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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Ode Triunfal

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

 

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fora e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fora,

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

 

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —

Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força —

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas

Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

 

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!

Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,

Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento

A todos os perfumes de óleos e calores e carvões

Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

 

Fraternidade com todas as dinâmicas!

Promíscua fúria de ser parte-agente

Do rodar férreo e cosmopolita

Dos comboios estrénuos,

Da faina transportadora-de-cargas dos navios,

Do giro lúbrico e lento dos guindastes,

Do tumulto disciplinado das fábricas,

E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!

 

Horas europeias, produtoras, entaladas

Entre maquinismos e afazeres úteis!

Grandes cidades paradas nos cafés,

Nos cafés — oásis de inutilidades ruidosas

Onde se cristalizam e se precipitam

Os rumores e os gestos do Útil

E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!

Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!

Novos entusiasmos de estatura do Momento!

Quilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas às docas,

Ou a seco, erguidas, nos planos-inclinados dos portos!

Actividade internacional, transatlântica, Canadian-Pacific!

Luzes e febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis,

Nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots,

E Piccadillies e Avenues de L’Opéra que entram

Pela minh’alma dentro!

 

Hé-lá as ruas, hé-lá as praças, hé-lá-hô la foule!

Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!

Comerciantes; vários; escrocs exageradamente bem-vestidos;

Membros evidentes de clubes aristocráticos;

Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes

E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete

De algibeira a algibeira!

Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!

Presença demasiadamente acentuada das cocotes

Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)

Das burguesinhas, mãe e filha geralmente,

Que andam na rua com um fim qualquer;

A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;

E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra

E afinal tem alma lá dentro!

 

(Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)

 

A maravilhosa beleza das corrupções políticas,

Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,

Agressões políticas nas ruas,

E de vez em quando o cometa dum regicídio

Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus

Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!

 

Notícias desmentidas dos jornais,

Artigos políticos insinceramente sinceros,

Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes —

Duas colunas deles passando para a segunda página!

O cheiro fresco a tinta de tipografia!

Os cartazes postos há pouco, molhados!

Vients-de-paraître amarelos como uma cinta branca!

Como eu vos amo a todos, a todos, a todos,

Como eu vos amo de todas as maneiras,

Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto

E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)

E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar!

Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!

 

Adubos, debulhadoras a vapor, progressos da agricultura!

Química agrícola, e o comércio quase uma ciência!

Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,

Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria,

Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios!

 

Ó fazendas nas montras! Ó manequins! Ó últimos figurinos!

Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!

Olá grandes armazéns com várias secções!

Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!

Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!

Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos!

Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!

Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!

Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.

Amo-vos carnivoramente.

Pervertidamente e enroscando a minha vista

Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,

Ó coisas todas modernas,

Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima

Do sistema imediato do Universo!

Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!

 

Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,

Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes —

Na minha mente turbulenta e encandescida

Possuo-vos como a uma mulher bela,

Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,

Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.

 

Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas!

Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios!

Eh-lá-hô recomposições ministeriais!

Parlamentos, políticas, relatores de orçamentos,

Orçamentos falsificados!

(Um orçamento é tão natural como uma árvore

E um parlamento tão belo como uma borboleta).

 

Eh-lá o interesse por tudo na vida,

Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras

Até à noite ponte misteriosa entre os astros

E o mar antigo e solene, lavando as costas

E sendo misericordiosamente o mesmo

Que era quando Platão era realmente Platão

Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,

E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.

 

Eu podia morrer triturado por um motor

Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.

Atirem-me para dentro das fornalhas!

Metam-me debaixo dos comboios!

Espanquem-me a bordo de navios!

Masoquismo através de maquinismos!

Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho!

 

Up-lá hô jockey que ganhaste o Derby,

Morder entre dentes o teu cap de duas cores!

 

(Ser tão alto que não pudesse entrar por nenhuma porta!

Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!)

 

Eh-lá, eh-lá, eh-lá, catedrais!

Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas.

 

E ser levado da rua cheio de sangue

Sem ninguém saber quem eu sou!

 

Ó tramways, funiculares, metropolitanos,

Roçai-vos por mim até ao espasmo!

Hilla! hilla! hilla-hô!

Dai-me gargalhadas em plena cara,

Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas,

Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas,

Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!

Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!

Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,

As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam,

Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto

E os gestos que faz quando ninguém pode ver!

Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva,

Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome

Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos

Em crispações absurdas em pleno meio das turbas

Nas ruas cheias de encontrões!

 

Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,

Que emprega palavrões como palavras usuais,

Cujos filhos roubam às portas das mercearias

E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! —

Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa

Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.

Maravilhosamente gente humana que vive como os cães

Que está abaixo de todos os sistemas morais,

Para quem nenhuma religião foi feita,

Nenhuma arte criada,

Nenhuma política destinada para eles!

