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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

noiserv - 307d (Mercedes Benz)

Não é um hábito que tenha, dedicar posts. Mas os próximos dois são para o Rui.

Já tinha falado de noiserv aqui e não resisti a fazer um pequeno clip para uma das músicas do album "One Thousand Miles From Thoughtlessness" que encontrei e comprei finalmente ontem. Espero que o Tiago Sousa e o David Santos não se importem.

Noiserv - Merzbau

O trabalho da Merzbau como netlabel independente é notável e já tive oportunidade aqui de elogiar e agradecer ao Tiago Sousa pela colaboração no lançamento do "Em Silêncio, Amor". Esta sexta feira, a Merzbau edita o album de noiserv, que é na verdade David Santos, de nome "One hundred miles from thoughtlessness". Podem ouvi-lo no MySpace, mas também há o site oficial. O estilo é calmo e acústico, mesmo o que me apetecia. E não, não apenas por estarmos no Outono. Fica já agora uma auto-apresentação: David Santos dá forma a Noiserv quando em 2005 grava uma demo de 3 músicas para participar no Termómetro Unplugged desse ano. A sua música foi escolhida e David participou na eliminatória do Porto, no Contagiarte, e apesar de não ter sido seleccionado para a final acabou por servir de entusiasmo para prosseguir o caminho. Mais tarde em Julho do mesmo ano acaba por editar essa mesmo demo em formato EP On Line na Merzbau. Desde então tem corrido meio país, tocado para diferentes plateias em diferentes circunstâncias sempre aperfeiçoando o seu processo e métodos criativos. Aos poucos surgem novos temas e novas ideias que foram sendo aperfeiçoadas ao cabo de 2 anos até que em 2007 começa a trabalhar em "One Hundred Miles From Thoughtlessness".

Música Nova

Aos meus ouvidos, durante a última semana chegou música nova em quantidade apreciável. A ver (ou ouvir):

  • Anton Raijekov - Por uma recomendação do last.fm - Chill out para arrefecer em dias acima dos 30 graus.
  • A Primeira Sinfonia de Scriabin - Por um saborear via Antena 2 - Porque já andava a ouvir um ultra romântico e me pareceu que este lhe sucedia bem.
  • The Fleet Foxes - Por uma recomendação da Amazon - Folk-gospel? Ou whatever...
  • A Quinta Sinfonia de Mahler - De que me lembrei nos labirintos da memória - Pela Orquestra Juvenil da Venezuela dirigida por Gustavo Dudamel. Que Fiesta!
  • Koop - Só porque já tinha saudades.
  • Nina Nastasia - Porque me despertou a curiosidade via Tiago Sousa - Um encanto.
  • Tiago Sousa - Porque tem um album novo que... me encanta.
  • Okkervil River - Já nem me lembro via onde, mas gosto muito de qualquer banda que tenha uma canção com o nome "You Can't Hold the Hand of a Rock Man".
  • Philip Glass - "The Photographer" - Um dia escrevo um livro com este título.
  • Rachel's - Por uma conversa à mesa num restaurante chamado O Pardieiro, onde a comida era boa, apesar do nome.
  • The Racounteurs - O novo álbum.
  • Ratatat e The Ting Tings - Porque convém estar atento.
  • Rosa Passos com Ron Carter - E voltamos à temperatura acima de 30 graus.

Aproveitei, gravei dois CD's para ouvir no carro, conforme o apetite e a velocidade. Comprei também o CD dos Lobster que tem uma energia que me sacode.

Sábado, depois do lançamento, pelas 23h na ZDB

Rafael Toral (PT) | Oliver Hill + Harry Astras (UK/GR)| Julianna Barwick (US)| Tiago Sousa (PT)
Noite Inversion na ZDB, em colaboração com a artista francesa Sandra Reignoux.

Rafael Toral Apresenta Space Study 1.4.

Estreia em trio da nova versão de Space Study 1.4., parte integrante do projecto Space Program de Rafael Toral sobre a perfomance em instrumentos electrónicos. Central em toda a actividade de concertos do Space Program, Space Studies é uma série de peças com uma estrutura formal aberta e em que são aplicados modos de escuta a uma articulação em tempo real de silêncio e som. Com uma sensibilidade jazz como ponto de partida e uma matriz disciplinada de possibilidades de decisão, Rafael Toral tem ensaiado uma abordagem à música centrada num impulso universal para a produção de som, pré-histórico, pré-estético e consciente de que a música e a linguagem terão uma raiz comum.

