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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Limpeza de tabs.

Só para fechar aqui uma série de Tabs que estão abertas com coisas sobre as quais nem me apetece escrever muito.

O P.T. Anderson prepara um novo filme com o Philip Seymour Hoffman, de nome "Master", mas no contexto de crise actual, não me parece que seja um parto fácil. A Universal diz que só decide se paga, depois de ler o guião.

Por falar em Universal, já toda a gente sabe que a Comcast chegou a acordo com a GE para comprar a NBC Universal, por coisa pouca, uns 20 biliões (americanos) de dólares. Coisa pouca. Tenho curiosidade de ver o "30 Rock" a fazer piadas sobre o assunto. A Tina Fey adora explorar a relação entre a NBC e os seus agora futuros ex-donos, a General Electric. É claro que tudo isto me lembra sobretudo a grande polémica da PT querer comprar a TVI, coisa que na altura me pareceu um movimento sensato e interessante. Mas em Portugal nada nunca é simples.

Ainda sobre cinema, vale a pena ler esta conversa com o Tom Ford, realizador do "A Single Man", que a crítica, aparentemente contrariada, tem elogiado. Cá o espero. Assim como espero o Morgan Freeman a fazer de Mandela no "Invictus" do Eastwood. Coisas boas a caminho dos ecrãs.

Saltitando de novo para a televisão, um crítico do "The Hollywood Reporter" (Barry Garron) escolheu as que eram para si as dez melhores séries da década (em primeiro lugar "The Sopranos"). O herege excluiu o "The Wire" e o "Boston Legal", mas gostos não se discutem. E eu até gosto de uma das escolhas mais polémicas dele, o recentíssimo "Modern Family". Já menos compreensível é que o Ipsilon online dê a notícia de forma tão incompleta e mal informada. Seria de agência?

Uma última nota para este blog que o Viegas tem divulgado a bom divulgar e aleluia por isso. Chama-se "O Silêncio dos Livros" e é constituído integralmente por imagens de pessoas a ler, seja em fotografia, seja em pintura. Que delícia. Aqui abaixo fica um Hopper, como não podia deixar de ser.

Três portugueses.

Li de seguida três romances de autores portugueses. A saber, "Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas" de Ricardo Adolfo, "Deixem passar o homem invísivel" de Rui Cardoso Martins e "O Mar em Casablanca" de Francisco José Viegas. E são todos profundamente portugueses, cada um à sua maneira.

O primeiro é o mais surreal dos três, transformando em parábola o confronto de um casal emigrante com uma Inglaterra onde não percebem nem a primeira palavra. Da incomunicação do casal à incomunicação das civilizações, o "português" aparece como aquele anti-herói que mesmo sem nada saber do que se passa à sua volta vai sempre fugindo para a frente ("e seja o que Deus quiser").

O segundo, arreigadamente lisboeta e não menos dado ao simbolismo parece apesar de tudo ter menos a intenção da prelecção ao leitor por essa via e deleita-se no seu pequeno circo de personagens que navegam a Lisboa dos desastres, presente e passada (digo eu enquanto olho pela janela e lá fora parece o dilúvio).

O terceiro, colocado à transparência, parece colar cada vez mais a sombra de um Jaime Ramos que vai envelhecendo a um Francisco José Viegas com o seu prazer do mundo, do fumo, da boa comida e bebida. Sim, pelo meio há uma intriga policial que percorre três continentes entre a Internacional e a sua desilusão, mas o que vai tocando no livro é aquele Ramos a ver se se arruma na vida (e hei-de experimentar aquele arroz com filetes de sardinha).