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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Ponto de situação musical.

O concerto dos One Direction em Lisboa em Maio do próximo ano esgotou em menos que um dia. Move over Bieber.

Descobri o compositor barroco boémio Jan Dimas Zelenka e a sua música, aconselho vivamente. Curiosidade: as suas composições autografadas pensavam-se perdidas no bombardeamento de Dresden em 1945 mas felizmente não - ligação hipertextual na minha cabeça ao Slaughterhouse Five do Vonnegut - and so it goes.

Os Diabo na Cruz têm uma Luzia com um Mean Viana Blues Power - está no fim deste post.

Segundo o Last.Fm, no último mês ouvi muito Radiohead, Antony and the Johnsons, The Beatles, Cecilia Bartoli, Arcade Fire, Rufus Wainwright, a Filarmónica de Berlim, The National, John Eliot Gardiner (dirigindo Bach), Nada Surf (uma faixa em particular), Ivo Janssen (tocando Simeon Ten Holt), Christiane Jaccottet, Heinz Holliger, Jonathan Rubin, Klaus Stoll, Klaus Thunemann (e mais gente tocando Jan Dimas Zelenka), Amandine Beyer & Assemblée des honnestes curieux, Norberto Lobo (excelente para encerrar qualquer lista).

Acabei de ler o Telegraph Avenue do Michael Chabon e aconselho vivamente. Podia dizer que é um livro sobre a paixão da música e do vinil mas é, felizmente, muito mais que isso. É daqueles que eu gosto, sobre famílias, identidades, política, amores, história, referências musicais e culturais, cidades...

 

O melhor e o pior país do mundo.

Não quero spoilar nada a ninguém, mas a nova série de Aaron Sorkin, de seu nome The Newsroom (tem estreia em Portugal no dia 15 de Agosto no TV Séries) começa com uma cena que termina numa discussão sobre se os Estados Unidos da América são ou não o maior país do mundo. Depois de os ter visitado pela quinta vez, atrevo-me a responder que sim, são o melhor, mas são também o pior. Ou como diz a personagem na série "they could be".

Um país que assenta sobre o sonho do dinheiro e cujo dinheiro tem inscritas as palavras "In God We Trust", só pode ser um lugar das contradições mais extremas. É o país de Gore Vidal e Mitt Romney, de Barack Obama e Michael Phelps, Andrew Carnegie e Henry Clay Frick, Frank Lloyd Wright, Mark Rothko, Edward Hopper e Andy Warhol. Só alguns nomes com que me cruzei nos últimos dez dias em Pittsburgh (onde foi tirada a fotografia da bandeira de pernas para o ar). É um país da inteligência máxima e da maior obtusidade, de histórias individuais, totalmente devotado ao espetáculo do sucesso e do fracasso, do crime, castigo e redenção, do dinheiro e da pobreza.

Gostava de ter energia para escrever mais sobre o assunto, mas deixo a coisa para quem sabe. Diz Kurt Vonnegut no clássico Slaughterhouse-Five:

"America is the wealthiest nation on Earth, but its people are mainly poor, and poor Americans are urged to hate themselves. To quote the American humorist Kin Hubbard, "It ain't no disgrace to be poor, but it might as well be." It is in fact a crime for an American to be poor, even though America is a nation of poor. Every other nation has folk traditions of men who were poor but extremely wise and virtuous, and therefore more estimable than anyone with power and gold. No such tales are told by the American poor."

É claro que também há a literatura, a pintura, a música, o rock'n'roll, os blues, o jazz, a poesia, o cinema, tanto cinema diferente, a televisão (alguma, pelo menos), as cidades, os arranha-céus, o oeste, as montanhas, as florestas, um país de mitos, histórias e imagens que me fascina mais do que devia. O melhor e o pior. E da parte do melhor, fica um clip de Tom Waits, novinho em folha de hoje. Do álbum Bad As Me, Hell Broke Luce.

 

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