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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Três portugueses.

Li de seguida três romances de autores portugueses. A saber, "Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas" de Ricardo Adolfo, "Deixem passar o homem invísivel" de Rui Cardoso Martins e "O Mar em Casablanca" de Francisco José Viegas. E são todos profundamente portugueses, cada um à sua maneira.

O primeiro é o mais surreal dos três, transformando em parábola o confronto de um casal emigrante com uma Inglaterra onde não percebem nem a primeira palavra. Da incomunicação do casal à incomunicação das civilizações, o "português" aparece como aquele anti-herói que mesmo sem nada saber do que se passa à sua volta vai sempre fugindo para a frente ("e seja o que Deus quiser").

O segundo, arreigadamente lisboeta e não menos dado ao simbolismo parece apesar de tudo ter menos a intenção da prelecção ao leitor por essa via e deleita-se no seu pequeno circo de personagens que navegam a Lisboa dos desastres, presente e passada (digo eu enquanto olho pela janela e lá fora parece o dilúvio).

O terceiro, colocado à transparência, parece colar cada vez mais a sombra de um Jaime Ramos que vai envelhecendo a um Francisco José Viegas com o seu prazer do mundo, do fumo, da boa comida e bebida. Sim, pelo meio há uma intriga policial que percorre três continentes entre a Internacional e a sua desilusão, mas o que vai tocando no livro é aquele Ramos a ver se se arruma na vida (e hei-de experimentar aquele arroz com filetes de sardinha).