Como eu vos amo a todos, porque sois assim,

Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,

Inatingíveis por todos os progressos,

Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!

 

(Na nora do quintal da minha casa

O burro anda à roda, anda à roda,

E o mistério do mundo é do tamanho disto.

Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.

A luz do sol abafa o silêncio das esferas

E havemos todos de morrer,

Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,

Pinheirais onde a minha infância era outra coisa

Do que eu sou hoje...)

 

Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!

Outra vez a obsessão movimentada dos ónibus.

E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os comboios

De todas as partes do mundo,

De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios,

Que a estas horas estão levantando ferro ou afastando-se das docas.

Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado!

Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores!

 

Eh-lá grandes desastres de comboios!

Eh-lá desabamentos de galerias de minas!

Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!

Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,

Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,

Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,

A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,

E outro Sol no novo Horizonte!

 

Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto

Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,

Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?

Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,

O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,

O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,

O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes

Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.

 

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,

Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos, Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,

Engenhos brocas, máquinas rotativas!

 

Eia! eia! eia!

Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!

Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!

Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!

Eia todo o passado dentro do presente!

Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!

Eia! eia! eia!

Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!

Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!

Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.

Engatam-me em todos os comboios.

Içam-me em todos os cais.

Giro dentro das hélices de todos os navios.

Eia! eia-hô! eia!

Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!

 

Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!

Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!

 

Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!

 

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!

Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!

Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

 

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

 

                        Londres, 1914 — Junho.

Blythe Baird - Theories About The Universe

I am trying to see things in perspective.


My dog wants a bite of my peanut butter 
chocolate chip bagel. I know she cannot have this,
because chocolate makes dogs very sick.
Madigan does not understand this. 
She pouts and wraps herself around my leg 
like a scarf, trying to convince me to give her
just a tiny bit. When I do not give in,
she eventually gives up and lays in the corner, 
under the piano, drooping and sad.
I hope the universe has my best interest in mind
like I have my dog's. When I want something
with my whole being, and the universe withholds it
from me, I hope the universe thinks to herself,

 

Silly girl. She thinks this is what she wants,
but she does not understand how it will hurt.

Carl Philipps - Ghost Choir

What injures the hive injures the bee, says Marcus Aurelius. I say
not wanting to hurt another, this late, should maybe more than
count, still, as a form of love. Be wild. Bewilder. Not that they
hadn’t, of course, known unkindnesses, and been themselves
unkind. When the willow’s leaves, back again, unfold all along
their branches, the branches routinely in turn brushing then lifting

 

away from the pond’s face, it’s too late. Last night I doubted as I’ve
not doubted myself in years: knowing a thing seemed worthless
next to knowing the difference between many things, the fox from
the hounds, persuasion from the trust required to fall asleep beside
a stranger; who I am, and how I treated you, and how you feel. So
that it almost seemed they’d either forgotten or agreed without

 

saying so to pretend they had. Did you know there’s an actual plant
called honesty, for its seedpods, how you can see straight through?
Though they’d been told the entire grove would die eventually, they
refused to believe it. The face in sleep, like a wish wasted. To the wings
at first a slight unsteadiness; then barely any. What if forgetting’s not
like that—instead, stampeding, panicked, just a ghost choir: of legends,

 

and rumors, of the myths forged from memory—what’s true, and isn’t—
that we make of ourselves and, even worse, of others. Not the all-but-
muscular ache, the inner sweep of woundedness; no. Not tonight. Say
the part again about the bluer flower, black at the edges. I’ve always
loved that part. Skull of an ox, from which a smattering of stars
keeps rising. How they decided never to use surrender as a word again.

David Wagoner - Photographing Snakes

They’ll seem to pose for you,
though they’re always posed
in their own ulterior ways
in a steadily calm abstraction
of available light. They belong
to what they’re lying on,
looking like nothing
on earth among other things,
and they arrange themselves
with what has been rearranged
repeatedly by the wind
and the time-stopped intervals
among seasons. How they appear
when they reappear on paper
means nothing to them. They look
always their best or their least
and don’t want to be thought of
at all ahead of time
or remembered after
or recognized at once
as being more powerful,
dangerous, or desirable
than they already are
in the shade or the half shade
out from under the sun
where they’ve learned to pay
the closest kind of attention
to lying still, regardless
of sudden flashes of light.

Hannah Lowe - The Stork

The stork arrived alone one day,

beak sharpened like a bayonet.

All the love you’ve had turned bad! he sang,

eyes boring through the dingy nets.

He hopped onto the patio.

Good lord! Is this a rented flat?

 

                Behind the shed, albino rats

                were nuzzled on a family bed.

