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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Richter e Struth

Ontem li, numa entrevista ao fotógrafo Thomas Struth, como tinha sido o artista Gerhard Richter a convencê-lo a deixar a pintura e a dedicar-se à fotografia. Em boa hora. A ver se vou ver a exposição em Serralves. Struth gosta particularmente de fotografar a arquitetura como manifestação humana, além de fotografar as pessoas no espaço. Tomemos o exemplo, abaixo, pessoas num museu, observando Las Meninas de Diego Velazquez. Já não bastava toda a modernidade do quadro, com as infantas olhando-nos, a presença do pintor, a figura misteriosa ao fundo, a interrogação sobre o lugar do espectador, Struth ainda o enquadra com as suas próprias meninas à frente, com os olhares dos visitantes, mesmo aqueles que não olham o quadro.

Diga-se que também gosto de fotografar pessoas no espaço, usando o espaço para as definir. Claro que não com a inteligência de Struth. Lembrei-me de quatro fotografias que tirei em Nova Iorque, de pessoas observando L'Evidence Eternelle de René Magritte, no Met. Dois homens e duas mulheres observam esse nu feminino fragmentado em cinco ou talvez cinco janelas sobre um nu uno. A última mulher fotografa-o, enquanto eu a fotografo a ela. Mais jogos de espelhos.

   
   

Talvez, contudo, todo este post sirva só para dizer que tenciono ver a retrospetiva de Gerhard Richter em Londres, na Tate Modern. Um trailer (sim, as exposições também começam a ter disso) abaixo.