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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Uma Da Manhã

João Retorta: Uma Da Manhã (1am) | Random Acts
Lisboa, uma noite. Num dia como outro qualquer. Lisbon, one night. On a day just like any other.
João Retorta is a Lisbon-born, London-based filmmaker who has collaborated with Loyle Carner, Wretch 32 and Jax J

You'll Soon Be Here

YOU'LL SOON BE HERE from Fabio Petronilli on Vimeo.

A film by Fabio Petronilli - OUP once upon a place / films


In recent years, Lisbon has become one of the European Cities with the larger tourism growth. Each year, 6 million people come to visit the Portuguese capital: 200.000 tourists every day. Tourism brings opportunities in a city heavily hit by global crisis: about 15% of Portugal domestic product and 8% jobs in Portugal, nowadays are related with tourism. But in the meanwhile, the city is basically disappearing: over the last 30 years, Lisbon lost about 300.000 inhabitants, vacancy rate in the traditional centre is over 40%, about 5.000 buildings are disused, and today only 12.000 persons live in the city center. In April 2016, STADSLAB (Urban Design Laboratory of Tilburg University - Amsterdam) organized an international Masterclass on City Making & Tourism Gentrification for professionals and graduates: the urban intervention case-study was focused on Mouraria, one of the oldest Lisbon's neighborhood. Originated as a 13th century Moorish neighborhood and remained a marginal, multicultural and poor downtown area, nowadays, parts of Mouraria are already affected by tourism: cheap property prices and proximity to other tourist destinations raise realistic assumptions that Mouraria will soon face large influx of investment in real estate and tourism infrastructure. The opportunity is its economical development, but the risk is the lost of its identity.

STADSLAB - Masterclass on City Making & Tourism Gentrification - Lisbon, 15-22 April
in partnership with Academia Cidadã

www.arquiteturasfilmfestival.com
www.doyoumeanarchitecture.com

London Is Changing (and Lisbon).

Londres é uma das minhas cidades favoritas e está neste momento numa encruzilhada que lhe parece desenhar um caminho de futuro específico. Já falei sobre este assunto aqui e aqui, depois de ler o último romance do William Gibson.

A encruzilhada neste momento é entre a realidade, o futuro dessa realidade, a representação ficcional dos eventuais caminhos de futuro e o trabalho de ativistas e jornalistas sobre tudo isto. Não tenho a certeza que a realidade seja o que vem primeiro embora, provavelmente, sim. Talvez a imaginação ficcionada sobre a realidade seja um rastilho. Talvez a experiência real das pessoas seja o mais relevante. Mas a verdade é que tudo está a acontecer ao mesmo tempo.

Só mais umas achegas.

este artigo do The Guardian com este título fantástico: "The city that privatised itself to death: 'London is now a set of improbable sex toys poking gormlessly into the air'" e também um olhar sobre as questões levantadas pela privatização dos espaços públicos. A Londres futurista de Gibson está precisamente pontuada por shards, fortalezas de oligarcas e parques temáticos.

Há também este artigo da AdWeek sobre a campanha 'London Is Changing' que pede contributos sobre casos específicos em que a cidade está a mudar e os transforma em billboards, eles próprios excelentes ícones de uma cidade inteiramente comercializada. Um exemplo abaixo.

É um assunto que nunca mais acaba, claro, e Londres não é a única vítima. A dinâmica da 'gentrificação' de Nova Iorque é assunto antigo, para citar o exemplo mais conhecido. Aí, como em Londres, outro problema ainda se levanta. Afinal, quem raio é que é dono da cidade? De quem são todos aqueles apartamentos caríssimos e vazios?

Lisboa não está livre destes perigos variados que vão esvaziando a alma das cidades. Só nesta última semana, duas notícias que nos devem deixar alerta: a questão da concessão de espaços em Monsanto a privados e a notícia de que proximamente será inaugurada uma Pousada de Lisboa no Terreiro do Paço. O local é fantástico e o resultado deverá sê-lo também, contribuindo para mais turismo de qualidade no centro da cidade. Mas não pode ser a única maneira de fazer viver esse centro...

 

The Divine Comedy - Tonight We Fly

Tonight we fly
Over the houses
The streets and the trees
Over the dogs down below
They'll bark at our shadows
As we float by on the breeze


Tonight we fly
Over the chimney tops
Skylights and slates -
Looking into all your lives
And wondering why
Happiness is so hard to find


Over the doctor, over the soldier
Over the farmer, over the poacher
Over the preacher, over the gambler
Over the teacher, over the rambler
Over the lawyer, over the dancer
Over the voyeur,over the builder and the destroyer,
Over the hills and far away


Tonight we fly
Over the mountains
The beach and the sea
Over the friends that we've known
And those that we now know
And those who we've yet to meet


And when we die
Oh, will we be
That disappointed
Or sad
If heaven doesn't exist
What will we have missed
This life is the best we've ever had

Lisbon Revisited (If you've got the truth, you can keep it.)

TRIBUTE TO FERNANDO PESSOA - LISBON REVISITED by Hilmar Örn Hilmarsson EXP 2" (2014) from JumpCut on Vimeo.

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me fallem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!