Formação:

Rute Praça – violoncelo
César Burago – percussão
Rafael Toral - ondas sinusoidais com luvas de controlo

Rute Praça é uma violoncelista com formação clássica, tendo colaborado com Rhys Chatham, Sei Miguel e Vítor Rua, entre outros. Após um longo período de pesquisa, consegue uma abordagem totalmente renovada ao instrumento e ao som, ultrapassando definitivamente a sua antiga formação.

César Burago Percussionista angolano, dedica-se inteiramente às músicas do jazz, pois vê nelas o espírito e a técnica indissociáveis. Presença regular nas orquestrações de Sei Miguel, tem dimensionado com o trompetista, desde 1997, um plano de possibilidades e impossibilidades métricas, ambas expressas em trabalhos onde a percussão (principalmente a pequena percussão) ganha um enigmático valor melódico.

A partir de textos dos artistas:

Oliver Hill + Harry Astras
Oliver Hill (do duo noiseTerminal Outputs) e Harry Astras (dos Family Battle Snake, colectivo free-form de composição variável que, para além de Astras, conta com Bill Kouligas e Valerio Cosi como principais agitadores) apresentam pela primeira vez em Portugal as densas ambiências sónicas resultantes de uma colaboração instintiva, desorbitada, povoada de referências míticas numa escala interestelar.

Julianna Barwick
Ainda ninguém conhece a norte-americana Julianna Barwick, mas isso vai começar a mudar muito rapidamente. Ao mesmo tempo próxima dos sonhos ácidos dos Animal Collective e das ondas de som dos My Bloody Valentine, a sua música revela um primitivismo sensorial desarmante, envolvido numa vertigem de loops vocais. Disponibilizou recentemente em edição de autor o seu primeiro album, “Sanguinaire”.

Tiago Sousa
Primeira actuação de Tiago Sousa em nome próprio na ZDB. A solo, as composições para piano do músico barreirense, que também integra os colectivos Goodbye Toulouse e Jesus, the Misunderstood, são por vezes reminiscentes da peça minimalista de Robert Wyatt para o seminal “Music For Airports” de Brian Eno. Neste âmbito, lançou "Crepúsculo", em 2006, e, já este ano, "Noite/Nuit" (em parceira com a artista francesa SRX), ambos através da editora independente Merzbau, pela qual é responsável.

Entrada: 7,5€

Tiago Sousa e a Merzbau

Merzbau era uma obra algures no espaço que surge entre a arquitectura, escultura e pintura, do artista alemão Kurt Schwitters. Em permanente evolução e elaborada em performance colaborativa, não só por Schwitters, mas por alguns amigos seus, a Merzbau foi iniciada e re-iniciada pelo menos três vezes, sendo, pela sua natureza, uma obra de história permanente. Basta dizer que uma das versões foi destruída num bombardeamento aéreo a Hannover durante a Segunda Guerra Mundial e outra foi consumida pelo fogo na Noruega.

Não é meu objectivo, contudo, dissertar sobre este projecto artístico, tão simbólico das ambições da arte no Séc. XX, reflectindo sobre a sua própria natureza e tentando desconstruir-se e reconstruir-se nos limites do espaço e tempo do humano. Queria era chamar a atenção para um projecto que pediu emprestado o nome Merzbau para se etiquetar.

A Merzbau é uma netlabel que nasceu como netzine, propondo-se abordar universos alternativos (porque online) do universo musical e propondo também modelos de negócio mais próximos da revolução online do que da indústria de edição de música, tal como a conheciamos até aqui há uns anos. É fruto sobretudo da vontade de Tiago Sousa e tem chamado a atenção de imprensa e majors.

Perdoem-me o voltar ao mesmo, mas gostava de chamar a atenção para a música do próprio Tiago Sousa, em piano e não só, experimental no limite do silêncio, em ambientes que, desde que o descobri, me invocam o apartamento (quase) vazio dos Wartet e aquele Outono da história de Tom e das Três Bruxas. A música de Tiago Sousa está disponível sob uma licença Creative Commons no site da Merzbau e pode ouvir-se igualmente no seu perfil no MySpace.

Aqui mesmo ao lado, têm em vídeo um exemplo mais, agora ao vivo. Até porque acredito sinceramente que é ao vivo que o amor dos músicos à sua música e aos seus instrumentos mais se materializa. Mas mais sobre isso noutro dia.