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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Wherever we are, what we hear is mostly noise

“Wherever we are, what we hear is mostly noise” – John Cage

 

We are delighted to announce our latest release in the MUTE 4.0 (1978 > TOMORROW) series: STUMM433, a box set collating an unprecedented selection of Mute artists past, present and future, out in May 2019.

From The Normal, the artist that started Mute, to the label’s newest signing,
K Á R Y Y N, STUMM433 will feature a huge array – over 50 – of Mute artists including Depeche Mode, Yann Tiersen, Liars, Silicon Teens, Irmin Schmidt and many more, all presenting their own interpretation of one piece of music: John Cage’s game-changing composition, 4’33”.

Each artist has created a visual to accompany their performance of 4’33” and the box set launches with a video from Laibach.

Night Thoughts at the Rothko Chapel

Night Thoughts from Rothko Chapel on Vimeo.

Best known for once bringing modern American music to all fifty states out of his Hyundai, 2012 American Pianists Association Classical Fellowship Award Nominee Adam Tendler returns to the Rothko Chapel to present "Night Thoughts," a recital of meditative modern American music composed in the spirit of homage and dedication, including works by John Cage, whose centenary is 2012. The program also includes works by Charles Ives, David Lang, Samuel Barber, John Adams, and Aaron Copland. Tendler will perform as a premiere suite Ned Rorem’s complete published piano music composed for James Holmes, Rorem’s late partner. Tendler will also present works of his own, including the Houston premiere of his experimental homage to Tim McGraw, “only every other memory.”

A palavra do ano - Silêncio.

Não me lembro de ano mais ruidoso que este.

Num ano de protestos, de vozes e contra vozes, de diálogos de surdos e manifestos, o ano do 1% e dos 99%, de ocupações, motins, megafones humanos, gritos, gás pimenta, primaveras árabes e terramotos japoneses, repressão e revolta, colapsos monetários, guerras mais visíveis ou invisíveis, mais ruidosas ou discretas, defeitos e excessos, escolho a palavra silêncio.

Parte importante do meu trabalho é a antítese do silêncio: promover e comunicar em áreas como a televisão, a música, o cinema, os jogos, usando o mais caótico e ruidoso dos meios, a Internet. Todos temas que já levaram vizinhos a bater a portas, pedindo para baixar o volume. Todos paixões (minhas também) que levam muitos a vociferar ao ataque ou em defesa, como é próprio das paixões.

A outra parte, contudo, tem muito a ver com o silêncio: ler e escrever. Um silêncio fictício, claro, há sempre vozes na cabeça de quem escreve e outras (as mesmas? Diferentes?) nas de quem lê.

Mais que tudo isto, contudo, sacode-me como espectador e consumidor a cacofonia de mensagens mediáticas, de previsões de Apocalipse futuro (financeiro? Económico? Social?), de análise de Apocalipse presente, o eco permanente da palavra crise que os media tradicionais e os media sociais amplificam à exaustão. Em alguns momentos o ruído é quase insuportável e os espaço para pensar inexistente.

Por isso escolho o silêncio. Não por não me indignar, não por não querer falar, não por não ter coisas para dizer, mas para encontrar esse mínimo espaço de reflexão e quem sabe prazer que as palavras que inventamos e que lemos nos conseguem dar.

Há, é claro, um reverso desta medalha. O silêncio individual a que nos recolhemos pode ser confundido com passividade, com indiferença, com anomia, demissão, abstenção. E é mesmo capaz que os tempos não estejam para ficarmos calados. Permitam-se apenas então o silêncio da reflexão, permitam-se o silêncio privado dos vossos prazeres, descubram o que têm a dizer mas depois façam ouvir a vossa voz. De todas as maneiras que conseguirem.

 

A propósito de silêncio, ainda duas notas. O filme com mais nomeações para os Globos de Ouro é um filme mudo, de nome “The Artist”, que muito me apetece ver. E em jeito de proposta, deixo aqui os famosos quatro minutos e trinta e três segundos de John Cage, dirigidos (?) por um maestro que já tive o prazer de ver ao vivo, Lawrence Foster. Quem não conhecer, que veja e logo vai perceber.

 

A imagem que ilustra este post foi feita no Egito por Goran Tomasevic para a Reuters.