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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

O que é o contemporâneo?

É segunda-feira e toda a gente precisa de acordar com um pouco de filosofia a sério, de pensamento como deve ser, e o José Bragança de Miranda foi um dos meus professores favoritos de sempre.

O QUE É O CONTEMPORÂNEO?

Quarta-feira, 10 de fevereiro às 18h no Auditório do Museu Colecção Berardo - Entrada Livre

Conferencista: José A. Bragança de Miranda Bio: José A. Bragança de Miranda é doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa (1990), com agregação em «Teoria da Cultura» (2000) na mesma Universidade. Atualmente é Professor Associado do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, colaborando desde 1992 como Professor Catedrático convidado na Universidade Lusófona. Tem leccionado nas áreas da Teoria da Cultura e das Artes Contemporâneas, da Teoria dos Media e da Cibercultura. É investigador do «Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens» (CECL).

Resumo da Conferência: Numa época em que a aceleração da vida, a electrificação do tempo e a sensação de um certo encalhamento da história se afiguram como realidades incontornáveis, torna-se necessário pensar a questão do "contemporâneo" e o seu cortejo: o presente, o actual, o instante ou o "agora". Se desde sempre existiu um desprezo pelo presente, de origem teológica e apocalíptica, em função de um futuro radioso ou de uma passado heróico, é forçoso constata-se que "o agora" continua a ser fonte de perturbação, mesmo em autores como Lévinas, Agamben ou Badiou por recearam uma sacralização do existente e dos poderes que o ordenam. Boa parte das análises do contemporâneo enredam-se em dialécticas subtis, já presentes em Marx e em todo o utopismo, para voltar o presente contra si próprio, para se evadir dele, para "abrir" outras possibilidades. Ora, o contemporâneo não é uma "categoria" e muito menos uma categoria de tempo, mas é da ordem do eclodir, do aparecer e do enviar. Isso não se deve a uma mudança da interpretação ou de filosofia, mas à própria tessitura da "substância do mundo". Contra o velho desprezo por tudo o que existe, sempre um menosprezamento da vida, reconhecer a total dignidade do contemporâneo é, assim, a primeira condição para responder às urgências e à crise da época e obviar ao escapismo.

O Restauro do Século

The Virgin and Child with Saint Anne is one of the most beautiful paintings in the world. It is also one of the most mysterious. Disfigured and even jeopardised by “repairs” and by the successive layers of varnish applied to it over the centuries, it was also in very bad condition. To save the painting, it had to be restored.

The spectacular operation, the likes of which occurs only once a century, took over three years to complete. The complex and outstanding restoration process provided a unique opportunity to get as close as possible to the painting, to how it was originally painted, and to better understand the complex relationship Leonardo da Vinci had with one of his finest masterpieces.

Léonard de Vinci, la restauration du siècle • Stan Neumann • France • 2012 • 55 minutes • Color • 1.78:1 • English

Advice To The Young

Umberto Eco: Advice to the Young from Louisiana Channel on Vimeo.

Best-selling Italian novelist Umberto Eco here advises aspiring writers not to take themselves too seriously, but to go step by step and remember that: “You’re 10 per cent inspiration and 90 per cent perspiration.”

If you start off thinking that you’re a true genius and that you’ll be receiving the Nobel Prize any moment, you have a problem: “That kills every literary career.”

Umberto Eco was interviewed in his apartment in Milan by Tonny Vorm in May 2015.

Camera: Klaus Elmer
Edited by: Klaus Elmer
Produced by: Marc-Christoph Wagner
Copyright: Louisiana Channel, Louisiana Museum of Modern Art, 2015

Supported by Nordea-fonden

Que força é esta?

Estreia hoje aquele filme-cujo-nome-não-vale-a-pena-dizer porque está em todo o lado. Todos os anos, contudo, dou um par de aulas no ISCTE debaixo do título esotérico "Narrativas Digitais e Entretenimento Transmedia" e um dos temas que abordo precisamente é o das franchises que dominam o mundo do audiovisual em geral e o do cinema em particular. Escolhi, aliás, para nome das ditas aulas, este ano, "A Tale of Many Franchises".

A paráfrase de Dickens, é propositada:

It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to Heaven, we were all going direct the other way – in short, the period was so far like the present period, that some of its noisiest authorities insisted on its being received, for good or for evil, in the superlative degree of comparison only.

O tema do "The Tale of Two Cities" é a Revolução Francesa mas aplica-se na perfeição a um ano que se arrisca a ser o melhor de sempre em receitas de bilheteira mas assente apenas em meia dúzia de filmes produzido por um par de empresas, um ano em que há mais televisão do que nunca para ver mas se calhar há televisão demais para ver. E por aí fora.

