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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Lo And Behold.

Legendary master filmmaker Werner Herzog (Grizzly Man, Cave of Forgotten Dreams) examines the past, present and constantly evolving future of the internet in LO AND BEHOLD: REVERIES OF THE CONNECTED WORLD. A provocative and illuminating documentary produced by NETSCOUT, a world leader in real-time service assurance and cyber security, LO AND BEHOLD traces what Herzog describes as "one of the biggest revolutions we as humans are experiencing," from its most elevating accomplishments to its darkest corners. Featuring original interviews with cyberspace pioneers and prophets such as Elon Musk, Bob Kahn, and world-famous hacker Kevin Mitnick, the film travels through a series of interconnected episodes that reveal the ways in which the online world has transformed how virtually everything in the real world works, from business to education, space travel to healthcare, and the very heart of how we conduct our personal relationships.

Everything is a Remix Remastered

Everything is a Remix Remastered (2015 HD) from Kirby Ferguson on Vimeo.

--->Get the Everything is a Remix t-shirt on Kickstarter: http://kck.st/1LshGJc
--->Become my Patron for more free videos: www.patreon.com/kirbyferguson
--->Check out my acclaimed new series: www.thisisnotaconspiracytheory.com

For the first time, the whole series as a single video in HD.
Written and Remixed by Kirby Ferguson

In the five years since the series launched, Everything is a Remix has been viewed over two million times and produced a popular TED Talk. Amazingly, Remix continues to change the way people think about creativity, originality, and copyright.

To celebrate the five year anniversary, I've polished up the original four parts and merged them into a single video. For the first time now, the whole series is available as a single video with proper transitions all the way through, unified styling, and remixed and remastered audio. Part One has been entirely rebuilt in HD.

Full sources available at www.everythingisaremix.info

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Facebook: www.facebook.com/everythingisaremix

Estará tudo iluminado.

Pediram-me um texto sobre o futuro, digamos que daqui a uns vinte anos, para celebrar os vinte anos do SAPO. O futuro do SAPO, como todo o futuro, é uma incógnita. Mas escrevi isto:

 

Viveremos vidrados em ecrãs como cerâmica luzidia sem saber de que lado do vidro estamos, se dentro se fora. Estaremos dos dois lados ao mesmo tempo, em todo o lado todo o tempo, vendo, fazendo e sendo imagens. Até porque o vidro mais não é do que pó liquefeito e para ser barro basta juntar-lhes os nossos 70% de água.

Verdade, verdadinha, o vidro já não vai interessar porque já nem os ecrãs serão ecrãs, não estarão nos nossos bolsos, nas nossas salas, nas nossas mesas de trabalho, serão a roupa que vestimos, todas as paredes, as esquinas dos prédios, as mesas em que pousamos aas mãos, nas nossas peles, nos nossos olhos a fazer de retina. Todo o mundo será imagem.

Quando quisermos olhar para fora das janelas dos nossos prédios altos de Babel, imaginando ainda transparentes os nossos vidros, não teremos já a certeza do que existe porque em toda a realidade haverá fabricação. E o que é que isso interessa? Não veremos as praias onde dão à costa o lixo e os corpos, mas sim paraísos impolutos de prazer onde o sol brilha o ano todo. O mundo inteiro será feito de luz mais brilhante que o sol. E nem os túneis do metro serão escuros, tudo será iluminado.

Os séculos têm o mau hábito de ser resultado da história e deixar o seu rasto lamacento na história. Ao terrível vinte sucede o não menos terrível vinte e um, mas tanto ecrã, tanta imagem no nosso futuro… De quem serão as câmaras? Quem produzirá a realidade? De que lado do vidro estarão verdadeiramente os nossos olhos? Porque, como diz o Zeca, podemos ser como a toupeira e esburacar. E não há luz que não se veja.

 

William Gibson's London.

Não me canso do William Gibson porque ele diz em entrevistas, coisas destas:

We can attempt to legislate technology after the fact, but it keeps on coming. Its nature is to be completely out of control. Nobody legislates technology into being. They don’t legislate the birth of the Internet or cellphones or anything. They’re called forth into the market, and the people who call them forth often have absolutely no idea how these things they've thought of will most change society. It’s impossible to tell until people have the things, and they’re using them.

Mas o motivo mais imediato para este post é uma polémica londrina. No seu último romance, 'The Peripheral', parte importante da ação situa-se numa Londres futura (mais ou menos um século no futuro) pontuada por shards, nostalgia do passado, tecnologia fora de controlo e uma classe de super ricos.

O que está a acontecer em Londres, por estes dias, aponta com certeza para este caminho. Um anúncio da Redrow London, promotor imobiliário gerou a polémica. Os autores do anúncio achavam, cito a partir deste artigo do The Guardian:

“We tried to do something a bit new and different from the typical property videos out there, but we accept that maybe we didn’t get it quite right with this one!”

