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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Sheku Kanneh-Mason

Sheku Kanneh-Mason plays The Swan (From Carnival of the Animals) from his album Inspiration.

 

Sheku Kanneh-Mason plays his favourite concerto (Shostakovich Cello Concerto No 1) on 15th May in the final of BBC Young Musician 2016 at the Barbican London. He was crowned the overall winner of the competition. Played with the BBC Symphony Orchestra and the conductor is Mark Wigglesworth

Sobre o novo do Julian Barnes, Shostakovich, novas maneiras de ouvir música, a lentidão e títulos longos.

the noise of time.jpg

Li o novo do Julian Barnes, "The Noise Of Time", cuja personagem central é Dmitri Dmitriyevich Shostakovich, o compositor. Aconselho vivamente: a personagem, o contexto histórico, a arte, a música, tudo é interessante. E a escrita de Barnes faz a tudo grande justiça.

Ando também a ler "Every Song Ever: Twenty Ways to Listen in an Age of Musical Plenty" de Ben Ratliff. E como acontece, nestas coisas, os dois ligam-se, para já, pelo Quarteto de Cordas No. 15 do compositor russo.

Ratliff propõe que, num momento da história em que temos (quase) toda a música digital e instantaneamente disponível para nossa audição, isso muda radicalmente a nossa maneira de ouvir e que não vale a pena ficarmo-nos por categorias como género, período histórico, compositor, intérprete, história. Vale a pena procurar categorias novas para explorar esta paisagem musical.

Não sei se as categorias são assim tão novas mas isso nem interessa muito. A verdade é que a maneira como ouvimos música mudou e continua a mudar. Notem-se estas notícias de Janeiro que apontam para que a música em catálogo, a música antiga, já editada, vendeu mais que a música nova, editada em 2015, pela primeira vez na história do registo destas vendas. Digo sempre nas minhas aulas como o catálogo é importante na indústria de conteúdos. Hoje, como nunca antes, a história (a da música, pelo menos) está de facto na ponta dos nossos dedos. O que me leva sempre a Laurie Anderson e à sua pergunta em "Same Time Tomorrow", is time long or is it wide?

Note-se também, neste artigo do New York Times, que, se a música nunca foi apenas música mas parte de um contexto, neste momento, com uma paisagem digital instantânea e omnívora, é cada vez mais coisas, de maneiras diferentes, envolvendo-nos, penetrando-nos, devorando-nos. E para onde nos conduz o seu futuro? Neste caso, falamos sobre música popular, claro.

Ben Ratliff, no entanto, sem fronteiras, no seu capítulo sobre a lentidão, menciona Shostakovich e o seu último quarteto para cordas, o quarteto n. 15. Abaixo do vídeo abaixo está um pequeno guia de audição em inglês que o acompanha, para quem tiver a paciência (qualidade essencial para a lentidão) de lá chegar. Gostava, contudo, de deixar já duas notas. Todos os seis movimentos estão marcados como Adagio, no que diz respeito ao tempo. E em relação ao primeiro movimento, Shostakovich terá dito "Play the first movement so that flies drop dead in mid-air and the audience leaves the hall out of sheer boredom", com sentido de humor, piscadela de olho e tudo (o Barnes também fala disso). Mas ora, toda a música revolucionária está cheia de gente que deixa as salas a meio ou provoca motins.

Última nota antes de vos deixa com a música. A banda inglesa The 1975 (que estará em Portugal em Julho) chegou esta semana ao número 1 do top 100 da Billboard com o seu álbum "I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware of It" que, ao fazê-lo, bateu o recorde de título de álbum mais longo a chegar a tal lugar. Ah, a maravilha dos recordes.

E agora, o Quarteto para Cordas No. 15 em Mi bemol menor, op. 144, escrito em 1974 (belo ano) de Dmitri Dmitriyevich Shostakovich tocado pelo Emerson String Quartet.

- Composer: Dmitri Dmitriyevich Shostakovich (25 September 1906 -- 9 August 1975)
- Performers: Emerson String Quartet
- Year of recording: 1994 (Live at Harris Concert Hall, Aspen, Colorado, USA)

 

String Quartet No. 15 in E flat minor, Op. 144, written in 1974.

 

00:00 - I. Elegy: Adagio
12:42 - II. Serenade: Adagio
18:28 - III. Intermezzo: Adagio
20:07 - IV. Nocturne: Adagio
24:38 - V. Funeral March: Adagio molto
29:14 - VI. Epilogue: Adagio

 

This was Shostakovich’s last string quartet, and one of the most moving of all his compositions. Like most of the composer’s late works, it is an introspective meditation on mortality, and it is arguably the most intimate and cryptic quartet in the cycle. The profound melancholy of the music is akin to a requiem. His concern with death is clearer here than in any other chamber work. The composition was started in February 1974 and completed three months later in a Moscow hospital on 17th May 1974. The quartet is written in the mysterious but traditionally morbid key of E flat minor and bears no dedication. It was premiered in Leningrad by the Taneiev Quartet on 15 November 1974 (one of only two Shostakovich quartets not premiered by the Beethoven Quartet).

 

- "Play the first movement so that flies drop dead in mid-air and the audience leaves the hall out of sheer boredom"...were Shostakovich’s strange instructions for its performance, but his advice can be understood when the movement is heard. The elegy is sombre, unhurried and peaceful. It starts with a fugue, but this quickly ceases after all four voices have been heard. The second theme is in C major and suggests the innocence of the first quartet. But the music seems not to progress. It seems that time has ceased; that we are in a platonic world of perfection and beauty, where change is impossible; an incorruptible world of motionless eternity.
- The opening of the next movement, the serenade, remains indelibly in the memory. The motionless world of the elegy is scattered by four sets of three searing cries that break out one after another from the first and second violin and the viola. The first is in B flat and refers back to the 13th Quartet which ended on a similarly sustained pitch. Each, equal in duration, start ppp and expand to sffff. Are they screams of anguish? Their significance is not revealed but their effect is to introduce change and motion; time is moving again. These cries recur during the movement, before a tortured waltz appears.
- Then the next movement begins, an intermezzo, introduced through a deep pedal, and a dramatic solo violin cadenza occurs before...
- the nocturne emerges. A simple march rhythm becomes apparent which leads to...
- the funeral march. Slowly, however, the passion subsides and...
- the final movement, the epilogue, begins. This movement based on the final eight bars of the first recalls its sense of timelessness although without making reference to its fugue. The music, depleted of energy, culminates in a fateful and bleak viola solo only to terminate in a despairing morendo.

 

Approximately 35 minutes in length, the work is unforgettably death-bonded. We sense that these are the composer’s final words and that the whole cycle of quartets has terminated. We have traveled from the innocence of the first quartet into a world full of memories, pain, resignation, peace and death. Significantly too, but only to be expected from this composer, we know that with the key signature of six flats we cannot travel any further: we are now at the greatest tonal distant from the C major of the first quartet; the journey took 36 years.