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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

"I'm just a weird guy."

Shane Carruth, realizador (e outras coisas) de Primer e Upstream Color deu uma entrevista interessante à Little White Lies. Eu diria que se calhar há algum ego a mais ali, o que seria de esperar, mas vale a pena ler toda. No fundo acaba por ser um manifesto artístico para o século XXI que é hoje extensível a quase todos os domínios da criação. Uma citação abaixo.

We wake up in a cave, all of us. We don't know how big it is; we don't know anything about it. We don't even know it's a cave. And so people start digging in different directions; some dig left, some dig right. And then they die. They get 12-feet down in their cave tunnel and they die. And then the next generation comes along and maybe they start digging down that same tunnel, maybe they dig further. Or maybe they dig in a different direction; maybe they dig up, maybe they dig down. Eventually we start tunnelling out this cavern that defines everything about us, not necessarily what we know but what we question. That's the way I think of narrative storytelling. If all we're doing is existing in the same space, we're not adding to the definition of where we are. You've got to find a wall and start digging, and if that means you find a tunnel you're not comfortable with that's great; if that means you find a new direction nobody's tried before that's great; if that means you turn down a channel and turn left and start tunnelling that way that's fine too.

A propósito da capacidade que temos ou não para financiar as nossa ambições criativas, só mais duas notas.

Fui um dos que contribuiu para que o Marina Abramovic Institute fosse um sucesso no Kickstarter mas compreendo este rant do Keith Hennessy. É verdade que a Marina é já uma espécie de estrela (à sua escala, não confundamos as coisas) mas também é verdade que é um exemplo do que é possível e o objetivo do seu projeto é mais criar oportunidades para outros do que alimentar ego, parece-me a mim.

O Filipe Melo, músico, escritor, cineasta e all-round-renaissance-man está a tentar o crowdfunding para o terceiro volume de "As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy" e a coisa nem me parece estar a correr mal. Vão lá contribuir.

Upstream Color.

Vi este fim de semana um dos filmes do ano, que eu saiba ainda sem distribuição comercial prevista em Portugal. Mas é normal, não é só cá. Segundo percebo, fez o circuito de alguns festivais e só teve distribuição limitada nos Estados Unidos e Canadá e, agora, no Reino Unido. Não importa muito, a partir do site oficial pode ser visto on demand na Net e comprado numa variedade de formatos, nomeadamente em Blu-Ray, o formato em que eu o vi.

Feito o prefácio sobre a questão da distribuição, o filme é Upstream Color de Shane Carruth. Shane também produz, entra como ator, compõe a banda sonora, fez trabalho de câmara e montagem. É o verdadeiro filme de autor.

É uma ficção científica com algumas piscadelas de olho a história de amor e a proposta política. O estilo é sonhador e impressionista, sem concessões à linearidade, ao ruído, ao efeito e sem resvalar nunca para a hipótese de um misticismo kitsch. O resultador é excelente. Já tinha estranhado e depois entranhado Primer, a estreia do realizador. Agora gostei ainda mais deste. Abaixo o trailer, três clips e o magnífico cartaz.

 

 

 

 

 

Sci Fi in movies.

São muitos os filmes de ficção científica anunciados para este ano. Nem todos me despertam curiosidade mas a quantidade há-de ser sinal de alguma coisa, não? Assim de repente, temos:

  • Pacific Rim - De Guillermo Del Toro. Monstros gigantes, robots gigantes. Que mais pode querer um geek querer?
  • Star Trek Into Darkness - May all things Trek live long and prosper.
  • Elysium - De Neill Blomkamp, o mesmo de District 9, o que é à partida um bom sinal.
  • Oblivion - Tem o Tom Cruise, o que pode ser um mau sinal, mas visualmente parece interessante.
  • After Earth - Eu nem sabia que ainda deixavam o M. Night Shyamalan fazer filmes. É desta que volta à boa forma?
  • Ender’s Game - O livro é um clássico que está na minha lista de leituras. O filme a ver vamos.
  • Upstream Color - Não é necessariamente ficção científica, mas a julgar pelo outro filme de Shane Carruth (Primer), normal não há de ser.
  • Riddick - Sim, vai haver um novo.