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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Setembro sai em Outubro

‘Setembro’ is the brilliantly conceived and executed album from three supremely gifted and creative musical minds in Portuguese pianist Mário Laginha, English saxophonist Julian Argüelles and Norwegian percussionist Helge Andreas Norbakken. Their combined maturity and vision has produced an album of sublime beauty and personality distinguished by effortless and flowing creativity. With propulsive grooves, complex but ever-lyrical melodies, and open-minded interaction ‘Setembro’ demonstrates the vitality and importance of what is great about contemporary jazz in Europe.

 

Collectively the trio is able to surmount even these individual parts. The warmth of Mário Laginha’s pianism, the percussive energy of Helge Andreas Norbakken and the lyricism and English romanticism of Julian Argüelles bond on an album that is structurally bold, improvisationally audacious, emotionally open and undeniably beautiful. Argüelles has donated two compositions but it’s Mário Laginha who takes the major writing credit with eight songs. The brilliance and inventiveness of his writing illuminates this supremely gifted pianist and composer’s talents and although he’s relatively undiscovered outside Portugal, Setembro will be sure to ignite Mário’s profile throughout Europe and the world.

 

Rooted in the various traditions of its members, but never less than modern, the music on the album pursues its subtle beat. Take Laginha’s Coisas de Terra. Pulsating with melodic and rhythmic intensity from the start the emphasis quickly shifts, opening a more subtle and emotive vista where the lyricism of Arguelles saxophone and an ostinato figure from the piano intertwine while Norbakken spatters expansive colours from his uniquely diverse percussive setup.

 

The music is episodic and full of the delights of exploration viewed through the charisma of these great players. With Mário Laginha taking the majority of compositional credit, the aptly titled, Setembro, is an album that explodes in the warmth and energy of a Portuguese late summer in a celebration of what is great about European jazz today.

Out October 6, 2017

André Mehmari e Mário Laginha

Uma música que foge do preconceito e que se deixa invadir. O ritmo poético que atravessa as fronteiras entre Brasil e Portugal celebra o encontro entre dois grandes pianistas: André Mehmari e Mário Laginha.

Juntos, os músicos gravaram ao vivo um primeiro álbum do encontro de 2012, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Com um repertório próprio, os músicos comemoram este encontro numérico de dois músicos e dois pianos de 88 teclas.

Na casa de André Mehmari, o ensaio desta vez será na cozinha. Os músicos preparam um jantar para os amigos com um cardápio pra lá de especial. Entre aromas e sabores, falam do poder de criação que exercem na cozinha e na música.

De volta ao palco do Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, os pianistas um pouco das suas influências musicais que vão do clássico ao popular, do fado ao jazz, da congruência de dois estilos musicais que jamais poderiam competir entre si.

Gente que dança.

As the Paris Opera Ballet announces the Opéra National de Paris’ new season today, the appetite for dance is heating up in our shared cultural landscape. Newly appointed Director of Dance Benjamin Millepied is working alongside Paris Opera Director Stéphane Lissner and Musical Director Philippe Jordan, with the aim to find balance between the classical and contemporary components fuelling the institution’s many crafts. Under Millepied’s helm, Le Ballet will flirt with off-stage disciplines from photography to film to cartoons and fashion design as he moulds the ballet company into a giant, collective gesamtkunstwerk.

The Paris native has directed filmic portraits of each of the company’s 17 Étoiles. Three of his charges are profiled here: Émilie Cozette, Mathias Heymann and Marie-Agnès Gillot, the latter herself a burgeoning choreographer, who recently appeared in the latest Céline campaign alongside American author Joan Didion. "The most important quality of a director in ballet is the ability to bring his dancers' talents to their full potential," says Millepied. "It takes observation, sometimes psychology, to unleash the confidence an artist needs to be him or herself on the stage." 

