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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A China já não é o que era.

Quem me conhece sabe a minha opinião sobre a série de filmes Transformers. Sim, é uma implicação pessoal mas também, parece-me, os filmes são um bom símbolo de tudo o que há de errado com Hollywood neste momento. O quarto filme da série que se prepara tem algumas novidades... como direi? Interessantes.

A China tornou-se, como seria de esperar, um dos mais importantes mercados para a produção americana de cinema. Era óbvio que ia acontecer. A coisa, contudo, não tem estado a correr muito bem. Diz o New York Times:

Hollywood’s global business strategy, which counts on huge ticket sales in China for high-budget fantasies in 3-D and large-screen Imax formats, is coming unhinged. (...) In the first quarter this year, ticket sales for American movies in China — including films as prominent as “The Hobbit: An Unexpected Journey” and “Skyfall” — fell 65 percent, to about $200 million, while sales for Chinese-language films rose 128 percent, to well over $500 million, according to the online publication Chinafilmbiz.com.

Não é só uma questão de gosto do público, há algum protecionismo, claro. A coisa resolve-se, claro. Como? Co-produzindo os ditos blockbusters com empresas chinesas, nomeadamente com a todo-poderosa televisão estatal chinesa. No fim, no fim, é uma questão de dinheiro. É precisamente isso que a Paramount está a fazer em relação a Transformers 4, como noticia aqui o Los Angeles Times.

Como co-produzir não chega, noticiam nos últimos dias centenas de sites (entre eles o ComingSoon e a Agência Noticiosa Estatal Chinesa) que foi lançado um reality show para encontrar atores para desempenhar quatro papéis em língua chinesa no filme. Passo a citar:

Four people will win roles through the "Transformers 4 Chinese Actors Talent Search Reality Show," which will be open to professionals and amateur actors. The four roles have respective descriptions of Kung Fu fighter, sexy lady, computer geek, and cute Loli. The contestants must be over 18-year-old and be able to speak English, it was announced.

Esperam-se 50.000 a 80.000 participações. Nada como ver para crer e o site que sustenta este concurso vale bem a pena uma espreitadela.

Tão mau que é bom.

Há mais de uma crítica que diz que o novo Transformers: ROTF (Rolling On The Floor?) é tão mau que é bom. Não é e os senhores que o escrevem estão a exercitar o sarcasmo, a ironia e outras figuras de estilo que agora não me ocorrem. Sejam quais forem, parecem escapar ao público americano que se anda a deleitar na overdose sensorial sem sentido de Michael Bay.

O meu título favorito de crítica ao filme passou a ser "A Tsunami of Shit" e está aqui. Só uma amostra: "I mourn the volume of human life being wasted on this thing. If the film makes $100 million this weekend and tickets cost $10 a pop, that’s ten million viewers and a total of twenty-five million hours, not including previews, travel and the time spent earning the wasted money. If the average person lives to be 75, that’s 38 lives. This seems to me a crime." O filme já fez mais de duzentos milhões só nos Estados Unidos, o crime avoluma-se.

Igualmente divertidas, de tão más que são boas, são as críticas do mítico "senhor do adeus". Está tudo aqui no blog dele, vão lá ver. Não sei porquê desconfio que o que ele diz do "Terminator: Salvation", poderia dizer do "Transformers": "Gostei imenso, porque achei o filme muito bem feito. Não sei onde é que a cabecinha do Homem, que é tão inteligente e que faz tanta coisa fantástica, poderá chegar."

 

Brincadeiras e coisas sérias.

A entrevista de Kathryn Bigelow ao New York Times demonstra uma vez mais aquilo que eu já desconfiava. É uma realizadora de cinema a sério que num mundo muito dado ao estereótipo como é o do cinema, escapou das convenções para realizar filmes de acção... pouco convencionais.

Já mostrei aqui o trailer e continuo à espera de ver o "The Hurt Locker" para confirmar a boa impressão que tenho dela (foto aqui abaixo).

Noutro "bairro" do cinema americano, prepara-se para estrear o novo "Transformers" e conto que o som esteja pelo menos tão ensurdecedor como no "Terminator: Salvation", a julgar pelos trailers.

Como já deu para perceber, andei a ler a secção de cinema do New York Times e achei muito interessante este artigo sobre como os brinquedos, depois dos comics, parecem ser a nova mina que Hollywood começou a explorar, como forma de alimentar a máquina industrial respectiva.

Nada disto me escandaliza muito, desde que não haja equívocos. Estamos a falar de explorar máquinas que têm um grande reconhecimento junto do grande público e dão um avanço significativo aos senhor do marketing, num mercado muito competitivo. O cinema é outra coisa e a maneira como cada realizador vai explorar a marca que lhe puserem à frente é que definirá a qualidade ou interesse do produto final, junto da crítica que lhe der um pouco de atenção e do público mastigando ruidosamente as suas pipocas.

Quer dizer... um filme baseado no jogo "Monopólio"? No contexto económico actual, eu entregava a realização ao Oliver Stone, mas não vamos por aí.