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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Nineteen Eighty-Four.

O zapping tem destas coisas e ontem, já passava da meia noite, creio, apanhei no Odisseia, canal que quase nunca me lembro sequer que existe, um documentário BBC sobre a evolução da edição e design de paperbacks, essa invenção tão anglófona. O documentário já tem provavelmente uns anos e acabava com as primeiras versões do iPad e do Kindle como "o futuro" que "ameaça" o livro e algumas talking heads perorando sobre o prazer superior de um livro. Não vou entrar nessa conversa de novo, concordo com toda a gente.

O que me interessou foram duas outras coisas. Em primeiro lugar uma entrevista ao designer da capa da primeira edição em paperback de A Clockwork Orange, de Anthony Burgess, David Pelham de seu nome. O autor do livro não gostava, o designer não gostava, foi feita à pressa para aproveitar o impacto do filme de Kubrick. É hoje um clássico. Ah, a roda dentada que circunda aquele olho... é a primeira imagem abaixo.

Antes disso, havia também uma análise da evolução das capas de Nineteen Eighty-Four de George Orwell, contextualizadas historicamente. A última apresentada era de Jonathan Gray e nem o título do livro tinha (é a segunda imagem abaixo). Já agora, o senhor Gray é brilhante, vale a pena ver mais capas dele - no documentário aparecia a trabalhar na capa de Tree of Codes de Jonathan Safran Foer de que sou orgulhoso proprietário.

Isto tudo para chegar à capa da nova edição do livro de Orwell, nos paperbacks da Penguin, que sai no primeiro dia de Março e é a última imagem abaixo. O que é genial nesta capa? Quase tudo. Recupera a capa da primeira edição, sem imagem, apenas o laranja, a tipografia, o pinguim. Acrescenta-lhe o preto que cobre as letras, a redaction de título e autor. O mesmo efeito usado em Zero Dark Thirty. O resultado é uma capa que invoca completamente a opressão, a questão da liberdade, da tortura mas uma capa que só poderia ser compreendida agora, depois do Iraque, de Abu Grahib, do 9/11, profundamente contemporânea sobre o clássico. Não se podia pedir mais. É a terceira imagem abaixo.