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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

The Lost City of Z

Based on author David Grann’s nonfiction bestseller, THE LOST CITY OF Z tells the incredible true story of British explorer Percy Fawcett (Charlie Hunnam), who journeys into the Amazon at the dawn of the 20th century and discovers evidence of a previously unknown, advanced civilization that may have once inhabited the region. Despite being ridiculed by the scientific establishment who regard indigenous populations as “savages”, the determined Fawcett – supported by his devoted wife (Sienna Miller), son (Tom Holland) and aide de camp (Robert Pattinson) – returns time and again to his beloved jungle in an attempt to prove his case, culminating in his mysterious disappearance in 1925.

James Gray.

Até há coisa de um mês, só conhecia de nome o realizador James Gray e passava-me ao lado a sua obra. Falha grave, que corrigi vendo em pouco tempo "The Yards", "We Own The Night" e "Two Lovers".

O cinema está cheio de momentos de verdadeiro amor intermediado pela câmara, entre um realizador e um actor ou actriz. Era assim com Hitchcock e as suas louras (ou James Stewart e Cary Grant, já agora), é assim com Almodovar e Penelope Cruz, com Woody Allen e as suas várias mulheres, com David Fincher e Brad Pitt, em "Fight Club", "Se7en" ou "The Curious Case of Benjamin Button". É assim com James Gray e Joaquin Phoenix.

James Gray realizou até hoje quatro longas metragens e está em pré-produção de uma quinta (curiosamente com Brad Pitt, que está em todo o lado hoje em dia). Dessas quatro, em três Joaquin Phoenix tem um dos papéis principais. Mark Whalberg está também em duas, é verdade, começando por "The Yards", que parece um ensaio geral para "We Own The Night", magnífico policial. Mas é em "Two Lovers" que Gray faz de Phoenix o centro.

James Gray tem sido em primeiro lugar um autor, no sentido clássico, no que ao cinema diz respeito, escrevendo e realizando os seus filmes, assumindo por eles toda a responsabilidade. Nota-se, por exemplo, no tema recorrente da família como raiz e como desagregação, no cenário de Brooklyn e de Brighton Beach, em que Mannhattan ganha o seu estatuto exemplar, mitológico e inatingível.

Em "Two Lovers", Gray atinge a maturidade de uma forma curiosa, abandonando um registo de Film Noir, para contar uma história de amor. Digo curiosa, porque quando vi o filme fiquei a pensar se Joaquin Phoenix seria o actor certo para aquele papel, lembrava-me aqueles actores de trinta anos que Hollywood punha a fazer de adolescentes, mas este desacerto está no coração mesmo do filme e do seu brilhantismo. Ver Phoenix e Paltrow trocando mensagens no telemóvel às tantas da manhã, hesitar entre o entusiasmo irresponsável e as dificuldades da vida adulta é provavelmente das imagens humanas mais contemporâneas e adultas que o cinema americano nos deu nos últimos tempos. Não é a tontice do Judd Apatow (que tem os seus momentos, concedo) nem o registo Indie, Folk, simpático que tem feito escola, é um filme urbano, adulto, clássico, de argumento e actores, enfrentando de frente estes novos trintões que se comportam como adolescentes. E as suas famílias não estão ausentes, não são inimigos, não são alienados distantes, não são comic relief, são famílias reais, hesitando como todas entre o dever e o querer que corre no sangue.

"Duplo Amor", em português, ainda é capaz de estar em exibição por aí, mas já está à venda em DVD e Blu-Ray noutros mercados. Já nem menciono os torrents para demonstrar como é fácil encontrá-lo e vê-lo. Façam isso.

O próximo projecto de Gray é radicalmente diferente e leva como nome "The Lost City of Z". Promete ser um épico com Brad Pitt como estrela, mas Gray permanece como realizador e argumentista. Salto para o estrelato? A ver vamos.