 

A PERNA ESQUERDA DE TCHAIKOVSKI
PEÇA PARA UMA BAILARINA E UM PIANISTA

Tiago Rodrigues texto e direção ∙ Barbora Hruskova bailarina ∙ Mário Laginha música e piano ∙ Cristina Piedade desenho de luz

 

O meu corpo não foi feito para dançar, mas eu nunca fui capaz de resistir à música. Quando era criança, obriguei o meu corpo a aprender a dançar. Ele obedeceu, mas contrariado. Eu, feliz, entreguei-me à música. Música é matemática, mas eu não gosto de contar. Em vez de contar música, prefiro contar histórias enquanto danço matemática. Divido tempo, multiplico gestos e adiciono dores. Cada dor no meu corpo corresponde a um espetáculo de dança. Já danço há mais de 30 anos. Tenho uma coleção de dores. Quando ouço Prokofiev, dói-me o joelho. Quando ouço Sibelius, doem-me as costas. Mas nem tudo é dor. Gosto de ir cedo para o palco, quando ainda só lá está o afinador de pianos. Isso é a minha alegria antes da alegria dos outros, a calmaria antes da tempestade. As escalas da viagem antes do país de destino final. Não sei bem de que país sou, acho que a minha terra natal é o teatro porque é o lugar onde me sinto em casa. Já fiz as contas e tenho a certeza de que já passei mais horas da minha vida a dançar do que a dormir. Sonho mais quando danço do que quando durmo. Quando danço, tudo parece um sonho mas, como tenho dores, sei que é real.Dançar dói, mas dói mais quando estou parada.
Tiago Rodrigues

A convite da Companhia Nacional de Bailado, Tiago Rodrigues escreve e dirige uma peça em torno da memória do corpo da bailarina Barbora Hruskova. Em diálogo com o piano de Mário Laginha, que está em palco para interpretar a música original que compôs para este espetáculo, Hruskova revisita a sua carreira e as marcas que essa vida na dança traçou no seu corpo.

Maria João e Mário Laginha - Beatriz

E também a letra:

 

Beatriz
(Edu Lobo/Chico Buarque)

 

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

 

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

 

Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

 

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

 

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Areias de Laga

Em 1985, Maria João não tinha ainda feito o seu percurso de experimentação vocal que a levou de Portugal aos Estados Unidos, a África e ao Brasil, em termos vocais, claro. Maria João é conhecida por ter participado como professora num concurso de televisão musical, pelos álbuns a dois com Mário Laginha, pelas inflexões particulares do seu estilo vocal e pelo regresso, este ano, a alguns standards do cancioneiro americano (entre outras coisas) sob a forma de "Chocolate".

É, contudo, em 1985 editado o primeiro álbum que me permitiu o contacto com ela e o primeiro contacto com o Jazz português. Para quem não tenha reparado, pelo trabalho de gente como o Sassetti, o Laginha, Carlos Bica, o Carlos Martins, a própria Maria João, editoras como a Trem Azul, o Jazz português está de muito boa saúde e produz regularmente novos talentos.

Voltemos a 1985 e ao álbum "Cem Caminhos" editado pelo Quinteto Maria João que incluia já o Mário Laginha e o Carlos Martins. Além de alguns standards (um notável "My Favorite Things" e um delicioso "Lush Life"), do tema que lhe dá o título e outros que não vêm aqui ao caso, "Cem Caminhos" inclui, musicados e cantados, dois poemas de Eugénio de Andrade.

Ouvir poesia portuguesa em forma de jazz foi para mim, primeiro em cassete, depois em CD, uma epifânia, um momento de paixão único pela palavra e pela música. Boa sorte para quem quiser encontrar a música, não acredito que seja fácil, mas deixo aqui o poema do Eugénio de Andrade.

 

Canção Escrita nas Areias de Laga

 

No teu ombro respiro.

Belos são os navios,

altos, estreitos.

Feliz, o teu rosto no meu.

Que luz sobre o teu peito!

 

No teu ombro respiro.

Belas são as areias,

fulvas de verão.

Feliz, o meu rosto no teu.

Oh tão azul o mar na tua mão!