they’re using them.

Mas o motivo mais imediato para este post é uma polémica londrina. No seu último romance, 'The Peripheral', parte importante da ação situa-se numa Londres futura (mais ou menos um século no futuro) pontuada por shards, nostalgia do passado, tecnologia fora de controlo e uma classe de super ricos.

O que está a acontecer em Londres, por estes dias, aponta com certeza para este caminho. Um anúncio da Redrow London, promotor imobiliário gerou a polémica. Os autores do anúncio achavam, cito a partir deste artigo do The Guardian:

“We tried to do something a bit new and different from the typical property videos out there, but we accept that maybe we didn’t get it quite right with this one!”

O anúncio é este:

Rapidamente a Internet, nomeadamente por via do Twitter, pegou na coisa e revelou-lhe a alma. Também li o 'Kingdom Come', último romance do J.G. Ballard, o ano passado e lembrei-me dele, claro, mas nada como a versão abaixo, que pega nas imagens do anúncio da Redrow e lhes sobrepõe falas de Patrick Bateman, o psicopata ficcional de Brett Easton Ellis.

É como aquelas versões de músicas que revelam a verdade que a música original parecia não ter conseguido.

Bret Easton Ellis no cinema.

Dizem as regras, que valem o que valem, que é melhor o autor do livro não estar envolvido na adaptação do argumento. Mas valem o que valem, as ditas. Bret Easton Ellis (aqui ao lado) esteve envolvido, finalmente, na adaptação para cinema, de um livro seu, depois dos resultados desiguais que as adaptações dos seus romances produziram até agora. O livro ("The Informers") é ainda por cima, de si, uma obra tendente mais para a dispersão e menos para a coerência que uma longa metragem parece exigir.

Na multidisciplinaridade de que é feita o cinema, diz Ellis a certa altura: "This really should be the director’s job, because it’s a director’s medium. It’s not a screenwriter’s medium. And actually going through this, being on the set and meeting the actors, you’re even more aware that it’s an actor’s medium, much more than it is a screenwriter’s medium, because they change so much of what you’re doing in terms of how they interpret it."

O elenco promete, o resto a ver vamos. Há um vídeo exclusivo aqui. Seja como for, o meu livro favorito de B.E.E. continua a ser o "Glamorama", na sua tapeçaria cruel e brutal entre o mundo da moda e o do terrorismo. Um bom resumo do arranque do século.