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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Deus Me Dê Grana

Dead Combo - Deus Me Dê Grana
(Pedro Gonçalves / Tó Trips)
Tó Trips: Electric & Acoustic Guitars, Voice, Claps
Pedro Gonçalves: Double Bass, Claps
Alexandre Frazão: Drums, Claps
Alain Johannes: Voice, Claps
Recorded by Alain Johannes at Namouche Studios

 

Director: André Tentugal
Producers: Joana Cordeiro e Mafalda Moura
Styling: Matilde Ramos
Make up: Maria Fontes
Image Assistant: Tomás Cazaux
Cast: António Torres, Alexandra Domingues, Francisco Bessa Moura, Goretti Sousa, Helena Cristina Silva, José Daniel Santos, Orlanda Barbosa, Stella Brabetz and Tomás Sousa
Filmed at the Hotel Peninsular, Porto, March 2018

Dead Combo - Povo Que Cais Descalço

 

"Um país abandonado, deixado à mercê de um destino que não se vislumbra no horizonte. Um povo descalço, que cai a cada passo que dá, empurrado por uma gigantesca mão feita de aço. Paisagens inóspitas arrancadas, à força, do coração de que é feito esta gente. Um coração que bate, forte, indestrutível. O povo que cai, mas que se ergue sempre após cada queda e continua a caminhar. O povo que é o país, o povo que somos nós. Todos." Dead Combo

 

Realizado por / Directed by:
Daniel Costa Neves

 

Produzido por / Produced by:
Daniel Costa Neves / Dead Combo / Paulo Pato

 

Agradecimentos / Thanks to:
Ainhoa Vidal, Hélder Nelson, José André e Carlos Almeida (Irmã Lúcia SFX), Julia Doesch, Kilito, Lydie Bárbara & João Figueiras (Blackmaria Produções), Mário Melo Costa, Pelouro da Cultura da C.M. Braga, Polícia Municipal de Braga e Theatro Circo de Braga.

 

2014 © Daniel Costa Neves / Dead Combo

 

www.deadcombo.net
www.danielcostaneves.com

Lisboa mulata.

Lisboa é a minha cidade, por destino e eleição. Destino visto que foi nela que nasci e como qualquer recém-nascido, cheguei cá sem escolha na matéria. Eleição porque em todos os momentos em que coloquei a hipótese de viver ou trabalhar noutro local, escolhi sempre ficar. Ainda agora, quando o país inteiro parece suspirar baixinho pela fuga, insisto em não ir. Se calhar é preguiça, mas isso é outra conversa.

Ontem na Aula Magna houve quase três horas de Dead Combo e a sua música, mas a sua música é quase toda a música e os Dead Combo trouxeram amigos, começando pelo grande Camané, acabando na Royal Orquestra das Caveiras, a saber a Ana Araújo ao piano, o João Cabrita, o João Marques e o Jorge Ribeiro nos sopros e o inexcedível Alexandre Frazão na bateria. A fazer coro, as Víboras do Chiado.

A música dos Dead Combo é o que Lisboa devia querer ser, quando não anda gaiteira a tentar ser Paris ou Barcelona. Escrevi algures que era meia cidade e a outra metade era o Tejo, que ainda por cima é aqui quase mar, entrada, saída, trânsito, vontade de ir e voltar, sons do mundo todo subindo dos cais para os miradouros para inquietar-nos e deleitar-nos, mistura e vistas largas, de becos e vielas para onde o olhar e o ouvido alcançar. Ouvi blues mas se calhar era jazz, um fado que cheirava a morna, boleros, marchas e rock, um assobio que era do Vasco Santana e tudo era imenso, nada era tacanho, provinciano, assim são os Dead Combo. Foi uma festa em tempos difíceis.

Não resisto a deixar aqui abaixo o "Esse olhar que era só teu" que eles tocaram na redação do SAPO há uns tempos. E sim, a guitarra é mulata. A fotografia é da Rita Carmo.