                He hovered over them, wings spread.

                Now this is how you do it! he said.

                He speared a worm and sucked it down.

                A rented flat, my god, he said.

 

Inside, I laid my hands around

my lump, my pumpkin-up-the-jumper.

I’d swapped the wine and cigarettes

for goji berries, spent the summer

asleep or stretched in yoga pose,

Utkatasana, Dhyana    ...    

 

                The stork came hopping round the corner

                scraped his claw across the door — 

                Hello, hello? he called, polite,

                then screamed I will not be ignored!

                He had a bloody bone to pick,

                an oozy piece of mind to share.

 

                                I was eight months gone by Halloween.

                                Kids rang the rented bell in sheets

                                and slime. I tried “maternal” out

                                with chocolate limes and fizzy sweets.

                                The bird shrieked half the witchy night:

                                For god’s sake, are you stupid? Teeth!

 

                I waddled off to pack my case — 

                gorillas snoozing on the onesies,

                pink booties, pads to catch the blood.

                When they tugged that baby out of me

                he came up laughing, blessed the midwife

                with a fiery arc of golden pee

 

and through the skylight of the ward

I saw the stork retreat, zigzagging

up into the evening sky,

a fading squawk, the beat of wings.

Then they laid that baby on my chest

to feed, and cut the navel string —

W.S. Merwin - To the New Year

With what stillness at last

you appear in the valley

your first sunlight reaching down

to touch the tips of a few

high leaves that do not stir

as though they had not noticed

and did not know you at all

then the voice of a dove calls

from far away in itself

to the hush of the morning

 

so this is the sound of you

here and now whether or not

anyone hears it this is

where we have come with our age

our knowledge such as it is

and our hopes such as they are

invisible before us

untouched and still possible

Natalie Scenters-Zapico - One Body

ID
 
Two ids walk into one body & fight over whether to break melon on the kitchen counter & eat it by the fistful or to throw the melon out a shut window & watch it break on the pavement, stabbed by shards of glass.



EGO
 
Sorry, for yelling through the speaker at the McDonald’s drive thru. Sorry, for not letting you through the door first. Sorry, I ate the dozen donuts in fifteen minutes over the sink. Sorry, I sound shrill, sound dumb, sound ditzy, sound spacey. Sorry, mom. I mean, mamá. I mean, miss. I mean, nevermind.



SUPEREGO
 
Dear body: Cut the melon into slices with the sharpest knife you can find & enjoy the pain you are causing this melon. Stop saying you’re sorry, instead feel guilty for being shrill, being dumb, being ditzy, being spacey. Feel guilty because your mom is your mamá is your miss is the one who is guilty for giving you this body with two ids, & one ego, & one superego who hush-hushes you whole.

Sam Sax - On Alcohol

my first drink was in my mother

my next, my bris. doctor spread red

wine across my lips. took my foreskin

 


 

every time i drink i lose something

 


 

no one knows the origins of alcohol. tho surely an accident

before sacrament. agricultural apocrypha. enough grain stored up

for it to get weird in the cistern. rot gospel. god water

 


 

brandy was used to treat everything

from colds to pneumonia

frostbite to snake bites

 

tb patients were placed on ethanol drips

tonics & cough medicines

spooned into the crying mouths of children

 


 

each friday in synagogue a prayer for red

at dinner, the cemetery, the kitchen

spirits

 


 

how many times have i woke

strange in an unfamiliar bed?

my head neolithic

 


 

my grandfather died with a bottle in one hand

& flowers in the other. he called his drink his medicine

he called his woman

she locked the door

 


 

i can only half blame alcohol for my overdose

the other half is my own hand

that poured the codeine that lifted the red plastic again & again &

 


 

i’m trying to understand pleasure it comes back

in flashes every jean button thumbed open to reveal

a different man every slurred & furious permission

 


 

i was sober a year before [ ] died

 


 

every time i drink i lose someone

 


 

if you look close at the process of fermentation

you’ll see tiny animals destroying the living body

until it’s transformed into something more volatile

 


 

the wino outside the liquor store

mistakes me for his son

 

Joan Murray - “The hour like a child runs down the angle of star and rests at the bottom”

The hour like a child runs down the angle of star and rests at the bottom

It is a strange woman that may hold that child in its arms

But women prefer to see the hours slip from their fingers

For they are dancing an old earth constituency

 

I am a little beyond the river and stare from my particular casement

I am slender as the stalk and have my own flowering

I don’t draw from women but I prefer the truth and not the trick of living

 

Therefore I walk by women as the sea ponders by the shore

I tremble and splash my spray by the cavern

Hear my own strange breath and laughter

But is my echoing and I am unalterably the sea.