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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Que força é esta?

Estreia hoje aquele filme-cujo-nome-não-vale-a-pena-dizer porque está em todo o lado. Todos os anos, contudo, dou um par de aulas no ISCTE debaixo do título esotérico "Narrativas Digitais e Entretenimento Transmedia" e um dos temas que abordo precisamente é o das franchises que dominam o mundo do audiovisual em geral e o do cinema em particular. Escolhi, aliás, para nome das ditas aulas, este ano, "A Tale of Many Franchises".

A paráfrase de Dickens, é propositada:

It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to Heaven, we were all going direct the other way – in short, the period was so far like the present period, that some of its noisiest authorities insisted on its being received, for good or for evil, in the superlative degree of comparison only.

O tema do "The Tale of Two Cities" é a Revolução Francesa mas aplica-se na perfeição a um ano que se arrisca a ser o melhor de sempre em receitas de bilheteira mas assente apenas em meia dúzia de filmes produzido por um par de empresas, um ano em que há mais televisão do que nunca para ver mas se calhar há televisão demais para ver. E por aí fora.

Há um tema (praticamente) ausente nas minhas aulas mas que é na verdade a fundação de toda a conversa: a questão do copyright. O copyright foi inventado para proteger a criatividade e a inovação, para recompensar quem perdia tempo a inventar, não foi inventado para proteger herdeiros, franchises e companhias multibilionárias. Mas a Disney é uma das maiores empresas americanas e do mundo e é fundada sobre o valor continuado do copyright. Portanto não duvidemos, o modelo vai ser prolongado até ao limite, esticado até render, o que é, provavelmente, sempre.

Diga-se que sou um fã de space operas, space movies em geral, do Star Wars em particular (there, I said it). Acho que é daqueles nós culturais que ata o contexto em que surge, a cultura pop, a capacidade de contar histórias e ainda por cima... vende brinquedos. E logo, quando estiver no escurinho do cinema e as letras aparecerem no ecrã, vou arrepiar-me, claro que sim.

As aulas ficam abaixo e que a força tal e coisa...

A tale of many franchises from Luís Soares

Wreck-It Ralph.

Sim, é verdade, é mais uma animação 3D com aquele aspeto plástico que as faz parecer terem saído todas do mesmo estábulo, mas "Wreck-it Ralph" é uma espécie de geek wet dream, um pouco como o "Ready Player One" do Ernest Cline (por falar nisso, sabiam que ele está a oferecer um DeLorean?), mas disneyficado, isto é, colorido e com criancinhas irritantes. Lembrou-me também o "Monster Inc" da Pixar. Ah e tal, há um mundo por trás do mundo onde é construída a fantasia. A ver vamos. Seja como for, é um sinal do triunfo crescente da cultura geek no mainstream. Fica o trailer.

 

Regarding The Jonas Brothers.

Às vezes a snobeira faz-me ignorar determinados fenómenos culturais por preconceito, por achar que não sou o target ou porque sim. Nada disto deixa de ser verdade, mas este artigo demonstra por A+B que os Jonas Brothers são um fenómenos preocupante. Só não concordo que sejam particularmente mais preocupantes que todos os outros fenómenos de música teen pop pré-fabricada. A Britney também foi advogada da virgindade, lembram-se? Os Jonas Brothers são talvez mais sofisticados na sua máquina, mas a Disney é a Disney e as maravilhas do digital (quase) tudo permitem. Até jactos de espuma branca em 3D...