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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Overnight

Parcels ~ Overnight

Produced by Daft Punk
Co-produced by Parcels
Written & composed by: Jules Crommelin, Patrick Hetherington, Noah Hill, Anatole Serret, Louie Swain, Thomas Bangalter, Guy-Manuel de Homem Christo

Recorded and mixed by Florian Lagatta at Gang Recording Studio
Mastering & Vinyl Cutting – Benjamin ‘’BiNJ’’ Weber
 
Artwork by Ezra Petronio

Daft Science

A FREE album of Beastie Boys remixes, using only Daft Punk samples.
Unfortunately it looks like this is going to be stream only for the foreseeable future. As you can imagine things are pretty pretty crazy over here. Sorry to everyone that missed out. :(
credits - released July 1, 2014

 

Original Music by The Beastie Boys & Daft Punk
Remixing by COINS
Illustration: Ryan Snook
Art Direction: Studio Function

Daft Signz

Daft Punk "Lose Yourself To Dance" AKA Daft Signz from Daft Signz on Vimeo.

Every wednesday at a suburban Los Angeles park in North Hollywood, a group of talented individuals come together to create a form of self-expression you may have never experienced before: a mind-blowing synthesis of sign spinning and street dance.

Daft Signz celebrates this California-born phenomenon.

Directed by Nicolas Randall and Joe Stevens
Created by Randall Stevens Industries
Production by Kaboom
Cinematography by Alex Disenhof

http://randallstevensindustries.com
http://vimeo.com/nicolasrandall
studio@randallstevensindustries.com

Featuring: Erik Argote, Kadeem Johnson, Justin Brown and Ray Rivera.

Please share to the world with the hash tag #DAFTSIGNZ via http://daftsignz.com

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@daftsignz

YouTube.
http://youtu.be/LHoEcFjJAX4

Lose Yourself To Dance (featuring Pharrell Williams) out now on iTunes:
‪http://smarturl.it/LoseYourselfToDance‬

Random Access Memories, now in-stores:
iTunes: http://smarturl.it/RAMiTunes
Amazon (CD/LP): http://smarturl.it/ram-amazon
Direct (CD/LP): http://www.myplaydirect.com/daft-punk

(p) 2013 Daft Life Limited under exclusive license to Columbia Records, a Division of Sony Music Entertainment.

Você decide.

Escrevi um texto sobre Random Access Memories no SAPO Música. Saiu ontem, ei-lo aqui.

- Já ouviste o novo disco de Daft Punk?

- Alguém ainda não ouviu o novo disco de Daft Punk? Está em streaming à borla na net, já leakou em versões oficiais e oficiosas vinte vezes, há covers, versões, remixes, cabras a cantar. Antes de sequer chegar às lojas, teve aquela série de vídeos dos Collaborators, teasers de teasers, um single, capas de revistas sem fim. Até a Pitchfork se rendeu. É só marketing, esse disco.

- Sim, a campanha de lançamento foi genial, mas já ouviste o disco?

- Ouvi sim senhor. E acho uma parvoíce. O hype foi tão grande que estava à espera que a minha cabeça explodisse com a novidade e começasse a sangrar das orelhas. Estava à espera de algo tão inesperado e polémico como quando eles começaram. Afinal, prometeram-nos reinventar a música eletrónica. A verdade é que aquilo soa a anos 70 e 80 requentados e tem lá as múmias que ajudam a isso, o Moroder e o Rodgers e o Williams.

- O Pharrell?

- Não, o Paul.

- Essas múmias como tu lhes chamas foram importantíssimas a definir a pop dos últimos 30, 40 anos, são grandes músicos e produtores, referências bem recuperadas para injetar alguma vida à pop atual em que é tudo parecido. E também há o Casablancas e o Panda Bear e o Pharrell, claro. Esses também são múmias?

- Boas maneiras de vender o disco a mais gente.

- Não sejas assim, são contribuições excelentes. O disco é variado e complexo, exige ser ouvido várias vezes.

- Eu sei que ninguém tem memória hoje em dia. Mais e mais informação, criação, produção humana está disponível de forma quase instantânea. São imensos os casos bizarros que demonstram isto na internet: gente que morre todos os anos só porque alguém volta a publicar a notícia; bandas que fazem covers de originais em que os autores originais são acusados de imitadores, só porque os primeiros têm mais "fãs". É uma confusão. Por isso é natural que haja gente a ouvir isto e a pensar que é novo.

- Mas ouve lá, a música pop sempre viveu da nossa memória curta e da nossa vontade de regressar a lugares sonoramente confortáveis – o digital só o veio reforçar. A reciclagem de acordes, ritmos, arranjos, processos, formações de bandas, o reinventar de sons já inventados, o eterno retorno do rock, do funk, do folk, da soul, deste ou daquele sample, deste ou daquele ritmo fazem parte do dia-a-dia da música popular. O que não é necessariamente mau, se nos soubermos orientar.

- Estás a dar-me razão.

- Nada disso. O que é interessante neste disco é esta reciclagem permanente ser assumida, trabalhada, explicada, demonstrada sem pudor e acabar por se revelar como um nó no contínuo espaço-temporal da música que ouvimos hoje em dia. São trinta, quarenta anos de música reinventados. É uma ambição tremenda. Se o achamos diferente ou igual, cool ou cheesy, chato ou divertido, reacionário ou inovador parece-me ser mais uma questão pessoal.

- Que drogas é que tu andas a tomar?

- No fim, o que vale mesmo a pena é ouvir. Até porque se pode ouvir antes de comprar, antes de decidir recompensar o artista. Por mim gosto muito da "Instant Crush" que me parece melhor que o último álbum de Strokes, da "Lose Yourself To Dance" e da "Get Lucky" que me dão vontade de dançar, da "Doing It Right" mesmo não mencionando o Benfica nem estando na banda sonora de um filme dos anos 80, a "Motherboard" lembra-me Moloko e o delírio final de "Contact" encerra bem o álbum.

- Põe lá isso a tocar outra vez.