Há um tema (praticamente) ausente nas minhas aulas mas que é na verdade a fundação de toda a conversa: a questão do copyright. O copyright foi inventado para proteger a criatividade e a inovação, para recompensar quem perdia tempo a inventar, não foi inventado para proteger herdeiros, franchises e companhias multibilionárias. Mas a Disney é uma das maiores empresas americanas e do mundo e é fundada sobre o valor continuado do copyright. Portanto não duvidemos, o modelo vai ser prolongado até ao limite, esticado até render, o que é, provavelmente, sempre.

Diga-se que sou um fã de space operas, space movies em geral, do Star Wars em particular (there, I said it). Acho que é daqueles nós culturais que ata o contexto em que surge, a cultura pop, a capacidade de contar histórias e ainda por cima... vende brinquedos. E logo, quando estiver no escurinho do cinema e as letras aparecerem no ecrã, vou arrepiar-me, claro que sim.

As aulas ficam abaixo e que a força tal e coisa...

A tale of many franchises from Luís Soares

The Wallace Collection

Já fui a Londres mais vezes do que devia mas há sempre coisas que ficam para trás. Desta vez, aproveitei para descobrir a Wallace Collection, um pequeno museu (à escala dos que há na cidade, bem grande para a escala portuguesa) de entrada gratuita em Marylebone, logo ali adiante da loja da Monocle, com uma coleção admirável mostrada num cenário fantástico. Ainda por cima, pode fotografar-se. É claro que me detive em pormenores de Canalleto a Rembrandt a Fragonard e outros que tais. O texto abaixo, do excelente site do museu, apresenta-o. O vídeo ajuda. As fotos que se lhe seguem são algumas das que fiz.

 

The Wallace Collection is a national museum in an historic London town house. In 25 galleries are unsurpassed displays of French 18th-century painting, furniture and porcelain with superb Old Master paintings and a world class armoury.

The Wallace Collection is a national museum which displays the wonderful works of art collected in the eighteenth and nineteenth centuries by the first four Marquesses of Hertford and Sir Richard Wallace, the son of the 4th Marquess. It was bequeathed to the British nation by Sir Richard's widow, Lady Wallace, in 1897.

Displayed at Hertford House, one of the family's London properties in the nineteenth century, the Wallace Collection presents its outstanding collections in a sumptuous but approachable manner which is an essential part of its charm.

It is probably best known for its paintings by artists such as Titian, Rembrandt, Hals (The Laughing Cavalier) and Velázquez and for its superb collections of eighteenth-century French paintings, porcelain, furniture and gold boxes, probably the best to be found anywhere outside France.

Less well known is that the Wallace Collection features one of the finest groups of princely arms and armour in Europe and, alongside this, you can enjoy splendid medieval and Renaissance objects, including Limoges enamels, maiolica, glass and bronzes.

 

Discover the Wallace Collection from The Wallace Collection on Vimeo.

Discover the Wallace Collection with this short film exploring the highlights of the Collection

 

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Everything is a Remix Remastered

Everything is a Remix Remastered (2015 HD) from Kirby Ferguson on Vimeo.

--->Get the Everything is a Remix t-shirt on Kickstarter: http://kck.st/1LshGJc
--->Become my Patron for more free videos: www.patreon.com/kirbyferguson
--->Check out my acclaimed new series: www.thisisnotaconspiracytheory.com

For the first time, the whole series as a single video in HD.
Written and Remixed by Kirby Ferguson

In the five years since the series launched, Everything is a Remix has been viewed over two million times and produced a popular TED Talk. Amazingly, Remix continues to change the way people think about creativity, originality, and copyright.

To celebrate the five year anniversary, I've polished up the original four parts and merged them into a single video. For the first time now, the whole series is available as a single video with proper transitions all the way through, unified styling, and remixed and remastered audio. Part One has been entirely rebuilt in HD.

Full sources available at www.everythingisaremix.info

Join my email list to get occasional notifications about new work: http://eepurl.com/bsl0Dn
Twitter: https://twitter.com/remixeverything
Facebook: www.facebook.com/everythingisaremix

O Peso (e a Leveza) da Cultura no País.