O anúncio é este:

Rapidamente a Internet, nomeadamente por via do Twitter, pegou na coisa e revelou-lhe a alma. Também li o 'Kingdom Come', último romance do J.G. Ballard, o ano passado e lembrei-me dele, claro, mas nada como a versão abaixo, que pega nas imagens do anúncio da Redrow e lhes sobrepõe falas de Patrick Bateman, o psicopata ficcional de Brett Easton Ellis.

É como aquelas versões de músicas que revelam a verdade que a música original parecia não ter conseguido.

A cópia privada em sete pontos e uma coda.

Sobre a chamada proposta de lei da cópia privada, partamos do pequeno para o grande.

 

1. Arrumemos o timing veraneante da coisa, o desrespeito pelo país, a ausência de debate público alargado, a falta de consulta de todas as partes a quem o assunto pode dizer respeito. Tudo mau.

 

2. Quanto aos beneficiários, arrumemo-los também. Em 1993 e em 2003 houve inquéritos à SPA perante acusações de má gestão, de desvio de fundos. Está na altura da cena se repetir. Mas presumamos a inocência de todos os beneficiários, as várias associações. Estas acusações surgem em primeiro lugar porque é absolutamente opaco o uso que fazem dos fundos que recebem. O seu trabalho em prol dos artistas, da sua defesa, da promoção da cultura é quase invisível. E no entanto, o Estado, ao fazer aumentar os fundos que elas recebem, não lhes exige compromissos de transparência, planos de atividades de promoção da cultura, formação, trabalho sério no terreno.

 

3. A própria existência destas associações é, se não evoluírem, profundamente anacrónica. O seu nascimento está ligado à primeira vaga de generalização da rádio e da televisão. A sua sobrevivência tem-se revelado inadaptada a um mundo globalizado, digital, desmaterializado. Tanto é assim que cada vez menos artistas, autores, gente da cultura sente a sua necessidade. Falo por mim. Nunca percebi qualquer vantagem em inscrever-me na SPA. Nunca o fiz.

 

4. A outra coisa profundamente anacrónica é o taxar dos suportes físicos. Se isto tivesse sido feito, vá, há três anos que fosse, talvez ainda pudesse haver algum argumento a favor mas neste momento os modelos de financiamento e distribuição cultural estão a desmaterializar-se, a apostar no streaming, na cloud, no freemium, no crowdfunding, no circuito de festivais e eventos, na colocação em sites internacionais e globais, o Facebook, o Vimeo, o Youtube, o Flickr, o Soundcloud. O tempo não espera e continuamos a tentar apanhar comboios que aceleram e nos fogem.

 

5. Tudo isto para dizer que a lei representa uma extensão de um modelo anacrónico, uma fuga para a frente assente sobre muletas, uma transferência do financiamento de associações opacas para os consumidores. Quando não são os consumidores que estão a ganhar dinheiro com os novos modelos, são os operadores de telecomunicações, as grandes multinacionais de serviços digitais e, numa escala evidentemente muito menor, os novos artistas que sabem usar as novas ferramentas. E estes precisam de ser estimulados, trabalhados, comprometidos com um futuro mais risonho do ponto de vista da cultura. Eu apostaria que os maiores financiadores dos produtores e distribuidores de música (e em breve de cinema – de televisão já são), serão estes, as grandes operadoras, as grandes plataformas digitais.

 

6. Mas o problema é mais grave que tudo isto. A lei pressupõe que existe uma diminuição das receitas do lado dos artistas e produtores (ao assumir que os artistas e produtores são as associações que já nem sequer os representam) por efeito da pirataria. Existirá, não a nego. Mas o problema fundamental não é esse. O problema fundamental é o profundo desinteresse da sociedade portuguesa pelo consumo cultural, seja sob que forma for. Esta lei não faz absolutamente nada para o combater. Pelo contrário. Remete mais uma vez a cultura para o gueto dos assuntos esquisitos onde ‘os gajos nos querem sacar mais uns cobres’.

 

7. Last but not least. Desenganem-se aqueles que acham que isto é ‘um problema desses tipos da cultura’. Não é. As mudanças de paradigma provocadas pela tecnologia são neste momento profundas, avassaladoras, incontornáveis. Não considera-las seriamente é um erro grave que nos pode custar o futuro. Achar que é só uma questão de atualizar os modelos que existem é enfiar a cabeça na areia, ganhar uns meses, no máximo um ano ou dois. A mudança é estrutural. Precisamos de novas maneiras de pensar o mundo.

 

Em jeito de coda, deixo um documentário curto (quinze minutos) chamado ‘Humans Need Not Apply’. O esforço dos autores para não tomar posição é notável, talvez para não assustar quem o vê, mas a verdade é que o futuro já chegou e não vale a pena fechar os olhos.

 

SkyNet will become self-aware with a slight delay.

