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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Reconvexo

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança
A destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega
Você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não e nem disse que não

Eu sou um preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música
A mais velha
A mais nova espada e seu corte
Sou o cheiro dos livros desesperados
Sou Gitá Gogóia
Seu olho me olha mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo

T.G.I.F.

Caetano Veloso - A Luz De Tieta

Todo o dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sob o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol

Nessa terra a dor é grande
E a ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge
Quem não mente
Quem mais goza e pena
É que serve de farol

Existe alguém em nós
Em muito dentre nós esse alguém
Que brilha mais do que milhões de sóis
E que a escuridão conhece também
Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você de mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim:

Toda a noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar
É domingo, é fevereiro
É sete de setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
E até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual

Existe alguém em nós
Em muito dentre nós esse alguém
Que brilha mais do que milhões de sóis
E que a escuridão conhece também
Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você de mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim:

Eta, Eta, Eta, Eta,
É a lua, é o sol é a luz de Tieta
Eta, Eta

Terra

Quando eu me encontrava preso

Na cela de uma cadeia

Foi que vi pela primeira vez

As tais fotografias

Em que apareces inteira

Porém lá não estavas nua

E sim coberta de nuvens...

 

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?...

 

Ninguém supõe a morena

Dentro da estrela azulada

Na vertigem do cinema

Mando um abraço prá ti

Pequenina como se eu fosse

O saudoso poeta

E fosses a Paraíba...

 

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?...

 

Eu estou apaixonado

Por uma menina terra

Signo de elemento terra

Do mar se diz terra à vista

Terra para o pé firmeza

Terra para a mão carícia

Outros astros lhe são guia...

 

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?...

 

Eu sou um leão de fogo

Sem ti me consumiria

A mim mesmo eternamente

E de nada valeria

Acontecer de eu ser gente

E gente é outra alegria

Diferente das estrelas...

 

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?...

 

De onde nem tempo, nem espaço

Que a força mande coragem

Prá gente te dar carinho

Durante toda a viagem

Que realizas no nada

Através do qual carregas

O nome da tua carne...

 

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?...

 

Nas sacadas dos sobrados

Da velha são Salvador

Há lembranças de donzelas

Do tempo do Imperador

Tudo, tudo na Bahia

Faz a gente querer bem

A Bahia tem um jeito...

 

Terra! Terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

Terra!

O Cu do Mundo

Vídeo Oficial de "O Cu do Mundo" de Adriana Calcanhotto.

 

Compositor: Caetano Veloso

Intérprete: Adriana Calcanhotto

Produção Musical: Ubunto e DJ Zé Pedro

Mixagem de Áudio: Rafaela Prestes

 

O furto, o estupro, o rapto pútrido

O fétido seqüestro

O adjetivo esdrúxulo em U

Onde o cujo faz a curva

(O cu do mundo, esse nosso sítio)

O crime estúpido, o criminoso só

Substantivo, comum

O fruto espúrio reluz

À subsombra desumana dos linchadores

 

A mais triste nação

Na época mais podre

Compõe-se de possíveis

Grupos de linchadores

 

CLIPE - O CU DO MUNDO

 

Direção e Montagem: Murilo Alvesso

Conceito Visual, Cenografia, Coreografia, figurinos e encenação: Teatro da PombaGira

Performers: Andrew Tassinar, Hugo, Lua Negrão, Mateus Rodrigues, Marcelo D’Avilla, Promiskua, Renato Teixeira, Ricardo Mesquita, Snoo, Victor Rosa e Wesley Lima

Direção de Fotografia: Lola Zola, Murilo Alvesso e Rogério Dragone

Direção de Produção: Jorge Yuri

Produção Executiva: Victor Dias

Assistência de Produção: Aline Miniussi

Produção - Galpão 833: Wilma Santos

Making of / Still: Sillas Henrique e Vini Poffo

 

Apoio:

Estúdios Quanta

Galpão 833

 

Realização:

Assum Filmes

Xirê Eventos

 

O Clipe da música O CU DO MUNDO foi gravado no dia 18 de outubro de 2018, e é baseado no espetáculo DEMÔNIOS, do Teatro da PombaGira.

 

FICHA TÉCNICA - DEMÔNIOS

 

Direção: Marcelo D’Avilla e Marcelo Denny

Elenco: Renato Teixeira, Mateus Rodrigues, Zen Damasceno, Marcelo D’Avilla, Walmir Bess, Wesley Lima, Lua Negrão, Breno Andreata, Andres Vallejos, Hugo, Snoo, Ricardo Mesquita, Andrew Tassinari, Victor Rosas e Promiskua.

 

Trilha Sonora: Renato Navarro

Supervisão Coreográfica: Marcelo D’Avilla

Direção de Arte: Marcelo Denny

Direção de Produção: Priscilla Toscano - P.I.C.A. Produtora - Performance, Intervenção, Cidade e Arte

Produção Executiva: Denise Fujimoto, Marcelo D’Avilla

 

Equipe de Visualidades:

Cenografia: Denise Fujimoto, marcelo Denny, Gabriel Prado, Guilherme Rodrigues

Assistente de Cenografia: Dalmir Rogério Pereira

Próteses e máscaras: Igor Alexandre Martins e Felipe Chianca

Cenotécnicos: Nilton Ruiz Dias, Juliano Tramujas

Máscaras: Gustavo Machado e Marcelo Denny

Figurino: Matheus Milanelli

Assistente de figurino: Nanci Abade

Costureiras: Ray Lopes e Maria Estela

 

Desenho de luz: François Moretti

Iluminador Associado: Quinho Gonça

Contrarregragem: Marcos Júnior Valadão, Franklin Almeida, Hugo Carvalho e Victor Rosas

Projeto Visual: WIRU

Designers Gráficos: Will Olvr, Gabriela D'Avilla e Yuri Rios

Fotografia: Chico Castro, Fabrício Augusto FAF, Rick Barneschi

Assessoria de imprensa: Manuella Tavares – 222 Comunicação

Mídias Sociais e Comunicação: Eduardo Araújo - Estrondo

Tarsila do Amaral. Operários (Workers). 1933

Workers (Operários).jpg

Join us for an in-depth conversation with legendary performer, writer, and political activist Caetano Veloso about the legacy of Tarsila do Amaral. An internationally renowned Brazilian pop singer, Veloso was a leading figure of Tropicália, a movement that contributed to the rediscovery of do Amaral’s work in the 1970s. The discussion is moderated by Luis Pérez-Oramas, curator of the MoMA exhibition "Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil."

"Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil" is on view until June 3: http://mo.ma/2eNRh5i

Caetano Veloso - Língua

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira! Fala!

 

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

 

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E (xeque-mate) explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet, Moon, de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

 

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

 

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana

 

(Será que ele está no Pão de Açúcar?
Tá craude brô
Você e tu
Lhe amo
Qué queu te faço, nego?
Bote ligeiro!
Ma'de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
I like to spend some time in Mozambique
Arigatô, arigatô!)

 

Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem