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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Como Um Sonho Acordado

Como se a Terra corresse 
Inteirinha atrás de mim 
O medo ronda-me os sentidos 
Por abaixo da minha pele 
Ao esgueirar-se viscoso 
Escorre pegajoso 
E sai 
Pelos meus poros 
Pelos meus ais 
Ele penetra-me nos ossos 
Ao derramar-se sedento 
Nas entranhas sinuosas 
Entre as vísceras mordendo 
Salta e espalha-se no ar 
Vai e volta 
Delirante 
Tão delirante 
É como um sonho acordado 
Esse vulto besuntado 
A revolver-se no lodo 
A deslizar de uma larva 
Emergindo lá no fundo 
Tenho medo ó medo 
Leva tudo é tudo teu 
Mas deixa-me ir 

Arrasta-me à côncava do fundo 
Do grande lago da noite 
Cruzando as grades de fogo 
Entre o Céu e o Inferno 
Até à boca escancarada 
Esfaimada 
Atrás de mim 
Atrás de mim 
É como um sonho acordado 
Esses olhos no escuro 
Das carpideiras viúvas 
Pelo pai assassinado 
Desventrado por seu filho 
Que possuiu lascivo 
A sua própria mãe 
E sua amante 

Meu amor quando eu morrer 
Ó linda 
Veste a mais garrida saia 
Se eu vou morrer no mar alto 
Ó linda 
E eu quero ver-te na praia 
Mas afasta-me essas vozes 
Linda 

Tens medo dos vivos 
E dos mortos decepados 
Pelos pés e pelas mãos 
E p´lo pescoço e pelos peitos 
Até ao fio do lombo 
Como te tremem as carnes 
Fernão Mendes

Foi Por Ela

Quinta das Canções #1 - Foi por Ela / Letra e Música: Fausto Bordalo Dias

A Quinta das Canções é a nova proposta de André Santos e Salvador Sobral. Todas as quintas-feiras os dois músicos e amigos tocarão um tema da sua preferência, destacando canções que os inspiram. Esta é uma forma despretensiosa mas muito afectiva, em que André Santos e Salvador Sobral decidem homenagear os seus afectos, admirações e influências musicais. De espírito livre e sem regras. É assim a música.

O Barco Vai De Saída

O barco vai de saída
Adeus ao cais de Alfama
Se agora eu vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P'ra lá da loucura
P'ra lá do Equador

Ah mas que ingrata ventura
Bem me posso queixar
da Pátria a pouca fartura
Cheia de mágoas ai quebra-mar
Com tantos perigos ai minha vida
Com tantos medos e sobressaltos
Que eu já vou aos saltos
Que eu vou de fugida

Sem contar essa história escondida
Por servir de criado a essa senhora
Serviu-se ela também tão sedutora
Foi pecado
Foi pecado
E foi pecado sim senhor
Que vida boa era a de Lisboa

Gingão de roda batida
corsário sem cruzado
ao som do baile mandado
em terra de pimenta e maravilha
com sonhos de prata e fantasia
com sonhos da cor do arco-íris
desvairas se o vires
desvairas magia

Já tenho a vela enfunada
marrano sem vergonha
judeu sem coisa nem fronha
vou de viagem ai que largada
só vejo cores ai que alegria
só vejo piratas e tesouros
são pratas, são ouros,
são noites, são dias

Vou no espantoso trono das águas
vou no tremendo assopro dos ventos
vou por cima dos meus pensamentos
arrepia
arrepia
e arrepia sim senhor
que vida boa era a de Lisboa

O mar das águas ardendo
o delírio dos céus
a fúria do barlavento
arreia a vela e vai marujo ao leme
vira o barco e cai marujo ao mar
vira o barco na curva da morte
e olha a minha sorte
olha o meu azar

e depois do barco virado
grandes urros e gritos
na salvação dos aflitos
estala, mata, agarra, ai quem me ajuda
reza, implora, escapa, ai que pagode
reza, treme, heróis e eunucos
são mouros são turcos
são mouros acode!

Aquilo é uma tempestade medonha
aquilo vai p'ra lá do que é eterno
aquilo era o retrato do inferno
vai ao fundo
vou ao fundo
e vai ao fundo sim senhor
que vida boa era a de Lisboa

Noiserv does Fausto (live)

Direção Antena 3: Nuno Reis, Henrique Amaro e Luís Oliveira
Músicos: David Santos
Autoria: Noiserv
Realização, fotografia e edição: André Tentugal
Produção: Joana Cordeiro e João Brochado
Assistente de Produção: Margarida Sá Coutinho
Operadores de Imagem: André Tentugal, Luís Cardoso e Vasco Mendes
Maquilhagem: Maria Fontes Make up
Grafismo: Tiago Tobias
Gravação áudio: João Brandão, Cláudio Tavares e Miguel Pereira
Assistente de Gravação: Luís Neto
Mistura: Cláudio Tavares
Masterização: Miguel Pinheiro Marques no SDB Mastering Studio
Coordenação Geral: Henrique Amaro
Produtora Delegada RTP: Ana Paula Velez

Gravado nos Estúdios Sá da Bandeira, Porto, 2016

Vicente Palma - Como Um Sonho Acordado (Fausto)

Piano e vozes: Vicente Palma
Coro: Rui Berton, Pedro Martinho e Miguel Fonseca

 

Vídeo e montagem: Rui Berton

 

O Fausto é um dos nossos Grandes, uma lenda viva e uma referência musical fundamental para mim.

A propósito do 40º aniversário do 25 de Abril, fui convidado para participar n' "Os Dias Cantados", iniciativa da Antena 1. Escolhi a "Como Um Sonho Acordado", do Fausto, e entreguei-me por completo. É fácil quando estamos a falar do melhor que a música portuguesa tem para nos dar.

O Fausto tem uma forma muito própria de fazer coros: no caso desta música, pedi à minha banda que viesse cantar comigo este refrão (se é que assim o podemos apelidar) tão negro e tão belo. Hei-de voltar ao "Por Este Rio Acima"...

 

Acompanhem-me também no Facebook: www.facebook.com/VicentePalmaOficial

 

Como se a Terra corresse
Inteirinha atrás de mim
O medo ronda-me os sentidos
Por baixo da minha pele
Ao esgueirar-se viscoso
Escorre pegajoso
E sai
Pelos meus poros
Pelos meus ais
Ele penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas
Entre as vísceras mordendo
Salta e espalha-se no ar
Vai e volta
Delirante
Tão delirante
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo
A deslizar de uma larva
Emergindo lá ao fundo
Tenho medo, ó medo
Leva tudo, é teu
Mas deixa-me ir

 

Arrasta-me à côncava funda
Do grande lago da noite
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada
Esfaimada
Atrás de mim
Atrás de mim
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado
Desventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante

 

Meu amor quando eu morrer
Ó linda
Veste a mais garrida saia
Se eu vou morrer no mar alto
Ó linda
E eu quero ver-te na praia
Mas afasta-me essas vozes
Linda

 

Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E p´lo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo
Como te tremem as carnes
Fernão Mendes