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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A Hard Rain's A-Gonna Fall

Bob Dylan "Hard Rain" LIVE performance [Full Song] 1975

 

ROLLING THUNDER REVUE: A BOB DYLAN STORY BY MARTIN SCORSESE captures the troubled spirit of America in 1975, and the joyous music that Bob Dylan performed that fall. This performance of Hard Rain is look at a piece of essential American folklore, never before seen and beautifully restored. Master filmmaker Martin Scorsese creates a one-of-a-kind movie experience: part documentary, part concert film, part fever dream. Featuring Joan Baez, Rubin "Hurricane" Carter, Sam Shepard, Allen Ginsberg, and Bob Dylan giving his first on-camera interview in over a decade. The film goes beyond mere reclamation of Dylan’s extraordinary music—it’s a roadmap into the wild country of artistic self-reinvention.

Silence

Watch the official trailer for Martin Scorsese’s new movie Silence. Starring Andrew Garfield, Adam Driver and Liam Neeson, see it in theatres December.

Martin Scorsese’s SILENCE tells the story of two Christian missionaries (Andrew Garfield and Adam Driver) who face the ultimate test of faith when they travel to Japan in search of their missing mentor (Liam Neeson) – at a time when Christianity was outlawed and their presence forbidden. The celebrated director's 28-year journey to bring Shusaku Endo’s 1966 acclaimed novel to life will be in theaters this Christmas.

Do amor ao cinema.

Domingo é dia de Óscares e qualquer motivo é bom para falar de cinema. Os Óscares em si são um evento que, como diria o outro, podemos dividir em três metades: espetáculo televisivo, indústria de entretenimento e amor ao cinema. Como é natural na matemática, uma das metades vai ter de ficar de fora. O ano passado tivemos direito aos piores apresentadores dos últimos anos, uma espécie de anúncio dois-em-um de sedativos e estimulantes. Este ano volta Billy Crystal, há alguma esperança.

Do que eu gostava de falar mesmo, contudo, é do amor ao cinema. Pela sua natureza, a indústria de entrtenimento está em permanente mudança, mas a sensação de crise, aquele pânico contido que pode ou não descambar em histeria de massas, é mais aguda em alguns momentos do que outros. Este é um dos momentos em que há mais dúvidas: por um lado, com a digitalização global do consumo de filmes, com a pirataria, com os novos meios de produção quase baratos, quase domésticos, o 3D, o HD, o VOD, tudo catalisadores da mudança tecnológica; por outro, com a sistematização de uma cadeia de valor cada vez mais complexa em que tudo é marca, tudo é franchise, merchandise, marketing, janelas de chegada ao mercado, mercados globais, estreias planetárias, reboots remixes. Livros, séries, outros filmes, mas tambem bonecos para crianças, jogos, atrações em parques de diversões, boas e más ideias, projetos muito, pouco ou nada rentáveis, tudo pode ser um filme.

Também não era disso que eu queria falar. Os dois favoritos a ganhar a estatueta de melhor filme são filmes sobre o cinema: "Hugo" de Martin Scorsese (na imagem) e "O Artista" de Michel Hazanavicius. É verdade que todos os filmes são filmes sobre o cinema, fazem parte do cinema, constroem ou destroem parte de uma herança, um futuro. Estes dois só o fazem de maneira mais evidente e mais visível para o público em geral, o que contribui para o seu sucesso. Há também "A Árvore da Vida", o meu favorito pessoal, mas isso é outra conversa.

No fundo, no fundo, este texto era só para dizer que vou ver os Óscares, quanto mais não seja por ter sido educado no amor ao cinema. Um amor que começou na sala escura, continuou na televisão, na cinemateca, no computador. Onde houver um ecrã e um filme, eu vou ver. E como consta que a própria cerimónia se vai esforçar por ser uma declaração de amor, fica aqui a minha.