Com data de hoje, foi publicado um Destaque - Informação à Comunicação Social do Instituto Nacional de Estatística dedicado à Cultura. Não percebo muito de Estatística e provavelmente ainda menos de Economia. Vou observando o país e sou um consumidor ávido de cultura e um ocasional produtor da mesma. Achei, por isso, que devia olha para a "coisa" que nem ministério merece no atual governo. Lendo e reparando, algumas notas com estes pressupostos:

  • O título diz-nos que a cultura foi responsável por 1,7% do VAB nacional no triénio 2010-2012 (bissectado que é pela entrada da troika em Portugal, três anos velho já, vale o que vale).
  • Fui ver o que era isso de Valor Acrescentado Bruto e socorri-me do próprio INE para não me ficar pela Wikipedia e, perdoem-me a imprecisão, percebi que era um saldo, um lucro para o país, aquilo que cada sector acrescenta à economia.
  • Note-se que estamos a falar de cultura em sentido amplo: inclui-se a edição de livros escolares e a produção para televisão e publicidade, por exemplo, de onde resulta que "Em termos de VAB e Emprego, com pesos relativos de 33,2% e 36,6%, respetivamente, evidencia-se o domínio Livros e publicações, seguido pelo domínio Audiovisual e multimédia (22,6% e 11,7%, pela mesma ordem)."

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  • Parece-me bem, devemos cada vez mais falar de cultura num sentido amplo que vai da telenovela depois do telejornal à performance de vanguarda na ZDB, do 'Pátio das Cantigas' às 'Mil e Uma Noites'. Convém, contudo, saber do que falamos, não confundir o trigo com o joio.
  • Neste triénio, a procura interna contraiu significativamente, como sabemos, e o peso da cultura no VAB total do país foi pelo mesmo caminho. Faz sentido.
  • A coisa começa a ficar realmente interessante, quando percebemos que se a cultura vale 1,7% do VAB nacional, está logo atrás das telecomunicações, com 1,9%, logo à frente das Indústrias alimentares (1,6%), do Alojamento, dos Seguros e da Agricultura (todos com 1,5%).

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  • A sério? Temos ministros a encher a boca com a "lavoura" e nem Ministério da Cultura temos? E o que dizer de alguns dos maiores anunciantes do país (e patrocinadores da cultura), as telecomunicações, ali duas míseras décimas à frente?
  • Já agora, a cultura pesa 2% no emprego. Muita gente.
  • Em relação a salários, aliás, a coisa pia mais fino. "A remuneração média foi, nas atividades relacionadas com a cultura, cerca de 13% superior à remuneração média da economia". Mas porquê?
  • Mais abaixo, vamos perceber duas coisas: uma, que o Audiovisual e multimédia e a Publicidade contribuem para distorcer este valor, estando respetivamente 50,9% (!) e 35,4% acima da média nacional; duas, bem mais grave, que há setores, onde a proporção de emprego não remunerado me parece a mim, leigo, escandalosa: na Arquitetura é de 39%, nas Artes do Espetáculo é de 51%.
  • Ou seja, mais de metade das pessoas que trabalham em Artes do Espetáculo (música, teatro, etc.), não recebem.

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  • Fiquemos descansados, "o peso relativo do emprego remunerado no emprego total, na cultura, foi semelhante ao nacional (84,4% e 85,5%, respetivamente)." A sério? Há cerca de 15% empregados à borla em Portugal? Não, não vou entrar na guerra dos números do desemprego.
  • Ainda sobre o emprego, note-se que apenas 62% da criação é remunerada e 100% da Gestão/Regulação o é. Giro, hã?

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  • Acabemos numa nota otimista: "É também de referir a diminuição do défice do comércio externo de bens e serviços culturais. Esta evolução refletiu uma redução das importações em 2011 maior que a observada nas exportações. Em 2012, a redução do défice foi determinada pelo significativo crescimento das exportações e pela diminuição das importações." Efeitos secundários da globalização?

Visto tudo isto, há muito por onde refletir, mesmo com números relativamente antigos, mas eu que vivo em Lisboa, que me congratulo com a vida cultural da cidade, dinâmica o bastante para raramente faltar o que fazer, deixo só duas questões finais.

  • Como é próprio do INE, este é um retrato a grande altitude e que considera sub-setores muito diferentes. Ficam-me muitas dúvidas sobre os efeitos estruturais, sobre a própria estrutura do setor, que tem de ir, repito, do mais inovador para pequenos públicos, ao generalista para as massas. E essa não é uma avaliação económica.
  • 2015 será, tudo indica, um grande ano para o setor do Turismo em Portugal. Vejo os tuk-tuks passar, as tascas gourmet a florescer e pergunto-me, então e a cultura, como vai, nesse retrato? Visitas ao património edificado apenas? E os museus, crescem? E os espetáculos, são comunicados para os turistas? E eles vão? E os nichos, a música clássica, a cultura popular regional, a cultura LGBT, a poesia (ficava aqui o resto da tarde), estamos a comunicar para eles?

Valha-nos o tanto trabalho que há para fazer. Remunerado, esperemos.