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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Deceptive Practice.

Numa sexta, 18 de setembro de 2009, fiz um post sobre o Ricky Jay que, ainda por cima, estava cheio de links e referências ao contexto político do momento. Um bocado deprimente, sobretudo porque acaba com a famosa citação do La Haine: "Até aqui, vai tudo bem. O importante não é a queda, é a aterragem." E continuamos à espera de aterrar. Mas adiante. Sobre o Ricky Jay foi feito agora um documentário de nome Deceptive Practice. E se ainda não clicaram nos links variados, deste e do outro post, podem ver o trailer aqui abaixo.

 

Enganos, mentiras, escutas, Ricky Jay, Gatos e outros truques.

Esta história toda das escutas (e etc.) lembrou-me o Ricky Jay. O Ricky Jay é muita coisa, como toda a gente deve tentar ser, entre elas actor e ilusionista. Nesta entrevista do New York Times, discute com Errol Morris, a diferença entre mentir e enganar, a propósito do seu livro "Jay's Journal Of Anomalies", que comprei a correr, depois de ler este perfil. Aqui ao lado na fotografia, Jerry Andrus, o ilusionista que nunca mentia.

Na verdade, engano-vos, foi tudo uma desculpa para partilhar alguns links. Até aqui, tudo bem.

O tempo incerto de Outono e campanha eleitoral é dado a casos, invenções, mentiras, contradições e outros truques de ilusionismo. Até aqui, tudo bem. Aqueles senhores engraçados do Gato Fedorento andam a divertir-se com o assunto e a dar audiências à SIC, embora valha a pena dizer, em abono da verdade, que ainda não têm o traquejo de um Jon Stewart para provocarem a sério quem merece provocado e conseguirem ajudar à iluminação das almas.

A Manuela Ferreira Leite insistia que o Ricardo Araújo Pereira era jornalista, coisa que ele desmentiu em boa hora, como faz de resto muitas vezes o tal senhor Stewart. O objectivo deles é só baralhar e voltar a dar, provocando a ocasional gargalhada. Até aqui, tudo bem.

O que é grave é que se dediquem ao mesmo tipo de humor negro, a Presidência da República e a sua Casa Civil, levando no baile jornais ditos sérios e outras virgens ofendidas, que aproveitando o clima instalado, tentam desviar-nos o olhar das suas mãos, falando dos serviços secretos, que para se manterem secretos, não devem dizer nem desdizer. Ilusionismo puro.

Tudo isto me lembra também o Stieg Larsson e os seus livros da saga "Millennium", um pouco como Diógenes à procura do Homem e "O Ódio" do Kassovitz. Até aqui, vai tudo bem. O importante não é a queda, é a aterragem.