Thank you for waiting.

O título deste post é obviamente uma referência aos filmes da série Terminator, em particular os dois primeiros, inovadores de muitas maneiras. É claro que computadores capazes de pensar e tomar decisões não eram coisa nova na ficção científica. Talvez o mais famoso seja o infame Hal 9000. E uns anos depois houve também a Matrix.

Há uns dias, li um artigo de Jaron Lanier sobre como a tecnologia estava a destruir o tecido social do pós-guerra (como se isso fosse uma novidade). O senhor Lanier foi um dos pioneiros do conceito de Realidade Virtual. Sobre essa expressão, hoje caída em desuso, dizia a Laurie Anderson que lhe parecia demasiado limpa, havia pouco pó, pouco lixo. Nos óculos do Google, o conceito operacional é o de Realidade Aumentada, que resolve esse problema com lixo real, mas este post não é sobre isso.

O discurso de Lanier sobre como a Internet (tomada como símbolo da inovação digital) está a destruir a classe média e com isso a destruir a democracia é particularmente interessante se pensarmos que a tecnologia e a globalização desregulada desempenharam e desempenham papel importante na atual crise financeira global. Sem sistemas de trading automatizados, a especulação não seria a mesma coisa. Mais uma vez, este post não é sobre isto, mas estas questões são como as cerejas.

Tudo isto vem desta notícia sobre a aliança entre a NASA e o Google no domínio da computação quântica. E esta citação devolve-me ao título do post.

In many ways, the Google-NASA partnership represents a new Manhattan Project, but instead of the aim being a nuclear explosion, the goal is to simulate the human brain, a feat that Google's Director of Engineering, Ray Kurzweil, believes will be completed before the end of the next decade.

Following Kurzweil's line of reasoning, the vast increase of computing power enabled by quantum computers will result in a technological singularity by the mid 2030's, where machines will self-replicate, power similar trends of accelerating returns in fields such as nanotechnology, genomics and energy and, eventually, merge with humans.

O William Gibson é que dizia, a propósito da maneira como tinha imaginado e escrito o ciberespaço, que a ideia dele era avisar as pessoas, desenhar um futuro distópico que nos servisse de alerta. Assustava-se ao ver o entusiasmo com que os seus contemporâneos abraçavam o conceito. A ficção científica tem estas coisas de nos avisar sobre os perigos de um futuro que nos apressamos a construir.

Escrevi, há muitos anos (em 1997 - o ano em que, no filme, a SkyNet é suposto tornar-se consciente) para aí, que estávamos num momento de revolução [digital] e que o mundo estava a mudar. Com a distância que o tempo me dá, cada vez acredito mais nisso. Nessa altura também, um professor meu dizia que estava a desenhar-se um muro e que ia ser cada vez mais complicado ficarmos sentados nele sem optarmos por cair para um lado, como fazia o Humpty Dumpty da Alice.

Cada vez sinto mais a incerteza do futuro, o desaparecimento do middle ground, o extremar das hipóteses entre liberdade e necessidade, a utopia e a distopia, entre o tudo e o nada. Venham as próximas décadas.

Point of View.

A questão não se resume aos óculos da Google. É uma tendência, um movimento, uma maneira de estar naquela zona cinzenta que cruza o ciberspaço com o mundo dito real, seja ele o que for. Lembro-me de estar há anos numa conferência onde, em jeito de brincadeira, havia um teste para descobrirmos qual era o nosso "grau de ciborguidade". Usar óculos era um dos primeiros critérios para ser considerado ciborgue. Check.

Há também o Instagram e o Foursquare, a timeline do Facebook, as aplicações de foodspotting, outras que registam quanto andamos ou corremos e por onde o fazemos, todo um mundo de maneiras de informar, registar e partilhar as nossas deambulações pelo mundo real.

A propósito disto, só alguns links e pistas para reflexão.

Luke Wroblewskiusou os Google Glasses durante algum tempo e acha que estamos perante um protótipo de tecnologia futura mas que para já o incómodo é maior do que o valor.

O David Zax escreveu um artigo interessante sobre a estética do ponto de vista na primeira pessoa. Ele fala do "Lady in the Lake" mas o Bakali corrige-o e aponta que o primeiro filme filmado com um ponto de vista na primeira pessoa "é alemão e de 1925, uma obra-prima de Ewald Dupont, que nem sequer aparece no IMDB."

Hoje chegou-me também notícia da Memoto Lifelogging Camera, uma máquina fotográfica minúscula wearable que tira e partilha fotografias de 30 em 30 segundos. A visão é simples (?), toda uma vida registada. O vídeo abaixo explica.

Com tudo isto, não me resta fôlego para falar sobre privacidade, espaço público, o panopticon e o big brother mas vale sempre a pena rever as fotos de Richard Ross sobre a arquitetura da autoridade que publiquei ontem.